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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 268

Cap.75

A Profanação do Templo de Seda

Pov Katleia.

O ar na suíte real havia se tornado algo sólido, uma mistura de oxigênio, desejo e o cheiro inebriante da pele de Átila.

Eu estava em um estado de transe sensorial, onde o mundo além daquelas quatro paredes de mármore e vidro simplesmente deixara de existi enquanto .

O prazer que ele me proporcionara segundos antes ainda reverberava em minhas coxas, um eco quente e pulsante que me deixava vulnerável e, pela primeira vez na vida, faminta por mais.

Átila se moveu sobre mim com uma urgência que eu nunca imaginei que seu autocontrole permitiria.

Ele segurou as abas da camisa branca, já aberta, e a arrancou dos ombros com um movimento brusco, jogando-a em algum lugar no chão.

Ver o torso dele nu, sob a luz âmbar, foi como testemunhar uma força da natureza.

Os músculos eram definidos, mas não exagerados, cada linha de seu corpo parecia esculpida para o combate ou para a sedução, ele estendeu minhas mãos encostando em seu abdômen e entendi a mão timidamente com o olhar perdido em seus músculos, mas hesitei em o tocar.

— não precisa de timidez... o que você conseguir ver, te pertence, assim como você, ok?

Ele se posicionou entre as minhas pernas, seus joelhos forçando um espaço que eu cedi sem hesitar, ainda assim enrubeci quando seu olhar desceu sobre meu corpo, céus... só de pensar que eu estava sem nada...

Suas mãos, ainda grandes e firmes, encontraram o meu rosto, obrigando-me a encará-lo. Os olhos dele, geralmente de um cinza analítico e frio, agora eram dois poços de escuridão vulcânica.

— Eu não vou aguentar mais, Katleia — ele sussurrou contra meus lábios, sua voz saindo como um rosnado quebrado. — Se eu não parar agora, eu vou te marcar de um jeito que você nunca mais vai conseguir pertencer a ninguém além de mim. Você entende isso?

— Sim... — respondi, puxando-o para baixo pela nuca, sentindo o calor do seu peito contra o meu. — eu não me oponho.

Ele levou as mãos ao cinto, a respiração pesada, os dedos ágeis começando a desfazer a última barreira que nos separava, eu conseguia ver claramente seu membro forçando o tecido.

A tensão sexual atingira o ápice absoluto , o momento em que a alma se entrega ao corpo.

E então, o som cortou o silêncio como uma lâmina de gelo.

Ding-dong.

O som da campainha da suíte foi uma profanação. Átila parou instantaneamente, seu corpo ficando rígido sobre o meu. Eu prendi a respiração, meu coração dando um salto de susto.

— Ignore... — ele sussurrou. — Daqui a pouco vai embora, deve ser serviço de quarto.

Ele disse se inclinando sobre mim, me beijando e de novo com mais insistência.

Ding-dong. Ding-dong. Ding-dong.

A campainha não apenas tocou, ela insistiu, persistente, rítmica e agressiva. Quem quer que estivesse do outro lado daquela porta não estava apenas chamando, estava exigindo entrada.

]O momento de magia esvaziou-se como um balão atingido por um espinho. O frio da realidade invadiu o quarto, substituindo o calor do desejo.

— Maldição... — Átila praguejou, fechando os olhos e encostando a testa no meu ombro por um segundo, tentando recuperar o fôlego e o controle que haviam sido estilhaçados.

Ele se levantou da cama com uma lentidão dolorosa, a frustração emanando dele em ondas quase visíveis.

Eu me senti subitamente nua e exposta. Levantei-me rapidamente, minhas pernas ainda tremendo, e vesti o vestido azul-meia-noite de qualquer jeito, sentindo a seda agora fria contra a pele que ardia.

— Vá para o outro cômodo — Átila ordenou, sua voz voltando àquele tom de comando seco, enquanto ele pegava a camisa no chão e começava a abotoá-la com dedos impacientes. — Agora, Katleia.

Eu não discuti. Caminhei para a sala de estar adjacente, mas não consegui ir para longe. Parei atrás de uma pilastra revestida de espelho, em uma posição onde eu podia observar a entrada sem ser vista por quem entrasse. Minha respiração ainda estava descompassada.

Átila parecia prestes a explodir. Eu o via cerrar os punhos, a mandíbula tão tensa que os músculos saltavam em seu rosto.

— Onde está o seu pai agora, Rose? — ele perguntou, sua voz perigosamente calma.

— O Embaixador está no restaurante inferior. Ele está esperando por você para uma conversa amigável sobre os prazos do anúncio oficial do noivado. Ele não gostou nada da cena que eu descrevi no shopping.

Átila não respondeu. Ele deu as costas a ela e caminhou em direção ao banheiro da suíte. Ouvi o som da água da torneira correndo.

Imaginei-o lavando o rosto, tentando lavar a frustração e a fúria para colocar a máscara de herdeiro dos Felix novamente.

Quando ele voltou, passou por Rose sem sequer olhá-la. Ele emanava um desprezo tão denso que era quase físico. Ele pegou o paletó que estava sobre uma poltrona e caminhou em direção à porta de saída.

Rose o encarou por cima dos ombros, um olhar de posse e vitória, mas não o seguiu. Ela ficou parada no meio da suíte, observando a porta se fechar atrás dele.

O silêncio que se seguiu foi aterrador.

Eu continuei escondida atrás da pilastra, meu coração parecendo um pássaro preso em uma gaiola de ferro.

Eu esperava que Rose saísse logo em seguida, mas ela não se moveu. Ela pegou a taça de vinho de Átila, levou-a aos lábios e tomou o restante do líquido com uma calma deliberada.

— Eu sei que você está aí escondida — Rose disse subitamente. Sua voz não era alta, mas cortou o silêncio da sala com uma precisão cirúrgica. — Você já viu tudo, não viu? Já ouviu o suficiente para entender que você é apenas um passatempo para ele.

Eu travei. O frio subiu pelos meus pés.

— Por que não sai desse esconderijo e faz as perguntas que estão queimando na sua língua, Katleia? — Rose continuou, virando-se lentamente na direção da pilastra onde eu estava. — Vamos... seja uma boa menina. Venha encarar a realidade do mundo ao qual o Átila realmente pertence.

Meus dedos apertaram o mármore da pilastra. A tensão sexual e a expectativa de minutos atrás haviam se transformado em um pesadelo de confrontação.

Eu estava encurralada, com o gosto do beijo de Átila ainda nos lábios e a voz da sua noiva oficial me chamando para o abismo.

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