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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 258

Cap.65

POv Atila.

Eu ainda podia sentir o fantasma do toque de Katleia na minha bochecha, o rastro daquela pomada fria contrastando com o calor que ela sempre conseguia despertar em mim.

Parei exatamente na metade da escadaria de mármore, o corpo ainda vibrando com a leveza daquela interação no quarto.

Eu estava sorrindo pateticamente sorriso, não aquela máscara expressão gélida que reservava para os negócios da família.

Mas o vibrar do celular no meu bolso interrompeu o devaneio.

Era uma mensagem de Adon. Curta, direta e ligeiramente desesperada, embora ele jamais admitisse o uso dessa palavra.

“Estamos na Maison Petit. William está perdendo a cabeça e o garoto parece um personagem de Dickens. Venha ajudar.”

Soltei uma risada baixa, o som ecoando pelo hall vazio. Imaginei Adon, o homem que comandava execuções e estratégias de mercado sem piscar, sendo derrotado por cabides de roupas infantis e o choro de uma criança.

— Interessante — murmurei para mim mesmo, guardando o aparelho.

Apoiei as mãos no corrimão e olhei para o andar de baixo. Dali, eu tinha uma visão privilegiada do "ninho". Maju, Mima e Gildete estavam sentadas no círculo de poltronas perto da lareira apagada.

Elas conversavam em tons baixos, mas a linguagem corporal de Gildete era um livro aberto para mim.

Ela não apenas participava da conversa, ela estava inquieta. Suas mãos não paravam de alisar a saia, seus olhos vagavam constantemente para a porta principal, e havia uma tensão nos ombros que não condizia com o momento, pelo que conseguir brevemente ouvir, logo entendi sobre o que se tratava.

Gildete demonstrava preocupação demais com Ryuk. Coisa que ninguém mais ousava observar, Havia um segredo ali, uma peça solta no quebra-cabeça de William que eu ainda não havia encaixado totalmente, mas que agora brilhava sob o meu radar analítico, assim como também nas suspeitas de Adon que conhece William melhor do que ninguém.

— Agora eles vão saber por que sou considerado um bom estrategista — disse em voz alta, embora ninguém pudesse ouvir. — Nada como um pouco de caos organizado para fazer as verdades virem à tona.

A Maison Petit, vamos ao Caos em Tecido Nobre

A loja de roupas adultos e infantis masculinas era o epítome do luxo desnecessário.

O cheiro de talco caro e algodão egípcio era quase sufocante.

Quando entrei, vi Axel sentado em um sofá de veludo bege, a imagem perfeita do tédio aristocrático, até ele não tinha escapado.

Ele observava a cena à sua frente com um desdém mal disfarçado.

Adon e William, por outro lado, pareciam dois generais tentando planejar uma invasão em um terreno pantanoso.

William segurava três cabides com mini-smokings, enquanto Adon analisava um par de sapatos de verniz como se estivesse verificando se havia escutas neles.

Sentei-me ao lado de Axel, cruzando as pernas e ajustando os punhos da minha camisa.

— O que a gente tem a ver com isso? — Axel resmungou, sem tirar os olhos do teto. — Desde quando a iniciação de um Corvo consiste em escolher entre azul-marinho e cinza-chumbo para uma criança de seis anos?

— Deixe Adon se divertir — respondi, observando meu irmão mais velho franzir a testa para uma gravata borboleta. — Daqui a pouco essa maré boa acaba. O pai está pressionando, a sucessão é iminente. Adon terá que carregar o peso da coroa em breve. Deixe que ele se estresse com botões por enquanto.

Axel finalmente se endireitou, saindo da sua letargia. Ele me olhou de soslaio, e o brilho em seus olhos mudou. Havia algo sério ali, mas as dúvidas em mim gritava mais alto.

— E você? O que anda fazendo? — perguntei.

— Nada demais e você? Parece que levou bem a sério a parte de se manter longe dos negócios pesados ultimamente. Ou é apenas a "paciente" que está tomando todo o seu tempo?

Ignorei a provocação sobre Katleia, embora o nome dela tenha causado um leve formigamento no meu peito.

— O que você descobriu, Axel? Sei que você não esteve apenas jogando videogame nas últimas semanas.

Axel inclinou-se em minha direção, baixando a voz como se estivéssemos em uma zona de guerra, e não cercados por ursinhos de pelúcia de grife.

— Tem um problema — ele começou. — Eu estive trabalhando ao lado do pai e investigando cada passo dele, como você sabe. Adon vai suceder o patriarca para que o velho possa finalmente entrar no Senado com as mãos "limpas e assim encobrir a máfia. Mas... ele ainda pretende selar a aliança com o pai de Rose.

Encarei Axel, genuinamente confuso.

— Como ele pensa em se aliar ao pai dela se aquele homem só aceita alianças através de sangue? Casamento é a única moeda de troca que ele reconhece.

Axel deu de ombros, um gesto carregado de um fatalismo cínico.

Vi, através do espelho da loja, William e Adon discutindo sobre um par de calças de linho enquanto Ryuk ria de alguma palhaçada que Axel fizera para distraí-lo.

— O que houve com o Ryuk? Ele está mal, esta chorando? — a voz de Gildete tremeu, que reação exagerada, mas vai servir com certeza.

— Ele não está nada bem, sabe? — menti descaradamente, sentindo um prazer quase perverso na minha habilidade de manipulação. — Adon e William estão tentando transformá-lo em um mini-executivo. O menino está exausto, e as roupas que eles estão escolhendo são... inadequadas para o bem-estar dele. Além disso, você deveria vir.

Fiz uma pausa dramática para jogar o que eu realmente queria.

— Venha com as meninas. Tem uma loja de roupas femininas maravilhosa do outro lado da rua. Assim, você aproveita o passeio e "acidentalmente" ajuda os rapazes aqui. Mas você tem que vir com a Selene e as meninas, todas elas, ok? para criar uma desculpa plausível de que vocês estavam apenas passando para fazer compras. O que acha?

Houve um segundo de silêncio do outro lado. Eu quase podia ouvir as engrenagens na cabeça de Gildete girando.

— Me manda o endereço — ela disse com firmeza. — Estou indo agora mesmo!

Desliguei o celular e enviei a localização em tempo real. Um sorriso vitorioso brincava em meus lábios. Voltei para perto de Adon, que agora tentava decidir entre um cinto de couro de jacaré ou de bezerro.

Encarei meu irmão, observando o perfil rígido dele, o homem que achava que tinha o controle de tudo.

— Não me culpe, irmão — sussurrei para mim mesmo, olhando para a porta da loja por onde, em breve, o furacão feminino entraria. — Meu único interesse agora é uma pessoa que ficou na mansão.

Adon me olhou, desconfiado.

— O que você está resmungando aí, Átila? E por que está com essa cara de quem acabou de envenenar o poço da cidade?

— Apenas apreciando a moda infantil, Adon — respondi, voltando a me sentar ao lado de Axel. — Prepare-se. O reforço está a caminho.

Axel me olhou, arqueando uma sobrancelha. Ele me conhecia bem demais.

— O que você fez? — ele perguntou em voz baixa.

— Apenas convidei as especialistas para darem um parecer — pisquei para ele. — Vamos ver como William reage quando Gildete entrar por aquela porta e começar a ditar como o filho dele deve se vestir. Vai ser um estudo antropológico fascinante.

Enquanto eles se perdiam em tecidos e segredos de família, minha mente voltava para Katleia. Logo, logo se eu tiver sorte e jogado as cartas certas ela estaria aqui, Mas, por enquanto, eu apenas me recostei no sofá de veludo e esperei que o show começasse.

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