Cap.99
O retorno foi mais silencioso. O exercício de sair de casa a deixou exausta, e a dor no pé começou a incomodar seriamente. Assim que entramos, ela olhou para mim com uma expressão suplicante.
— Eu preciso de um banho, Átila. Por favor… não sei como você me fez suar estando sendo carregada.
— Tudo bem. Mas não podemos molhar esses curativos nem as bandagens do braço. A única maneira segura é… — olhei para a suíte principal — você sentada na pia.
Ela empalideceu.
— Na pia?
— É a superfície mais alta e estável. Já fizemos isso antes, mas dessa vez… vai ser um pouco mais íntimo. Eu vou te ajudar. Você vai ter que tirar toda a roupa.
O silêncio que caiu foi pesado. O rosto de Katleia passou de pálido para um vermelho intenso em segundos.
— Toda? — a voz dela saiu quase inaudível.
— Toda. Os curativos estão sujos, preciso trocar. E você merece um banho de verdade. Deixa eu cuidar de você.
— Átila… você acha que eu sou algum tipo de bebê? — tentou soar indignada, mas a vergonha transbordava na voz trêmula.
— Você definitivamente não é um bebê. Você é minha mulher. Mas se quiser que eu te trate como uma, aviso que não tenho talco em casa.
Ela ficou ainda mais constrangida. Num impulso, ergueu a mão para bater no meu peito, mas o movimento brusco fez o braço ferido protestar.
— Ai! — gemeu, encolhendo-se.
Segurei sua mão imediatamente, toda a brincadeira desaparecendo do meu rosto.
— Está bem? — perguntei, a voz baixa e protetora. — Viu? Você mal consegue se mexer sem sentir dor. Deixa eu cuidar disso. Fecha os olhos se precisar. Vou usar só um pano morno… não vou me aproveitar de você. Por mais que eu queira… não sou esse tipo de homem. Não com você assim.
Ela me encarou por longos segundos, procurando qualquer sinal de malícia. Não encontrou. Só viu um homem desesperado para ser útil. Por fim, assentiu, derrotada.
Levei-a até o banheiro e a sentei com cuidado na bancada de mármore negro da pia. A pedra fria contrastava com a pele quente dela. Com as mãos firmes, mas o coração acelerado, comecei a desabotoar sua camisa devagar.
Cada botão que se abria revelava mais pele. Quando tirei a camisa completamente, ela cruzou o braço bom sobre o peito, tentando se cobrir, mesmo ainda de sutiã e calcinha. O constrangimento dela era palpável.
— Átila… isso é tão vergonhoso — murmurou, voz baixa e embargada.
— Pra mim você é linda. Sempre foi. Agora relaxa, além disso eu já vi isso tudo, agora nem deveria haver mais vergonha, não acha?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!