Cap.62
Katleia, movida por uma mistura de pânico e indignação, não hesitou. Antes que qualquer outra palavra saísse da boca de Átila, ela avançou e desferiu um tapa sonoro no braço dele. O estalo ecoou pelo salão, fazendo Adon arquear uma sobrancelha e William prender o riso.
— Você não ia guardar segredo, seu fofoqueiro?! — ela sibilou, os olhos faiscando de uma fúria que o vinho da noite anterior parecia ter apenas alimentado. — Onde está sua palavra?!
Átila, pego de surpresa pela agressividade da "sua paciente", apenas a encarou com um misto de choque e diversão contida.
Ele massageou o braço, observando como a pequena Katleia parecia prestes a explodir diante de toda a família.
— Segredo? — Selene deu um passo à frente, sua voz subindo uma oitava. — Que segredo? Átila... Katleia... vocês fizeram algo? Kat... você não fez nada, certo?
A pergunta pairou no ar como uma guilhotina. Por um breve segundo, o mundo parou. Átila e Katleia se entreolharam; um lampejo de memória da noite anterior — da pele quente, do mármore e da rendição mútua — cruzou o espaço entre eles.
— Não! — responderam em uníssono, as vozes perfeitamente sincronizadas na negação desesperada.
Katleia desviou o olhar imediatamente, o coração martelando.
“Ao menos nisso estamos em concordância”, pensou ela, sentindo o suor frio descer por sua nuca. Mas a traição de Átila ao chamá-la de "perigo" e se declarar o "mocinho" não ficaria impune.
Ela precisava de vingança. E precisava agora.
Adon, mantendo sua postura de juiz implacável, deu um passo em direção a Katleia.
— Katleia, o que aconteceu? Você ficou louca? Por que sumiu a noite toda com esse idiota?
Foi o momento de glória de Katleia. Ela respirou fundo, encarando Átila com uma expressão que dizia claramente:
“Então é assim que você quer jogar?”
Ela sussurrou um "fofoqueiro", audível apenas para ele, e, num movimento digno de um Oscar, abaixou a cabeça.
Seus ombros começaram a tremer. Um soluço abafado escapou de seus lábios, e ela cobriu o rosto com as mãos.
Átila ficou instantaneamente imóvel, os olhos arregalados, percebendo que o jogo tinha acabado de virar contra ele.
— Ele... ele me maltratou! — Katleia soluçou, apontando um dedo acusador para o homem ao seu lado. — Ele me levou para aquele lugar frio e me jogou para fora que nem um cachorro! — Ela soltou um espirro teatral e limpou o nariz, fungando com força. — Atchim! Viu? Eu quase fiquei gripada! Eu nunca fui tão maltratada em toda a minha vida! Só porque eu bebi um pouco.
O efeito foi imediato. O ar na sala pareceu carregar-se de eletricidade estática. Selene e Gildete, que já estavam no limite da exaustão e da preocupação, viraram-se para Átila como duas leoas protegendo o filhote. As expressões eram de puro ódio.
— Você o quê, Átila?! — Selene rugiu, avançando para o irmão.
— Eu não fiz! Ela está mentindo! — Átila tentou se defender, levantando as mãos em sinal de rendição, mas não houve tempo para explicações lógicas.
Gildete, geralmente a voz da razão, agarrou uma almofada e desferiu o primeiro golpe. Selene seguiu o exemplo, usando as próprias mãos para empurrar e xingar o irmão mais velho.
Átila, um homem que poderia derrubar um exército, viu-se obrigado a recuar, caindo de forma patética no sofá luxuoso, encolhido enquanto era bombardeado por gritos e t***s.
— Eu disse que não ia te considerar mais como meu irmão se fizesse mal à minha amiga, seu desgraçado! — Selene gritava, acertando o ombro dele.
— Eu não fiz nada! Ela estava no meu colo agorinha! Digo... no meu carro! Cassete! — Átila gritava de volta, tentando proteger o rosto, mas suas palavras só pioravam a situação. — Katleia, diga a verdade!
Katleia, no entanto, já havia parado de "chorar". Ela estava parada ao lado de Adon e William, observando a cena com um sorriso de satisfação que faria um vilão de novela ter inveja.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!