Cap.81
(POv. Katleia)
Eu nunca soube que o corpo humano era capaz de suportar tanta voltagem sem entrar em combustão.
Minha respiração era um som estrangeiro aos meus ouvidos, um chiado áspero de alguém que acabara de correr uma maratona através de um campo de chamas.
Eu ainda estava ali, inclinada sobre a frieza implacável da pia de mármore, sentindo cada músculo das minhas costas e pernas protestar. O mármore roubava o calor da minha pele, mas por dentro, eu era puro magma.
Minha mente tentava processar o que acabara de acontecer, mas a lógica fora varrida pela intensidade de Átila. Eu sentia uma dor, uma dor nova, profunda, localizada onde ele me invadira com tanta força, mas era uma dor boa. Uma dor que servia como prova de que eu estava viva, de que eu pertencia a alguém que me desejava com uma fúria que nem eu compreenderia.
Átila não me deu descanso. Eu sentia o membro dele, ainda impossivelmente duro e quente, roçando na minha região íntima, um lembrete pulsante de que a fome dele estava longe de ser aplacada.
— Átila... — meu sussurro foi abafado pelo som da água que ainda corria no box, uma música de fundo para a nossa profanação, ele só tinha esperado eu respirar um pouco.
Ele me segurou com firmeza, suas mãos grandes moldando meu traseiro com uma possessividade que me fez arquear as costas quando sentir seu membro entrando mesmo que devagar, era tortuoso e gostoso, mas já estava no limite.
Eu me segurei na borda da pia, meus dedos brancos de tanto apertar a cerâmica fria. Meus olhos se fecharam com força, cada músculo do meu corpo se comprimindo em antecipação.
A cada vez que seu corpo tombava no meu eu sentia o impulso para frente e meus limites se esvaindo.
Eu sentia que, a qualquer momento, minhas pernas simplesmente deixariam de me sustentar.
Levei uma das minhas mãos para trás, tateando até encontrar o quadril dele, uma tentativa instintiva de me ancorar ou talvez de empurrá-lo para mais perto, eu já não sabia, nem sei quantos minutos mais durou entre estocadas, carinhos, estímulos e beijos.
Mas eu não tinha forças. Átila era implacável. Ele se movia contra mim com uma cadência que alternava entre a luxúria bruta e uma ternura sombria que me deixava em transe.
De repente, o ritmo dele mudou. Senti a tensão dele atingir o ápice. Ele se afastou bruscamente, tirando-se de dentro de mim com uma rapidez que me deixou com uma sensação devastadora de vazio.
O frio do ar condicionado do quarto, que começava a vazar para o banheiro, pareceu me golpear por dentro.
Eu estava tonta, o cabelo colado na testa pelo suor e pela água do banho. Levantei a cabeça lentamente, meus olhos encontrando o reflexo dele pelo espelho embaçado. Átila estava logo atrás de mim, os olhos fixos na própria mão enquanto terminava o que a droga e a paixão começaram, ele fazia movimentos frenéticos se masturbando apertando os olhos com a face erguida e lábios deliciosamente formando um O enquanto ele estava prestes a explodir.
Vi, através da névoa do espelho, o líquido espesso escapar dele como uma torneira aberta, uma liberação intensa ele se derramou ali no chão do banheiro.
Ele soltou um suspiro pesado, os ombros finalmente relaxando. Por um momento, o silêncio no banheiro foi absoluto, quebrado apenas pelo gotejar da água. Átila sorriu, um sorriso genuíno, mas marcado pelo cansaço, e se aproximou. Ele me envolveu em um abraço por trás, beijando a curva do meu pescoço e depois minha bochecha.
— Katleia... — ele murmurou, a voz rouca e ainda instável. — Eu esqueci o preservativo. Aquele maldito remédio... tirou minha capacidade de raciocinar. Isso poderia acabar te engravidando. Nunca tinha tido uma foda tão louca!
Minha mente ficou nublada. A palavra "engravidando" flutuou no ar como uma borboleta pesada, mas eu não conseguia sentir medo. Eu estava em um estado de choque prazeroso, uma letargia que tornava tudo o que não fosse o toque dele irrelevante.
— Foi bom, Átila — eu disse, e dessa vez não havia dúvida na minha voz. — Foi mais do que bom. Foi... real. Pela primeira vez na vida, eu não senti que o meu corpo era uma prisão. Eu senti que ele era meu, e que ele era seu. Não peça desculpas por me fazer sentir viva.
Ele sorriu tristemente e encostou o nariz no meu.
— Você é inexperiente demais para carregar tanta intensidade, Katleia. Mas, de algum jeito, você domou o monstro hoje.
Eu fechei os olhos, sentindo o ritmo constante do coração dele contra o meu. A dor no meu corpo era real, uma fisgada nos quadris, uma ardência na pele, mas era um "dorriso", uma dor que trazia um sorriso interno. Era o preço de ter atravessado o fogo e saído do outro lado inteira.
— Eu fiquei chateada quando ela disse que você nunca me amaria — murmurei, o cansaço finalmente começando a me vencer.
— Ninguem sabe nada sobre o que acontece dentro de mim — Átila respondeu, sua voz tornando-se gélida por um momento ao mencionar a outra, antes de suavizar novamente para mim. — Ela vê contratos. Eu vejo você. E agora, depois desta noite... o contrato dela não passa de cinzas. Eu vou resolver tudo, Katleia. Eu prometo.
Ele continuou a acariciar meu cabelo, um movimento rítmico e hipnótico que me empurrava para o sono.
Eu me senti segura, protegida pela mesma força que, minutos antes, quase me destruíra de prazer. Ali, naquele ninho de lençóis e promessas, eu soube que não importava o que o amanhã trouxesse, se haveria um escândalo, se haveria um filho, ou se haveria uma guerra.
Eu tinha o amor de Átila. E isso era o suficiente para me manter voando, mesmo que minhas asas ainda estivessem um pouco chamuscadas pelo fogo da nossa união.
ok meninas, fechando o arco do relacionamento de Katleia e Atila, e agora que as coisas começam a desenrolar e a mãe aparece, Alex entra em cena também, o padrasto de Katleia começa a dar sinais de que vai aparecer, o que será que nos espera no próximo arco de descobertas? como será que Átila vai reagir quando descobrir que ele é uma das pessoas que reacendeu os traumas de Katleia? e qual será o destino deles quando a verdade vir a tona para Katleia, aguardo vocês, abraços.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!