Cap 68.
O Pacto de Seda e o Gosto do Perigo
Diferente a outra loja, O interior da boutique de departamento de luxo unissex era um labirinto de espelhos, mármore polido e o aroma inebriante de perfumes importados que pareciam flutuar no ar condicionado perfeitamente regulado.
Átila cruzou o limiar da loja com a passos deliberados, mas silenciosos. Naquele momento ele era o mestre da observação, movendo-se pelas sombras das araras de alta costura com uma fluidez predatória, como uma fera perseguindo e observando sua presa a distancia.
Ao longe, ele avistou o grupo.
Selene examinava um conjunto de alfaiataria com olhos críticos; Gildete parecia perdida em pensamentos, ainda segurando a sacola de Ryuk como se fosse um escudo, e Maju, com seu vestido de flores, ainda parecia processar o encontro desastroso com Axel. Elas estavam distraídas, mergulhadas no ritual feminino do consumo, o que dava a Átila a janela de oportunidade perfeita.
— Bom... — ele sussurrou para si mesmo, um sorriso invisível brincando no canto dos lábios. — Posso fazer meus próprios planos agora que ela está fora daquelas paredes de pedra.
Ele serpenteou entre os manequins de gesso, mantendo-se fora da linha de visão periférica de Selene. Ele conhecia os ângulos daquela loja; sabia onde os pontos cegos se escondiam atrás das colunas revestidas de veludo.
Katleia estava um pouco afastada, dedilhando distraidamente o tecido de um xale de seda. Ela parecia flutuar em um mundo próprio.
Átila parou atrás de um expositor de bolsas de couro exótico. Ele esperou o momento exato em que Katleia levantou o olhar, procurando por algo, ou por alguém.
Ele ergueu a mão, um sinal breve, apenas um movimento de dedos que capturou a luz do teto.
Os olhos de Katleia se arregalaram. Ela o viu.
A surpresa inicial deu lugar a uma centelha de travessura e medo. Ela olhou para as amigas, certificando-se de que estavam ocupadas discutindo tons de bege, e caminhou em direção ao fundo da loja, onde os vestidos de festa se amontoavam em uma cascata de cores profundas.
Quando ela dobrou o corredor de seda, Átila já estava lá, encostado em uma parede de espelhos, observando-a com uma intensidade que parecia consumir o oxigênio do pequeno nicho.
— O que você está fazendo aqui? — ela sussurrou, a voz ofegante, o coração batendo visivelmente na base do pescoço. — Você enlouqueceu?
— Talvez — ele respondeu, aproximando-se um passo, o suficiente para que ela sentisse o calor irradiando do corpo dele. — Mas descobri que a minha tolerância para ficar longe de você diminuiu drasticamente nas últimas horas. Diga-me... está a fim de sair daqui?
Katleia recuou meio centímetro, as costas encontrando a maciez dos tecidos pendurados.
— Agora? Com elas aqui? Átila, se a Selene nos vir, você não vai apenas levar uma almofadada. Elas vão te linchar em público.
— Eu pago o preço — ele disse, com um descaso charmoso que a fez estremecer. — O meu dia parece ter sido cancelado por falta de sanidade geral da família. Todo mundo decidiu tirar folga dos seus papéis habituais. Por que nós não podemos fazer o mesmo? Quero aproveitar esse dia mas em grande estilo.
— Eu não posso simplesmente desaparecer — ela tentou argumentar, mas a resistência estava morrendo.
A presença dele era magnética demais, uma força gravitacional que a puxava para fora de sua zona de conforto.
Átila não respondeu com palavras. Ele se virou para o cabideiro de alta costura ao lado deles. Seus dedos longos e ágeis deslizaram pelos tecidos até pararem em uma peça específica.
Ele a puxou com um movimento fluido.
Era um vestido longo, de um azul-meia-noite tão profundo que beirava o preto, feito de uma seda pesada que brilhava como óleo sobre a água.
A frente era austera, com uma gola alta e elegante, mas o verdadeiro segredo estava na construção, as costas eram completamente nuas, um decote que descia em um "V" vertiginoso até o início da lombar, sustentado apenas por duas tiras de seda tão finas quanto fios de teia de aranha.
— Isso vai ficar perfeito em você — ele declarou, entregando o cabide a ela. — O contraste da seda escura com a sua pele... vai ser um crime contra a saúde pública.
Katleia olhou para o vestido, a mão subindo para tocar a seda fria. Era lindo. Era perigoso. Era exatamente o tipo de coisa que ela nunca teria coragem de escolher sozinha.
— Eu não posso aceitar isso. É demais eu nunca usei esse tipo de roupa.
Átila inclinou-se, o rosto a centímetros do dela. O cheiro de menta e perigo que ele exalava a envolveu completamente.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!