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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 260

Cap.67

O REFLEXO DAS FLORES.

Axel Felix.

Eu me levantei do chão como se pudesse recuperar a dignidade junto com as migalhas do tapete persa.

Ajeitei as calças de alfaiataria com um movimento automático, mas minha mente ainda estava atrás daquele sofá, esmagada pelo peso do que acabara de acontecer.

Ela me viu. Ela me viu escondido como um moleque.

— Eu... eu estava apenas procurando um objeto que deixei cair. — A voz saiu mais grave do que eu pretendia, um esforço desesperado para soar no controle e reverter a ultima desculpa. — Acabei de encontrar.

Maju continuava debruçada sobre o encosto do sofá.

Ela não se moveu.

Ela sorria.

Deus, aquele sorriso. Como era possível que algo tão puro causasse tamanha devastação em alguém como eu?

Os olhos dela, grandes, brilhantes, dois oceanos negros que refletiam cada luz da loja, me encaravam com uma intensidade que eu sentia na pele.

Era como estar sob um sol de meio-dia depois de anos vivendo na sombra. Ela me olhava como se eu fosse o centro de tudo, e isso era ao mesmo tempo o melhor e o pior sentimento que eu já tinha experimentado.

Eu desviei o olhar.

Olhei para os sapatinhos de verniz na vitrine. Para o teto de gesso. Para o relógio de parede que parecia marcar cada segundo da minha humilhação. Qualquer lugar era mais seguro do que aquele olhar.

— Como você está? — perguntei, forçando meus olhos a encontrarem os dela por apenas um instante.

— Estou bem, Axel. Estudando bastante também. — A voz dela era mel, Ela descansou o rosto na palma da mão, o cotovelo apoiado no sofá, e eu senti meus dedos coçarem para alcançar aquele rosto, para afastar uma mecha imaginária do cabelo dela.

Eu sorri.

Foi involuntário. Um reflexo idiota, primitivo, que meu corpo executou antes que meu cérebro pudesse ordenar que não.

— Que bom. Fico feliz que esteja focada.

E então ela começou a falar.

Maju falava como quem respira, sem esforço, sem filtro, sem medo. Ela contou sobre as novidades na mansão, sobre um livro que estava lendo, sobre a convivência com Katleia. E eu ouvia. Deus me ajude, eu ouvia cada palavra como se fossem as mais importantes do mundo.

Foi nesse momento que minha resistência quebrou.

Meus olhos pararam nela e, por mais que minha mente gritasse ordens para desviar

— "Você é um homem, porra! Comporte-se!" — eu não consegui.

O contraste dela naquele ambiente me atingiu como um soco.

Maju parecia uma miragem no meio do cinza e azul-marinho que dominava o guarda-roupa da nossa família.

Ela usava um vestido que era branco, salpicado de flores rosas tão delicadas que eu podia quase sentir o cheiro delas. As mangas bufantes davam a ela um ar de princesa de conto de fadas — daquelas que vivem em torres, esperando que alguém as resgate.

Mas não era a princesa que mexia comigo.

Era a mulher.

O decote taça emoldurava o colo dela de uma forma que eu sabia que não era proposital,

Maju não tinha malícia para isso, mas que ainda assim me atingia em cheio. A curva suave da pele, a sombra sutil onde a luz não alcançava, a maneira como o tecido se ajustava ao corpo dela como se tivesse sido feito para me torturar.

Minha garganta secou.

Eu tentei focar nas flores. Na estampa ingênua. Nos detalhes que deveriam me lembrar que ela era apenas uma garota, que eu não tinha o direito de olhar para ela daquele jeito.

Mas o contraste entre a delicadeza do vestido e a curva do corpo dela era um paradoxo que minha mente não conseguia resolver.

O que há de errado comigo?

Fui treinado para ser implacável, para controlar cada impulso, para nunca mostrar fraqueza. E ali estava eu, perdendo o fôlego por causa de um decote e um sorriso, escondido atrás de móveis como um adolescente.

— Por que você não apareceu mais na mansão? — Ela perguntou, e a pergunta dela atravessou todas as minhas defesas. — Todo mundo sente sua falta. Eu sinto sua falta.

Ela sente minha falta.

O pensamento veio acompanhado de uma pontada no peito que eu me recusei a reconhecer como esperança.

Limpei a garganta. Ajeitei a gravata, que já estava perfeitamente no lugar, mas me dava algo para fazer com as mãos.

— Trabalho. Muitas coisas para organizar com o meu pai e o conselho. — A mentira saiu fácil, treinada. Mas o peso dela hoje era diferente. — Na verdade, eu não devo aparecer na mansão por um bom tempo.

Eu vi o sorriso dela vacilar.

Ela se endireitou no sofá, tirando o queixo da mão.

— É verdade, então? Você está mesmo se organizando para ir embora?

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