Cap.102
O Laptop Aberto e a Culpa Que Não Cala
POV Átila
A chuva ainda fustigava as janelas, mas agora parecia mais distante, abafada.
Katleia dormia profundamente sobre mim, o corpo nu e quente enrolado na manta fina que eu havia puxado sobre nós dois. Sua respiração era lenta, tranquila, o rosto relaxado contra o meu peito. Depois de tudo, do desejo que explodiu entre nós, dos gemidos que ainda ecoavam na minha cabeça, ela simplesmente apagou, como sempre acontecia desde que voltou para casa. Exausta. Confiante. Segura nos meus braços.
Eu fiquei ali por longos minutos, só sentindo o peso leve dela, o subir e descer do seu peito, o calor da sua pele contra a minha.
Passei os dedos devagar pelos cabelos dela, tomando cuidado para não acordá-la. Era quase insuportável como aquele momento parecia perfeito… e como eu não merecia nenhum segundo dele.
Com cuidado, deslizei para fora do sofá, cobrindo-a melhor com a manta. Ela murmurou algo incompreensível e se encolheu mais, ainda adormecida.
Fui até a cozinha. Preparei um café forte para mim, e um mais suave para ela, caso acordasse. A fumaça subia em espirais preguiçosas. Quando voltei para a sala, ela já tinha acordado. Estava sentada no sofá, a manta frouxa sobre os ombros, usando apenas a minha camisa de novo, as pernas dobradas debaixo do corpo. O anel de pedra vermelha brilhava discretamente em seu dedo a cada pequeno movimento.
Ela parecia em paz.
Os curativos no pé eram bem menos agora. As marcas nas mãos já não tremiam tanto ao segurar a xícara. Havia cor em seu rosto, não tivemos nenhum imprevisto, isso é bom.
Após fazer o café, a acordei para me acompanhar na refeição.
Ficamos em silêncio por um tempo, só o som da chuva e o vapor do café entre nós. Mas minha mente não parava.
Ainda não consegui arquitetar nada, pela primeira vez eu não conseguir lidar com o fato do que era Katleia e o que eu acabei fazendo.
Levantei-me devagar.
— Vou buscar umas toalhas limpas no armário.
Ela ergueu os olhos e sorriu novamente.
— Não demora…
Sai, mas demorei alguns minutos antes de volta, a verdade é que fui a sala de monitoramento, onde fico enfornado na maioria do tempo olhando as câmeras, a casa ponte está calma, e todos estão vivendo tranquilamente, desde que Katleia veio para cá, não visitei esse lugar, mas para minha imprudência tinha deixado aberto e ela não poderia de jeito nenhum conhecer essa parte sombria de mim, a parte que quer estar no controle de tudo e a frente de tudo, eu não monitoro so a mansão ponte, como também a mansão Felix e também tenho câmeras em um lugar em particular que é de minha jurisdição na máfia.
Enfim, desliguei os computadores e tranquei a porta, no caminho para a sala escondi a chave dentro de um vazo que fica no corredor com uma palmeira.
Me aproximei da sala, mas não invadir apenas observei ela de pé caminhando.
Seus olhos passearam pela sala, pela janela molhada, pela manta jogada, pela xícara, até pararem no laptop que eu havia deixado aberto sobre a mesa de canto, mas não ousei investigar a senha.
Ela olhou para o corredor. Depois de volta para o computador como se fosse cometer um crime.
Hesitou.
Vi seus ombros se tencionarem levemente, os dedos da mão boa se contraindo no colo. As cicatrizes ainda eram visíveis, pequenas linhas prateadas que eu conhecia de cor.
Aproximou-se devagar, como quem se aproxima de algo perigoso e ao mesmo tempo irresistível. Sentou-se na cadeira. Seus dedos, ainda marcados, ainda um pouco inseguros, pairaram sobre o teclado.
Um segundo. Dois. Três.
E então veio o som.
Tic. Tic-tic-tic-tic.
No começo era hesitante, quase tímido de alguém testando suas habilidades e se ainda conseguir, Como alguém que volta a andar depois de uma queda longa e dolorosa. Mas logo o ritmo acelerou. As palavras começaram a fluir. Uma metralhadora suave de teclas.
Ela estava escrevendo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!