Cap.74
POv Katleia.
— Eu... acho que passei dos limites.
— você acha? — ele perguntou com um dos joelhos ainda apoiado na cama me encarando após ter feito aquele gesto, a sensação do toque dele ainda estava aqui.
Eu continuei deitada sobre o edredom de seda, meu corpo parecendo pesado e, ao mesmo tempo, flutuante.
Minha respiração era um ruído áspero no silêncio da suíte, um rastro da corrida que meu coração dera para escapar do toque dele.
Eu me encolhi, tentando encontrar segurança no tecido frio do lençol que eu puxara apressadamente, mas antes que eu pudesse me afastar completamente para o centro da cama king-size, senti uma mão firme e implacável se fechar em volta do meu tornozelo.
O toque de Átila era como uma algema de veludo e aço.
Eu travei, o pânico subindo pela minha garganta enquanto eu o encarava. Ele não se moveu, continuou ajoelhado na beira da cama com apenas uma das mãos abriu facilmente a sua camisa branca que agora estava totalmente aberta, o peito subindo e descendo em um ritmo perigosamente controlado.
— Aonde você vai? — ele perguntou, sua voz vibrando em um tom que me fez estremecer até a medula. Ele me olhou nos olhos, uma análise profunda que parecia ler cada trauma e cada desejo escondido nas minhas camadas. — Você quer continuar ou quer que eu pare agora?
Minha mente era um redemoinho. Eu queria fugir daquela intensidade que me despia mais do que a falta de roupas, mas, ao mesmo tempo, meu corpo implorava para que ele não soltasse o meu pé.
— Eu... eu não sei de verdade o que eu quero — confessei, minha voz saindo em um sussurro quebrado. Olhei para a mesinha de cabeceira, para a taça que ele abandonara. — Eu preciso beber algo. Me deixa beber... talvez assim eu relaxe.
Átila negou com a cabeça, um sorriso quase imperceptível surgindo no canto dos lábios. Ele puxou meu pé suavemente, forçando meu corpo a deslizar um pouco mais para perto dele.
— Não é assim que as coisas funcionam aqui, Katleia. Se você beber, você se esconde atrás de uma névoa. Se você estiver bêbada, eu não vou poder encostar em você. Terei que me controlar, terei que ser o seu guardião novamente, e eu não vim aqui para ser apenas o seu protetor esta noite. Agora que me provocou. Quero que você sinta cada milímetro do que eu vou fazer.
Ele inclinou o rosto, aproximando-se do meu joelho.
— Você não está curiosa com nada? — ele provocou.
Eu apertei os olhos, os batimentos cardíacos martelando nos meus ouvidos. A lembrança do dia anterior, das palavras que ele sussurrara no apartamento, voltou com força total.
— Ontem... — comecei, as palavras saindo com dificuldade. — O que você queria dizer com aquilo? O que eu teria que fazer ou... o que você faria se eu deixasse?
O sorriso que brotou em Átila foi algo que nunca imaginei ver. Foi genuíno, lindo e devastadoramente sedutor. Ele parecia brilhar sob a luz âmbar da suíte.
— Você é levadinha mesmo, não é? — ele murmurou, o polegar acariciando a pele sensível do meu tornozelo. — Mas você quer mesmo descobrir? Tem certeza de que aguenta a minha resposta?
— Eu não sou mais criança, Átila — rebati, tentando recuperar uma dignidade que estava se esvaindo. — E muito menos pura. Eu... eu acho que consigo.
Átila soltou uma risada baixa, um som que pareceu vibrar dentro da minha pele.
— Ah, Katleia... comigo, eu tenho certeza de que você consegue. Eu sempre tive a certeza de que você consegue tudo, desde que seja eu quem te conduza.
Eu o observei em silêncio. Era verdade. Com qualquer outro homem, a proximidade física, o cheiro de desejo e a vulnerabilidade da nudez teriam me feito ter um ataque de pânico, na verdade... ate mesmo não gosto da presença dos homens que estão na casa ponte, mesmo que sejam de confiança. Meus traumas do passado eram como correntes pesadas que me puxavam para o fundo de um mar escuro.
Mas com Átila... as correntes pareciam de papel. Ele não era apenas um homem me desejando, ele era como se fosse minha cura. ele trazia uma segurança magnética, como se o toque dele estivesse reescrevendo a história do meu corpo e eu queria provar tudo.
— O que acha disso? — ele perguntou, interrompendo meus pensamentos. — O que acha da minha descoberta sobre você? Você gosta de seu novo tratamento?
Fiquei confusa, piscando os olhos enquanto tentava processar a pergunta.
— Isso... tudo isso que você fez na loja, no restaurante, agora... é algum tipo de tratamento? — perguntei, uma pontada de incerteza me atingindo. — Você está me analisando?
Átila subiu na cama, ficando de joelhos sobre o edredom, pairando sobre minhas pernas.
— Eu estou realizando o seu desejo, Katleia. Mas estou fazendo isso porque eu te quero para mim, de verdade. Você não disse que queria melhorar para conseguir se relacionar com alguém? Bem, você está se relacionando agora. O que acha da experiência?
— como assim?
— ok... não pensou que eu não obteria nenhum resultado com as hipnoses certo?
A ficha caiu. Átila, com sua mente brilhante e manipuladora, estivera trabalhando meus gatilhos desde o primeiro encontro na mansão. Ele me deixara confortável de propósito, ele me dera o controle para depois me mostrar que eu podia me entregar a ele sem fantasmas.
— Eu te curei para mim — ele sussurrou, a voz carregada de uma possessividade que deveria me assustar, mas que apenas me aqueceu. — Mas entenda, essa cura é apenas comigo. Só eu sei onde tocar, só eu sei o ritmo do seu medo. Você está frustrada por saber disso?
Eu poderia estar frustrada? Não consigo... porque sei que para me livrar desse trauma precisaria de pelo menos alguns anos de tratamento, ele só me fez me sentir confortável com ele, porque eu só quero lidar com ele, desde o inicio ele foi o primeiro homem por quem me interessei, então... ele me deu algo que eu queria, me aproximar dele sem medo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!