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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 262

Cap.69

Eu encarei Rose sem vacilar, embora meus dedos tinham apertado o tecido das roupas no meu braço.

O tabuleiro de xadrez que eu tanto gostava de manipular acabara de ganhar uma peça que eu definitivamente não esperava encontrar ali, naquele exato momento.

— Você está no lugar errado, na hora errada, Rose — eu disse, deixando minha voz sair como um rosnado baixo e perigoso.

Ela inclinou levemente a cabeça, como se aquilo a divertisse.

— Ah, eu acho que estou exatamente onde deveria estar — rebateu, lançando um olhar para a porta da cabine atrás de mim. — Quem está aí dentro, Átila? Quem é a “peça” que você está tentando esconder?

O corredor pareceu encolher ao nosso redor. A tensão no ar era quase física, pesada, como o silêncio antes de uma explosão que promete mudar o destino de todos, nem fodendo que ela ia estragar meu dia.

Eu a encarei com impaciência.

— Você está me seguindo agora? — perguntei, já irritado.

— Adivinha? — ela respondeu.

Rose sorriu. Para qualquer outra pessoa, poderia parecer gentileza. Delicadeza, até.

Mas eu conhecia aquele sorriso.

Eu só via manipulação.

— Você parece que não se conformou, não é? Como viu que Adon não era acessível, veio até mim, eu te daria tudo naquela época, mas desse jeito eu sou alguém que você pode pegar quando quer?

— Atila... você sempre gostou de mim, porque não tentamos agora?

— porque só tem uma pessoa que pode me jogar fora e me pegar de volta quantas vezes quiser, e ela está bem ali naquele provador.

— Você...não pode ficar com ninguém, o que acha que o Don vai dizer? Está brincando com fogo e com essa moça.

Ela exalava um desespero disfarçado de arrogância, uma mistura venenosa que eu já conhecia bem demais.

Ela ameaçou entrar, ameaçou gritar aos quatro ventos os segredos da minha família, os acordos de sangue feitos em salas enfumaçadas e, principalmente, a "nossa" história. Ela queria contar a Katleia quem eu supostamente era e o quanto eu, era apaixonada por ela.

Eu sorri. Não foi um sorriso de alegria, mas aquele espasmo de lábios cético e frio que eu reservava para os meus inimigos mais patéticos.

— você me amava tanto, até pisava em seu próprio ego...

— Era, Rose. No passado — eu disse, minha voz saindo em um tom baixo, quase um sussurro letal. — E falando nisso, já que o que eu fiz naquela época não foi suficiente para manter você no seu devido lugar, parece que vou ter que ajudá-la a relembrar por que não se deve mexer comigo. Você é um erro que eu ainda não corrigi completamente, mas eu posso facilmente fazer isso e garanto que ninguém vai te encontrar.

Rose estremeceu, mas tentou manter o queixo erguido.

— Você vai mesmo contra o Don, Átila? Contra o seu próprio pai? Você sabe que o acordo de casamento não é uma sugestão. É o alicerce de tudo o que a organização dos Corvos estão construindo agora.

— Você vai mesmo querer pagar para ver o quão longe eu vou para queimar esse alicerce? — retruquei, dando um passo em direção a ela, invadindo seu espaço pessoal até que ela recuasse contra a parede de mármore do corredor. — Não me teste. Eu não tenho o temperamento do Adon, nem a paciência do William muito menos sou sóbrio e controlado como Axel, você sabe, não é?

Ela balbuciou algo, a confiança escorrendo por entre seus dedos. Num último esforço de retomar alguma relevância, sua voz suavizou para um tom suplicante que me enojou.

— Ao menos... ao menos você pode me auxiliar a escolher um vestido para o jantar daqui a uma semana com os Felix? Eu quero usar algo que você goste, Átila. Eu realmente quero te agradar, tentar compensar pelo tempo que você tentou me alertar... eu mudei.

— Você vai receber qualquer orientação apenas da morte, Rose — respondi com um desprezo tão profundo que o ar ao nosso redor pareceu esfriar. — Porque de mim, você só tem e terá o mais absoluto asco.

— Átila! — ela gritou, a voz subindo uma oitava, os olhos injetados de raiva e humilhação. — Eu vou ficar aqui! Vou esperar ela sair dessa cabine e vou contar tudo! Vou destruir esse mundinho de fantasia que você está construindo com essa garota!

Eu ri. Um riso seco, de deboche puro.

— Ok, Rose. Fique aí. Sente-se no chão se as suas pernas cansarem. Fique aí esperando enquanto eu vou lá dentro me divertir com o que é verdadeiramente meu. E se você for realmente prudente, apenas espere e assista ao que é ser desejada de verdade, algo que você nunca saberá.

Sem dar a ela mais um segundo da minha atenção, girei a maçaneta da cabine VIP e entrei, trancando a porta atrás de mim.

O mundo mudou instantaneamente. O cheiro de Rose, aquele perfume floral enjoativo e caro, deu lugar ao aroma natural de Katleia, uma mistura de baunilha e a pureza da sua pele algo que já era uma marca dela que me dizia que era ela, sempre!

A iluminação dentro da cabine era suave, dourada, refletida nos espelhos triplos que ampliavam cada detalhe.

Katleia estava semi-nua. Ela deu um salto, um pequeno grito abafado escapando de seus lábios enquanto tentava se esconder atrás do vestido azul-meia-noite que eu havia escolhido.

A seda escura contrastava com a brancura quase translúcida de seus ombros.

Eu não disse nada. Não havia palavras para descrever o impacto visual de vê-la ali, vulnerável e magnífica.

Aproximei-me em silêncio, meus passos abafados pelo carpete grosso. Antes que ela pudesse protestar, envolvi meus braços ao redor de sua cintura, abraçando-a por trás. Escondi meu rosto na curva de seu pescoço, aspirando o calor que emanava dela.

— Eu não consigo... é estranho e constrangedor. — ela balbuciou.

— Apenas feche os olhos — instruí suavemente. — Finja que eu não estou aqui. Esqueça o espelho, esqueça tudo lá fora, Sou apenas eu e você. Eu vou contar até três. Respira fundo, se acalma e solta os braços. Confia em mim?

Ela hesitou, os olhos vagando pelo meu rosto, buscando qualquer sinal de mofa ou desrespeito.

Encontrou apenas uma devoção absoluta e uma fome controlada. Ela finalmente concordou, fechando os olhos com força e comprimindo os lábios.

— Um — eu comecei, minha voz um mantra de calma enquanto eu segurava a base do vestido.

— Dois — vi o peito dela subir e descer em uma respiração profunda.

— Três.

Ela soltou os braços. Suas mãos caíram ao lado do corpo, e ela ficou ali, completamente exposta para mim sob a luz dourada.

Meu coração deu um solavanco. A visão era sagrada. Os seios medios e perfeitos, a pele que parecia brilhar com uma luz própria... eu tive que fechar os punhos para não esticar a mão e tocá-la de uma forma que quebraria o nosso acordo de "apenas vestir".

Eu subi o vestido lentamente pelas pernas dela, sentindo o roçar da seda contra a pele macia. Eu me levantei devagar, guiando o tecido pelos seus quadris, pela cintura fina, até que a gola alta envolvesse seu pescoço. Meus dedos roçaram seus seios por um breve segundo enquanto eu ajustava o busto, e ouvi um suspiro agudo escapar dela.

Eu passei para trás dela para fechar o fecho. Minha respiração batia em suas costas nuas, e eu podia ver os arrepios surgindo em sua pele. Com o vestido finalmente no lugar, a imagem era devastadora. O azul profundo abraçava suas curvas, e a ausência de tecido nas costas deixava sua pele exposta de uma forma que era divina provocação.

— Pode abrir os olhos agora — eu sussurrei em seu ouvido.

Ela abriu os olhos e olhou para o espelho. A expressão de vergonha foi lentamente substituída por uma de maravilha.

Ela não via mais a menina assustada, via uma mulher que exalava poder e beleza, emoldurada pela proteção de um homem que mataria por ela e ela nem imaginava a loucura que seria.

Eu a abracei novamente por trás, minhas mãos espalmadas em seu ventre, sentindo-a vibrar.

— Você é minha, Katleia — eu disse, marcando o território em seu pescoço com um beijo casto, mas possessivo. — e nada nesse mundo vai mudar o fato de que eu destruirei o mundo antes de deixar você ir.

Ela se virou nos meus braços, o vestido azul balançando, e me olhou com uma intensidade que me desarmou completamente.

— Então eu permito que você nunca me deixe ir, porque sei que você nunca vai me magoar.

Eu a beijei então, um beijo que carregava todo o desespero do segredo que eu guardava e toda a promessa de uma guerra que eu estava prestes a declarar contra o meu próprio sangue. Rose podia esperar lá fora o quanto quisesse; aqui dentro, eu já havia escolhido o meu destino, mas a última palavra dela fez meu estomago arder, era medo? Eu não quero a magoar.

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