Cap. 96: O Tigre em Minha Jaula
POv atila.
A comitiva era um exército. Selene à frente como general, Adon como seu braço armado, Gildete e Mima como tenentes, e Maju como a soldada que não queria deixar o campo de batalha. Katleia foi colocada no carro com a delicadeza de quem transporta um cristal prestes a se quebrar.
A viagem foi silenciosa e parecia que era mais uma escolta, assim que chegamos eu deixei que eles mesmo fizessem tudo, escolhesse o lugar, invadisse meu espaço, e Eu observei de longe, recostado na porta da cozinha, os braços cruzados, o rosto neutro.
Por dentro, eu era um vulcão.
Ela estava na minha casa. Minha casa. Meu território. E seria na Minha cama, não, ela ficaria no sofá. Ou no quarto de hóspedes.
Ou em qualquer lugar que não fosse minha cama, porque se ela pusesse os pés onde eu durmo, eu não seria responsável pelos meus pensamentos e atos nem um pouco.
Adon anunciou como um general em campo de batalha:
— Ela precisa descansar. Nada de esforço. Nada de estresse. Nada de...
— Eu não tenho minha vida, certo? Vocês todos aqui e ninguém mais quer se disponibilizar?
Ele apontou o dedo para mim, e eu quase vi faíscas saindo da ponta do indicador.
— O vagabundo aqui é você. Cuide dela. E não deixe que ela faça nada que exija qualquer esforço. Se ela precisar de algo, você faz. Se ela quiser algo, você busca. Se ela...
— Eu sei cuidar do que é meu, estava apenas brincando, vocês apenas me entregaram de bandeja o que eu estava querendo pegar na briga. — interrompi, a voz saindo mais seca do que pretendia.
O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Até Adon, que nunca ficava sem palavras, pareceu surpreso com a propriedade na minha declaração.
Selene arqueou uma sobrancelha, Gildete pigarreou, Mima sorriu com um ar de quem sabia de coisas, e Maju apenas olhou de mim para Katleia, os olhos brilhando como se estivesse assistindo a um filme romântico.
— Tudo bem — Selene disse, finalmente, puxando Adon pelo braço. — Vamos. Deixa os dois.
Eles saíram em fila, um após o outro, até que o apartamento ficou em silêncio. Apenas eu, Katleia deitada no sofá com os pés enfaixados, e o som do meu coração batendo tão alto que ela certamente ouviria.
Ela me encarava com aqueles olhos castanhos que pareciam ler minha alma. Havia desconfiança neles. Um pequeno ressentimento também.
— Parece que eles me trouxeram contra sua vontade — ela disse, a voz ainda fraca, mas com um fio de provocação. — Não é?
Sorri. Um sorriso que eu nem sabia que estava dando. Aproximei-me do sofá, sentei na borda, e a observei por um momento. Seu rosto ainda estava pálido, os lábios entreabertos, os cabelos loiros espalhados sobre o travesseiro. Ela parecia um anjo caído. Meu anjo caído.
— Está sonhando? — respondi, a voz mais suave do que eu permitiria em qualquer outra circunstância. — Tudo o que eu queria era meu pequeno tigre comigo.
Ela franziu o nariz.
— Tigre?
— Você ruge quando está brava. E arranha. Ainda tenho as marcas na consciência.
Ela riu — um som baixo, cansado, mas genuíno, e algo dentro de mim se aqueceu.
— Vou ficar com você alguns dias — continuei, estendendo a mão para tocar seu cabelo, os fios macios escorrendo entre meus dedos. — Vou cuidar de você e depois se quiser, pode continuar aqui comigo.
— Mas eu não posso me levantar — ela protestou, os olhos percorrendo o próprio corpo imobilizado. — Não posso te ajudar em nada.
— E quem disse que você precisa?
Ela me olhou, confusa. Eu a encarei de volta, deixando que ela visse o que eu raramente mostrava, a verdade nua e crua do que sentia.
— Apenas fique aqui. E... — hesitei, as palavras pesando na língua. — Eu posso cuidar de você. O que acha? Eu quero fazer isso. — vou fazer tudo que você precisa. — disse deslizando minha mão de sua panturrilha até seu joelho acariciando-a.
— Aqui estou segura? — ela perguntou, e havia uma vulnerabilidade na pergunta que partiu algo dentro de mim.
— Aqui você está mais segura do que em qualquer lugar — respondi. — Não vou deixar ninguém te machucar. Nem o seu passado. Nem seus medos. Nem ninguém.
— Você não tem que sair? Trabalhar? Resolver coisas da... — ela fez uma pausa, buscando a palavra — ...da família?
Balancei a cabeça, sentindo um sorriso crescer em meus lábios.
— Não. Não vou a lugar algum. Agora que tenho a oportunidade de ficar com você, não vou desperdiçá-la, se Adon já foi um vadio quando estava atrás de Selene, porque então eu não posso ser o vagabundo que ele diz, eu não me importo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!