Cap. 70
O Voo do Pássaro de Seda
(POv. Katleia)
O mundo se resumia ao som da respiração dele contra a minha nuca e ao escuro acolhedor das minhas pálpebras cerradas. Eu sentia cada terminação nervosa do meu corpo em alerta máximo. Quando Átila sussurrou que eu era corajosa e que meu corpo era lindo, um arrepio violento percorreu minha espinha, não de medo, mas de uma eletricidade que eu nunca havia experimentado.
Instintivamente, tapei os ouvidos com as mãos e apertei os olhos, tentando bloquear a intensidade daquela confissão, mas era inútil, a voz dele não ecoava apenas no ar, ela vibrava dentro dos meus ossos.
Senti o suspiro quente dele descer dos meus ombros até o meio das minhas costas nuas. O contraste entre o ar frio do provador e o calor da sua boca era quase insuportável. Então, veio o toque.
Ele começou a subir o vestido. Eu senti o roçar da seda fria contra a minha pele, mas Átila não estava sendo apenas funcional; seus dedos acompanhavam o tecido, tocando-me de forma proposital, traçando o caminho da minha cintura até as costelas. Ele sorriu, eu podia ouvir o som do seu sorriso, quando meu corpo reagiu com novos arrepios.
— Deixe-me terminar o que comecei.
Eu obedeci, os lábios comprimidos, o coração martelando contra as costelas como se quisesse escapar. Senti-o ajustando as alças finas sobre meus ombros, o peso do vestido finalmente se acomodando sobre o meu corpo.
A seda parecia uma segunda pele, pesada e luxuosa. Ele se afastou apenas o suficiente para que eu sentisse falta do seu calor, e então ouvi o clique final do fecho.
Quando meus olhos focaram no reflexo à minha frente, eu perdi o fôlego. Aquela não era a Katleia que se escondia em blusas largas e sombras. O vestido azul-meia-noite era uma obra-prima de engenharia e sedução. A frente era uma gola alta e austera que alongava meu pescoço, mas o tecido abraçava meu busto e minha cintura de uma forma que desenhava curvas que eu nem sabia que possuía.
E as costas... ao me inclinar levemente, vi no espelho lateral a imensidão de pele exposta, emoldurada pelo corte em "V" profundo que terminava onde a curva do meu quadril começava. Eu parecia... elegante. Eu parecia poderosa. Ao lado dele, que estava impecável em seu terno escuro, com as mãos nos bolsos e um olhar de satisfação absoluta, formávamos uma imagem que eu nunca imaginei ser possível.
Depois daquea confissão meu coração estava uma explosão enquanto eu analisava meu próprio reflexo.
— Você é realmente o meu tipo, Katleia — ele disse, parando ao meu lado. Seus olhos cinzentos devoravam meu reflexo, mas havia um respeito profundo ali. — Nunca vi nada tão perfeito.
Eu fiquei vidrada, tocando a seda sobre meu ventre. Pela primeira vez, não senti vontade de me esconder. Senti vontade de ser vista, desde que fosse pelos olhos dele.
— Onde você quer que eu te leve essa noite? — ele perguntou, inclinando o rosto para perto do meu. — Já que você está tão linda, o mundo merece testemunhar, mesmo que eu queira te guardar só para mim.
— Podemos ir a qualquer lugar, só você e eu?
— O meu plano é que seja só você e eu. O que acha?
Uma lembrança brilhou na minha mente. Selene uma vez me contou, entre suspiros de admiração e inveja, sobre um lugar onde Adon a levara.
Ela descreveu como o cenário perfeito para alguém "mergulhar em pensamentos e escrever", e aquilo tinha ficado gravado em mim, naquela época eu pensei que seria impossível eu conseguir pisar naquele lugar um dia, mas eu estava tendo essa chance ao lado dele e eu aproveitaria.
— O Restaurante dos Felix — sussurrei. — Selene disse que a cobertura é... mágica. Que dá para ver a cidade inteira e que o silêncio lá em cima é perfeito.
Átila ergueu uma sobrancelha, um brilho de reconhecimento cruzando seu rosto.
— O Felix... — ele sorriu de canto. — Você tem bom gosto. O primeiro andar é o caos da elite, mas a cobertura... é o paraíso dos pecadores e dos poetas. Eu sei exatamente onde é, afinal... você bem imagina quem pensou naquele designer, você gosta?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!