Entrar Via

Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 263

Cap. 70

O Voo do Pássaro de Seda

(POv. Katleia)

O mundo se resumia ao som da respiração dele contra a minha nuca e ao escuro acolhedor das minhas pálpebras cerradas. Eu sentia cada terminação nervosa do meu corpo em alerta máximo. Quando Átila sussurrou que eu era corajosa e que meu corpo era lindo, um arrepio violento percorreu minha espinha, não de medo, mas de uma eletricidade que eu nunca havia experimentado.

Instintivamente, tapei os ouvidos com as mãos e apertei os olhos, tentando bloquear a intensidade daquela confissão, mas era inútil, a voz dele não ecoava apenas no ar, ela vibrava dentro dos meus ossos.

Senti o suspiro quente dele descer dos meus ombros até o meio das minhas costas nuas. O contraste entre o ar frio do provador e o calor da sua boca era quase insuportável. Então, veio o toque.

Ele começou a subir o vestido. Eu senti o roçar da seda fria contra a minha pele, mas Átila não estava sendo apenas funcional; seus dedos acompanhavam o tecido, tocando-me de forma proposital, traçando o caminho da minha cintura até as costelas. Ele sorriu, eu podia ouvir o som do seu sorriso, quando meu corpo reagiu com novos arrepios.

— Deixe-me terminar o que comecei.

Eu obedeci, os lábios comprimidos, o coração martelando contra as costelas como se quisesse escapar. Senti-o ajustando as alças finas sobre meus ombros, o peso do vestido finalmente se acomodando sobre o meu corpo.

A seda parecia uma segunda pele, pesada e luxuosa. Ele se afastou apenas o suficiente para que eu sentisse falta do seu calor, e então ouvi o clique final do fecho.

Quando meus olhos focaram no reflexo à minha frente, eu perdi o fôlego. Aquela não era a Katleia que se escondia em blusas largas e sombras. O vestido azul-meia-noite era uma obra-prima de engenharia e sedução. A frente era uma gola alta e austera que alongava meu pescoço, mas o tecido abraçava meu busto e minha cintura de uma forma que desenhava curvas que eu nem sabia que possuía.

E as costas... ao me inclinar levemente, vi no espelho lateral a imensidão de pele exposta, emoldurada pelo corte em "V" profundo que terminava onde a curva do meu quadril começava. Eu parecia... elegante. Eu parecia poderosa. Ao lado dele, que estava impecável em seu terno escuro, com as mãos nos bolsos e um olhar de satisfação absoluta, formávamos uma imagem que eu nunca imaginei ser possível.

Depois daquea confissão meu coração estava uma explosão enquanto eu analisava meu próprio reflexo.

— Você é realmente o meu tipo, Katleia — ele disse, parando ao meu lado. Seus olhos cinzentos devoravam meu reflexo, mas havia um respeito profundo ali. — Nunca vi nada tão perfeito.

Eu fiquei vidrada, tocando a seda sobre meu ventre. Pela primeira vez, não senti vontade de me esconder. Senti vontade de ser vista, desde que fosse pelos olhos dele.

— Onde você quer que eu te leve essa noite? — ele perguntou, inclinando o rosto para perto do meu. — Já que você está tão linda, o mundo merece testemunhar, mesmo que eu queira te guardar só para mim.

— Podemos ir a qualquer lugar, só você e eu?

— O meu plano é que seja só você e eu. O que acha?

Uma lembrança brilhou na minha mente. Selene uma vez me contou, entre suspiros de admiração e inveja, sobre um lugar onde Adon a levara.

Ela descreveu como o cenário perfeito para alguém "mergulhar em pensamentos e escrever", e aquilo tinha ficado gravado em mim, naquela época eu pensei que seria impossível eu conseguir pisar naquele lugar um dia, mas eu estava tendo essa chance ao lado dele e eu aproveitaria.

— O Restaurante dos Felix — sussurrei. — Selene disse que a cobertura é... mágica. Que dá para ver a cidade inteira e que o silêncio lá em cima é perfeito.

Átila ergueu uma sobrancelha, um brilho de reconhecimento cruzando seu rosto.

— O Felix... — ele sorriu de canto. — Você tem bom gosto. O primeiro andar é o caos da elite, mas a cobertura... é o paraíso dos pecadores e dos poetas. Eu sei exatamente onde é, afinal... você bem imagina quem pensou naquele designer, você gosta?

— Clientes de alto perfil não gostam de ser vistos quando não querem ser encontrados — ele respondeu, empurrando uma última porta de metal pesado.

O ar fresco da rua nos atingiu. Estávamos em um beco lateral, discreto e limpo. O carro dele, um modelo esportivo preto que parecia uma sombra sólida, estava estacionado a poucos metros. Ele abriu a porta para mim com uma reverência galante.

— O restaurante e hotel Felix nos espera, Katleia.

Enquanto ele contornava o carro para entrar no banco do motorista, eu me olhei no espelho retrovisor.

Meu coração ainda estava acelerado, a sensação dos dedos dele na minha pele ainda estava gravada em cada poro.

Eu estava fugindo. Pela segunda vez em um dia, eu estava deixando a segurança da mansão e a vigilância das "meninas" para trás.

Mas, ao olhar para Átila enquanto ele dava partida no motor e o ronco potente ecoava pelo beco, eu não senti medo.

O Restaurante dos Felix, com seus quartos de luxo nos andares intermediários e o restaurante romântico ao ar livre na cobertura, parecia o destino final de um sonho que eu não queria acordar.

— Você está pronta? — ele perguntou, estendendo a mão para acariciar meu rosto antes de engatar a marcha.

— Sim — respondi, sentindo o peso da seda azul e o calor do olhar dele. — Me leve para ver a cidade, Átila.

O carro arrancou, deixando para trás o shopping, e todas as obrigações que tentavam nos prender. Naquela noite, sob as luzes da cidade, eu não era apenas uma paciente ou uma protegida. Eu era a mulher no vestido azul, e o homem ao meu lado era o único mundo que eu queria habitar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!