Cap.90
POv atila
Seu predador também era eu.
Eu continuei lendo as linhas sem nem conseguir respirar, era coincidência demais e quanto mais lia, mais parecia obvio e menos crente eu estava do que estava lendo.
"Ele a prensou contra o mármore frio, as mãos grandes mapeando cada curva de sua resistência que, em segundos, transformou-se em entrega..."
Eu li a frase três vezes. Senti o gosto do suor dela na minha boca apenas por ler aquela descrição. Respirei fundo, tentando manter o oxigênio chegando aos pulmões, mas o ar parecia ter se transformado em chumbo.
— Como... como parece que essa cena é inspirada em mim e na minha tigresa? — murmurei para o vidro escuro do carro, a voz mal saindo da garganta.
Continuei lendo. Devorei mais cinco, dez páginas. O estilo era impecável, mas os detalhes... os detalhes eram condenatórios.
A forma como o personagem interagiam, o modo como ele sussurrava promessas, a reação dela, Era a nossa noite no hotel. Estava tudo ali, destilado em literatura de alta classe, exposto para quem quisesse ler, mesmo que em outros personagens maquiando a situação em algo novo, so um tolo não assimilaria.
Travei. O celular quase escorregou dos meus dedos suados.
— Não pode ser coincidência — pensei, sentindo uma pontada aguda na têmpora. — Selene... ela foi ate os bertans pedi ajuda a eles judicialmente e levou katleia, sempre falavam que Katleia estava passando por algum tipo de perseguição, mas... isso não pode se tratar de mim, certo? Não...
Senti um calafrio percorrer minha espinha, algo que eu não sentia a muito tempo.
— Será que ela é a Kat... Kat... Katleia? — O nome dela parecia pesado demais na minha mente. — Como? Mas que porra! Por que eu não assimilei isso antes? O nome, o estilo de fala, a obsessão dela por cadernos e pelo notebook...
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo.
— Calma, Átila. Não pode ser. De jeito nenhum. Ela é uma menina quebrada, assustada... ela não teria coragem de publicar a nossa intimidade assim. Não pode ser ela, isso não... ela não parece ser escritora... não pode ser.
Abri um sorriso nervoso, sem jeito, uma reação histérica que eu não conseguia controlar.
Era uma mistura de orgulho doentio para acreditar que a autora que passei meses odiando e criando uma obra tão pessoal e familiar e agora um terror absoluto pelas implicações de quem realmente poderia ser essa mulher..
— Átila? — A voz de Adon cortou meu transe. Ele me encarava pelo retrovisor, a testa franzida. — Que cara é essa? Você está rindo ou tendo um derrame? O que há de errado?
— Não é nada, Adon. Fica na tua — respondi rápido, a voz ríspida para esconder o tremor.
Nesse exato momento, o celular vibrou com uma notificação de mensagem criptografada. O remetente era um canal seguro dos Bertans.
"Reunião às 14:00. Base Principal. Não se atrase, Segundo Corvo.
O pânico finalmente se instalou, gelado e implacável. Senti meu estômago dar um nó.
— Não, não, não... não pode ser ela — pensei, a mente disparando para a noite no hotel, para a fragilidade dela, para o modo como ela se aninhou em mim no final. — Eu não aceito que eu fiz isso com ela. Eu não posso ter colocado a vida dela em risco desse jeito.
— Átila, você está pálido. O que aqueles caras te disseram na praça? — Adon insistiu, agora realmente preocupado, diminuindo a velocidade do carro.
Eu apenas respirei fundo, guardando o celular no bolso com movimentos mecânicos.
Eu precisava de tempo. Precisava processar que a menina que eu protegia era a mulher que eu atormentei e disse coisas infundaveis, e... droga... William tinha investigado e descobriu que ela tinha, na verdade dezenove anos.
— Não é nada, Adon — repeti, forçando uma calma que eu não possuía. — Só me deixa na mansão, preciso resolver umas coisas urgentes.
Até que tentei a última gaveta da escrivaninha. Travada.
Puxei com força, mas a fechadura era resistente. Procurei a chave por todo o quarto, embaixo do colchão, atrás dos quadros, dentro dos sapatos. Nada. Ela não deixava rastros.
— Katleia... — me encostei na parede, escorregando até o chão, ofegante.
O peso da realidade começou a me esmagar. Se ela fosse realmente a autora, eu estava diante do maior desastre da minha vida.
Ela estava apaixonada por mim. Eu a salvei de Rose, a tirei do inferno e me tornei o porto seguro dela... e, ao mesmo tempo, eu era o homem que tentou destruir o sonho dela online?
Eu sabia que isso era imperdoável. Se ela descobrisse que o homem que a beija e a protege é o mesmo que... pode ter desencadeado novos traumas e medos, eu a perderia para sempre.
O salvador se revelaria o carrasco. E o pior, se os Bertans estavam envolvidos, o processo dela não era apenas burocracia. Era uma sentença de morte para a minha reputação dentro do Corvo e do grupo Felix.
— Por que você tinha que ser tão brilhante? — gemi, cobrindo o rosto com as mãos.
A ironia era amarga: eu me envolvi por ela justamente quando comecei a respeitar a força daquela escrita, sem saber que estava me apaixonando pela minha própria vítima. Agora, eu tinha uma reunião às duas da tarde com os homens mais perigosos de Monselha, e isso nem estava me assustando.
— Atila, não encontro alex! Onde esta Katleia? — adon perguntou entrando as pressas.
— Já tentou ligar para ele? Kateia não esta aqui, eu avisei a ele para não fazer nada com ela! — rosnei sentindo o peito apertar com uma sensação que ia além do que estava acontecendo.
— Porra! Alex não fez nenhuma besteira, certo?
— O don não provocaria a própria filha, relaxa, Selene ainda é a prioridade dele, pode ser que ele tenha saído com katleia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!