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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 249

Cap.56

POv atila.

A água gelada deveria ter cumprido sua função técnica, resfriar meu sistema nervoso, abaixar minha pressão arterial e devolver o controle ao córtex pré-frontal.

Mas, enquanto eu saía do banheiro, apenas de calça moletom, secando o cabelo com uma toalha, percebi que a biologia é uma disciplina muito mais teimosa que a psicologia.

Entrei no quarto e o ar pareceu fugir dos meus pulmões.

Katleia não estava no sofá. Ela havia ignorado o conforto do estofado caro e montado uma espécie de ninho no chão, cercada por travesseiros e almofadas que arrancara do sofá. Mas não foi a arquitetura do "ninho" que me paralisou; foi o que ela estava vestindo.

Ela encontrara uma das minhas camisas de linho branco. Nela, a peça que costumava ficar ajustada aos meus ombros transformou-se em um vestido curto, folgado e perigosamente translúcido sob a luz suave do abajur. As mangas estavam dobradas várias vezes, e o colarinho caía de lado, revelando a pele macia que eu havia acabado de beijar na cozinha.

Eu pigarreei, sentindo minha garganta subitamente seca.

— Katleia? — Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia.

Ela deu um salto, fechando os olhos com força assim que viu meu peito nu. O rubor subiu instantaneamente pelo pescoço dela, tingindo suas bochechas de um rosa profundo.

— Átila! Você... você está sem camisa — ela murmurou, desviando o rosto. — Desculpe, eu procurei algo no seu guarda-roupa... não tinha nada para mim aqui e eu não queria ficar de toalha. Está tudo bem?

— Está... — Eu me forcei a respirar fundo, analisando-a com uma precisão que beirava o masoquismo. — Você fica bem com as minhas coisas. Melhor do que eu, provavelmente.

Caminhei até ela, sentindo o peso da tensão no ambiente. A cada passo, a consciência de que estávamos sozinhos naquele apartamento, longe da vigilância de Adon ou da moralidade da mansão, tornava-se um ruído ensurdecedor. Sentei-me no chão, ao lado dela, mantendo uma distância que eu sabia ser puramente simbólica.

O silêncio entre nós não era vazio; era denso, carregado de tudo o que havíamos evitado dizer desde que saímos do mercado. Katleia finalmente abriu os olhos, mas não conseguiu mantê-los no meu rosto por muito tempo. Eles desceram pelo meu tórax, traçando as linhas dos meus músculos com uma curiosidade que me fez tencionar cada fibra do corpo.

— Você está me analisando de novo, doutor? — ela provocou, a voz trêmula.

Ela hesitou, mordendo o lábio, e então me olhou com uma expressão de súplica que parecia vir do fundo da alma.

— Me deixa beber?

O choque foi tão grande que eu quase caí para trás. O clima de sedução intensa foi substituído por uma frustração tão cômica que levei a mão à testa, batendo com força contra a própria pele.

— Mas que cassete! — exclamei, soltando uma risada incrédula e exasperada. — Eu aqui, lutando contra todos os meus instintos para não te levar para aquela cama, e você está pensando em álcool?

— Por favor! — ela implorou, juntando as mãos como se fizesse uma prece, ignorando completamente o fato de que eu estava quase em combustão ao lado dela. — Só um pouquinho... eu nunca fiz nada de verdade. Eu quero saber como é. Só uma taça do seu vinho? Por favor, Átila!

Eu a encarei, dividido entre a vontade de rir da sua inocência absurda e o desejo de gritar de frustração.

Ela era uma criança perversa e uma mulher fascinante, tudo ao mesmo tempo, e eu estava oficialmente perdendo o controle da situação.

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