Cap.71
O sumiço descoberto.
O luxo da Maison Petit, que minutos antes parecia um santuário de consumo e elegância, subitamente tornou-se o cenário de um suspense doméstico de proporções épicas.
Adon cruzou o limite que separava o salão principal da área privativa dos provadores com a autoridade de um monarca recuperando um território perdido.
Seus passos ecoavam no mármore, firmes e ritmados, enquanto seus olhos ávidos varriam cada centímetro do corredor acarpetado.
Logo atrás dele, William caminhava com Ryuk, agora devidamente vestido como um pequeno príncipe, Axel, no entanto, não compartilhava da seriedade tensa de Adon.
Ele mantinha as mãos nos bolsos da calça e um brilho de divertimento puro nos olhos. Ele sabia.
Ele conhecia o modus operandi de Átila melhor do que qualquer um ali. Átila não fazia retiradas, ele executava desvios de curso magistrais e já tinha dado um a zero em mais de sete pessoas juntas.
Adon parou no centro do corredor, franziu o cenho, notando o silêncio excessivo que vinha das cabines de carvalho.
— Selene? Maju? — Adon chamou, sua voz grave ressoando pelas paredes.
As duas surgiram de um dos nichos laterais, carregando cabides com vestidos que nunca chegariam a ser provados. Selene parecia confusa, ajustando o cabelo que caíra sobre o rosto.
— Adon? O que você está fazendo aqui dentro? — ela perguntou, estranhando a invasão masculina. — Pensei que estivessem ocupados demais na outra loja.
Adon ignorou a pergunta, seus olhos fixos na porta da cabine VIP, aquela que Átila havia trancado momentos antes como se previsse alguma coisa.
— Onde está o Átila? — ele perguntou, direto e cortante. — Ele disse que vinha para cá comprar roupas, mas o carro dele não está mais onde ele disse que estaria.
Maju e Selene se entreolharam, piscando.
— Não chegamos a ver ele. — Maju comentou, apontando vagamente para os fundos onde mima e Gildete estavam agora. — Mas a loja é enorme, ele deve estar vendo os ternos de linho do outro lado.
Axel, que até então estava apenas observando, não conseguiu mais conter o riso. Ele soltou uma risada abafada, atraindo todos os olhares para si.
— O que foi agora, Axel? — Adon perguntou, a paciência por um fio.
— Ah, vocês são incríveis — Axel disse, balançando a cabeça e dando um passo à frente, parando ao lado de Adon. — Estão todos procurando pelo Átila como se ele fosse um fugitivo comum. Mas... vocês já repararam em quem mais não está neste lugar? Vocês ainda não procuraram pela Katleia.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, interrompido apenas pelo som distante do tráfego lá fora.
Adon ficou imóvel, a expressão petrificada enquanto a informação era processada por seu cérebro analítico. Selene soltou um som de surpresa, e Gildete, que acabara de entrar no corredor vinda da seção de calçados, deixou cair a sacola que carregava.
— Katleia? — Selene balbuciou, a voz subindo uma oitava. — Não... ela entrou no vestiário para provar um vestido. Ela está ali dentro. Ela nunca sairia e ninguém se aproximou dela... certo? Ou.... Não... ela não fugiria, nunca!
Adon não esperou. Ele caminhou até a porta da cabine VIP e bateu com força.
— Katleia? Átila? Abram essa porta.
Nenhuma resposta. Apenas o vácuo. Adon testou a maçaneta e, para sua surpresa, ela girou livremente.
Ele empurrou a porta com o ombro, revelando o interior da cabine.
O espetáculo que encontraram foi o testamento silencioso de uma fuga romântica e audaciosa. O vestido que Katleia usava anteriormente estava dobrado sobre o banco de veludo. No chão, apenas o cabide vazio da peça azul-meia-noite. E, no fundo da cabine, a porta de serviço que levava ao depósito estava entreaberta, balançando levemente como se tivesse acabado de ser usada.
— Vocês não viram isso? — Adon perguntou, voltando-se para as irmãs com um olhar de absoluto ceticismo. — Eles estavam aqui, sob o nariz de vocês, e simplesmente... evaporaram? O que dizem sobre isso?
— Não é possível que depois do que aconteceu pela manhã, atila se atreveu a levar Katleia, sera que ele sequestrou ela por vngança? Kat... — Selene choramingou enquanto Maju e Mima observavam cumnplices lado a lado sem se abalar, mas do que todos elas já sabiam bem da paixão de Katleia.
Antes que qualquer um pudesse responder, uma figura em vermelho irrompeu no corredor. Rose, que estava escondida atrás de uma coluna observando a movimentação, não aguentou mais o suspense.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!