Cap.101
O Limite
POv atila.
Cinco dias. Vivendo em uma bolha de oxigênio dentro de uma cidade poluída. Katleia já não era mais a boneca de porcelana estilhaçada que eu carreguei do hospital, ela agora caminhava pelo apartamento com uma leveza recuperada, embora ainda houvesse uma hesitação em seu passo que me fazia querer colocar tapetes de veludo por todo o chão.
Eu havia bloqueado a porta para o mundo exterior. Meus irmãos tentaram entrar, Selene tentou exigir visitas, mas eu fui irredutível. Este era o meu bunker. O meu tempo de pagar a dívida, a única coisa que entrou foi o laptop dela, já que era seu passa tempo principal.
— Sim, Selene, eu estou viva. Juro — ouvi a voz de Katleia vindo da sala. Ela estava ao telefone, sentada com os pés para cima, enquanto eu, na cozinha, travava uma guerra particular com um pacote de farinha e três ovos.
— Se ele fizer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, você me avisa — a voz de Selene saía alta o suficiente do celular para eu ouvir daqui. — Eu juro que vou aí e acabo com a raça dele, Átila que se dane.
Katleia riu, e o som vibrou nas minhas costelas.
— Ele está cuidando de mim, sisi. De verdade, ele tem até cozinhado para mim.
Sorri para a bancada, ignorando a bagunça ao meu redor. Eu tinha passado a madrugada inteira assistindo tutoriais de macarrão caseiro. Se eu conseguia desmontar e montar um rifle de precisão no escuro, fazer um fettuccine não deveria ser tão difícil assim.
Estava concentrado, testa franzida, dedos sujos de farinha, quando senti. Dois braços finos e quentes envolveram minha cintura por trás.
O corpo de Katleia se colou nas minhas costas, e o rosto dela pressionou-se bem no meio das minhas escápulas, como se eu fosse o lugar mais seguro do mundo.
Fiquei parado por um segundo, o coração dando um salto estranho no peito. O calor dela atravessava a camisa fina, derretendo cada parede que eu tinha construído ao longo dos anos. Sem nem perceber, comecei a cantarolar baixinho uma melodia antiga que minha mãe cantava na cozinha quando eu era criança — uma música que eu nem sabia que ainda guardava na memória.
Senti Katleia sorrir contra minhas costas. Ela não disse nada no começo, só ficou ali, abraçada apertado, respirando calmamente contra mim.
Era tão doce, tão confiante, que chegava a doer. e parecia feliz em fazer isso.
— O jantar vai sair ou você vai ficar namorando a farinha? — perguntou ela, a voz abafada e cheia de carinho, ainda colada em mim.
Dei uma risadinha baixa e me virei devagar dentro do abraço, sem quebrá-lo. Agora estávamos de frente um para o outro. Katleia ergueu o rosto, os olhos brilhando de diversão ao ver a mancha branca de farinha na ponta do meu nariz.
— Olha só pra você… — ela murmurou, ainda rindo baixinho. Esticou a mão boa e, com o dedo indicador, limpou a farinha do meu nariz com uma delicadeza que me desarmou completamente. — Todo sujo de farinha, parecendo um menino grande fazendo bagunça na cozinha.
Segurei a mão dela com cuidado antes que ela a baixasse, e levei seus dedos até meus lábios, depositando um beijo leve em cada um deles.
— Se você continuar me abraçando assim, eu vou queimar o macarrão e nem vou me importar — falei baixinho, encostando minha testa na dela. — Mas vale a pena. Vale cada segundo.
Ela corou levemente, mas não se afastou. Pelo contrário, se aninhou mais contra o meu peito, os braços apertando minha cintura com mais força.
Passei os braços ao redor dela com cuidado, tomando cuidado com o braço ferido, e a puxei mais para perto, enterrando o rosto no topo da cabeça dela. O cheiro do shampoo dela misturado com o cheiro de casa me encheu por inteiro.
— Eu cozinho pra você todos os dias, se você quiser — murmurei contra os cabelos dela. — E te abraço depois. E canto música antiga que nem sei de onde vem.
Katleia soltou uma risadinha abafada contra o meu peito e me apertou mais forte.
Eu sorri, inclinei o rosto e capturei os lábios dela num beijo lento, doce e cheio de farinha, calor e tudo o que eu nunca soube que precisava.
Comemos no sofá, dividindo o mesmo prato em meio a risadas sobre a textura "exótica" da minha massa caseira.
Estava nublado lá fora, e logo os primeiros pingos de chuva começaram a açoitar as vidraças, criando uma barreira sonora entre nós e o resto de Monselha.
Colocamos um filme antigo, um daqueles romances em preto e branco que eu normalmente acharia insuportáveis. Mas com ela ali, encolhida contra mim no sofá, tudo fazia sentido. A luz prateada da tela dançava no rosto dela, iluminando o brilho suave do anel de pedra vermelha no seu dedo, o mesmo anel que eu tinha colocado ali dias antes, jurando em silêncio que nunca mais a deixaria escapar.
Eu me deitei de costas no sofá largo, puxando Katleia com cuidado para cima de mim, ela ficou surpresa com o gesto, mas não protestou.
Ela se acomodou de bruços sobre o meu peito, o corpo encaixando perfeitamente entre as minhas pernas abertas.
Apoiei uma mão na curva das costas dela, a outra descendo devagar pela coluna, sentindo o calor da pele por baixo da camiseta fina que ela usava.
A luz do filme tremulava no rosto dela enquanto me observava. Eu sorri, traçando o contorno do seu queixo com o polegar.
— Não vai assistir? — murmurei, a voz baixa. — Ou vai mesmo ficar me encarando.
Ela não desviou o olhar. Um sorrisinho lento e travesso surgiu nos lábios dela.
— Você é a melhor atração da sala, Átila.
Meu peito apertou de um jeito doce e feroz ao mesmo tempo. Segurei o rosto dela com as duas mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto macias e quentes e encaixei meus lábios ao dela prendendo a respiração ao sentir a pressão dela em meus ombros.
O beijo começou lento, quase exploratório, como se estivéssemos redescobrindo o sabor um do outro em terra firme. Minhas mãos, que tantas vezes se fecharam em punhos, agora emolduravam o rosto dela com uma delicadeza desesperada. Eu a segurava como se ela fosse feita de fumaça e pudesse desaparecer se eu aplicasse pressão demais.
Quando nos afastamos, nossas respirações estavam curtas, misturando-se no ar quente entre nós. Meu corpo reagiu instantaneamente, meu membro latejava, duro e dolorido contra a barriga dela. Katleia sentiu a pressão quente pressionando sua pele e soltou um suspiro trêmulo, os olhos escurecendo.
— Você é minha, Katleia… — sussurrei contra os lábios inchados dela, a voz grave e possessiva. — Toda minha.
Ela gemeu meu nome como resposta, puxando-me ainda mais para perto.
Eu me afastei apenas o suficiente para sentir o ar frio entre nossos corpos. Com as mãos trêmulas pela contenção acumulada de dias, desci o cós da minha calça. O elástico cedeu e, quando meu membro finalmente saltou livre e pulsante, soltei um suspiro rouco de alívio que veio do fundo do peito.
Katleia estava ali, entregue, as pernas entreabertas, o rosto corado num rubor que descia até o colo. Ela tentou desviar o olhar por um segundo, intimidada, mas eu segurei seu queixo com delicadeza, obrigando-a a me encarar.
— Não sei quanto tempo vou conseguir me segurar… — rosnei baixo, a voz carregada de uma fome que quase me assustava. — Mas eu quero você. Agora.
Ela se ergueu um pouco, os olhos descendo pelo meu corpo até minha ereção. Com uma lentidão que me torturava, estendeu a mão e tocou meu peito primeiro, deslizando a palma quente pelos músculos tensos do abdômen até chegar à base do meu pau. O toque leve dos dedos dela foi como um estopim.
Eu a puxei pela nuca, enterrando os dedos em seus cabelos, e capturei sua boca num beijo carnal, urgente, quase bruto, uma colisão de línguas e dentes.
Enquanto minha língua dominava a dela, desci a mão livre até seu quadril, puxando-a mais contra mim.
Deslizei o topo do meu membro contra a entrada dela, sentindo a umidade quente que encharcava. Eu a massageava devagar, para cima e para baixo, provocando, sem entrar ainda. Katleia remexia os quadris desesperadamente, buscando o preenchimento, gemendo abafado contra a minha boca, os dedos cravados nos meus ombros.
— Fala de novo que você quer — exigi, roçando os lábios nos dela, a voz rouca.
— Eu quero… por favor, Átila… — sussurrou ela, a voz quebrada de desejo.
Não esperei mais.
Com um movimento firme e profundo, eu a invadi por completo.
O gemido que escapou dela foi uma mistura perfeita de surpresa e puro êxtase. Senti suas paredes apertadas me envolvendo, quentes, molhadas e sedosas, como se tivessem sido feitas exatamente para mim. A sensação foi tão avassaladora que roubou meu fôlego por um segundo. Era como se, finalmente, tudo estivesse no lugar certo.
Fiquei parado um instante, só sentindo, a testa colada à dela, respirando com dificuldade.
Então comecei a me mover, devagar no início, saboreando cada centímetro, cada contração dela ao meu redor. A cada estocada lenta, eu via o prazer tomar conta do rosto dela, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados.
Aos poucos o ritmo aumentou, ficando mais urgente, mais profundo. O som molhado e ritmado dos nossos corpos se encontrando preenchia a sala, misturando-se ao barulho da chuva lá fora. Katleia jogou a cabeça para trás, os gemidos agora livres, altos, sem qualquer filtro.
Eu a observava, cada expressão de prazer dela alimentando o fogo dentro de mim. Não era mais apenas desejo. Era necessidade de tê-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!