Cap.108
O Preço da Astúcia
Pov. atila.
A estrada estava deserta quando eu finalmente parei o carro.
Não sabia onde estava. Não me importava. Apenas precisei sair, fugir das paredes que me sufocavam, das telas que mostravam minha cara estampada ao lado da palavra "RENÚNCIA" em letras garrafais, os Bertans já devem ter visto as noticias da minha renuncia e desligamento de tudo que tem a ver com o grupo Felix.
Estacionei à beira de um campo vazio, desliguei o motor, e fiquei ali.
O vento balançava as folhas secas das árvores que margeavam o asfalto. O céu estava escuro, sem estrelas, ou talvez eu simplesmente não estivesse olhando para cima.
Sorri.
Era o sorriso de quem acabara de sacrificar tudo o que construiu e, no vazio que restou, encontrou um lampejo de liberdade.
"Agora devo ser bastante desinteressante para os Bertans", pensei, inclinando a cabeça para trás, sentindo o banco frio do carro contra a nuca. "Eles certamente não contavam com minha astúcia. Um Felix sem poder, sem herança, sem exército... não é uma ameaça. É um peão fora do tabuleiro."
A ironia era amarga e doce ao mesmo tempo. Eu me tornei inútil para os maiores predadores da cidade. E, paradoxalmente, isso me protegia mais do que qualquer exército e também protegia minha família de uma execução eminente, mas... não me fazia escapar de um simples ato que virou uma bola de neve.
"Agora tenho que resolver a situação do meu pai. Já que não vou aceitar o casamento com Rose."
A ordem já foi dada aos soldados que eu comandava no meu território, em breve eu teria boas noticias e meu problema com rose será um mero detalhe.
O nome dela e o problema que isso poderia causa ecoava na minha mente como um lembrete de mais uma guerra que se aproximava. Rose.
O contrato. A aliança que eu nunca quis, que meu pai insistia em manter, que eu vinha adiando com desculpas e silêncios, e como eu não vou cumprir, vou mostrar ao Don que existe mais de um caminho a ser seguido quando ser quer subir ao topo.
Não dava mais para adiar. Respirei fundo, liguei o carro, e comecei a dirigir sem destino.
Passei a noite inteira fora.
Sem celular. Sem contato. Sem ninguém sabendo onde eu estou e o que estava acontecendo, justamente para não levantar suspeitas.
Dirigi por estradas secundárias, parei em postos de gasolina abandonados, Vi o sol nascer atrás das montanhas, pintando o céu de laranja e rosa, enquanto Monselha ficava para trás, enquanto as minhas ordens se desdobravam de acordo com cada instrução que eu dei.
Pela primeira vez em meses, eu não estava pensando em estratégias.
Eu não Estava pensando em nada, afinal tudo já estava caminhando como o planejando, exceto pelos Bertans, nesse momento eu não sabia como eles reagiriam com a notícia.
E o nada, por mais paradoxal que parecesse, era um alívio.
A mansão dos Bertans era uma fortaleza de silêncio e poder.
Os portões de ferro se abriram lentamente quando meu carro se aproximou, como as mandíbulas de um monstro me engolindo.
Eu estava sem terno, moletom escuro, jeans, tênis. Meu oposto completo. Queria que eles vissem o homem que sobrou, não o Felix que um dia fora.
Os seguranças me revistaram com uma eficiência fria, seus olhos não encontrando nada além de um celular desligado e uma carteira vazia.
— O General está te esperando — um deles disse, apontando para a porta principal.
Entrei.
A sala de reunião dos Bertans era imponente, paredes de madeira escura, uma mesa longa de vidro polido, telas embutidas mostrando mapas e dados em tempo real.
O General Bertan estava sentado à cabeceira, flanqueado por dois homens de expressão severa. Mais dois estavam de pé ao fundo, como sombras armadas e... os gêmeos que eu tanto odeio.
— Senhor Felix — o General começou, a voz grave, carregada de uma calma que era mais ameaçadora do que qualquer grito. — Ou devo dizer... ex-senhor Felix?
— Pode me chamar de Átila — respondi, sentando-me na cadeira oposta a ele. — Não tenho mais títulos.
— Sabemos. Vimos as notícias. Vimos a renúncia. Vimos o congelamento dos seus bens. — Ele inclinou a cabeça, os olhos estreitados. — Uma jogada ousada eu diria, não é atoa mesmo que o chamam de o estrategista, o que se passa nesse cérebro conseguiu passar a perna ate em nos, que jogada... — ele sorrio, mas um sorrio de puro desgosto que eu senti um gosto saboroso ao ver, eu ainda posso vencer mesmo caindo.
— Uma jogada necessária, o que achou? — perguntei em tom irônico, mas com seriedade.
O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de avaliação mútua. Eu os observava; eles me observavam.
— Vou ser direto — o General continuou. — Nós estávamos... preparando uma ação. Contra você. Contra os Felix. Contra tudo o que você representa.
— Eu sei.
— Mas você se antecipou. Cortou as asas antes que pudéssemos voar, estamos realmente irritados.
— Eu não quero guerra com vocês — disse, a voz calma. — Nunca quis. O que eu fiz... o que eu causei... foi uma obsessão pessoal. Não teve a ver com negócios, com território, com poder. Teve a ver com... fraqueza e insatisfação na única coisa que eu não conseguia dominar.
— E ainda assim veio aqui. Sozinho. Sem armas. Sem plano de fuga.
— Eu vim para dizer que não vou fugir. Não vou me esconder. Vou pagar pelo que fiz. Do jeito deles. Do jeito da lei. Do jeito que for necessário para compensar o que fiz com ela.
O silêncio se alongou novamente. Os homens ao fundo estavam tensos, as mãos perto das armas.
O General finalmente assentiu, uma vez.
— Você não é um peão que podemos usar, Átila Felix. É um homem que destruiu a si mesmo para nos desarmar. É... inteligente. E perigoso.
— Eu só quero paz.
— Paz? — Ele riu, um som seco. — Com o que você fez? Com o que você causou? A paz não é uma opção. É uma ilusão.
— Então me dê guerra. Mas não envolva os outros. Não envolva minha família. Não envolva ela, se vocês quebrarem o que eu construir dentro dela, vocês não vai só afetar ela, mas Selene, afinal... vocês não estão tentando trazer ela para seu lado? Vocês tem que pensar em cada passo, Adon está com os feliz e Selene... Selene está com os Felix, sem dúvidas ela vai estar onde Adon estar, por isso eu sei que vocês não mexem com Adon e nem com o grupo se não tiver algo que a lei apoie vocês e isso é o que me conforta.
O General o encarou por um longo momento. Então, lentamente, sentou-se novamente.
— Você é um monstro, Átila Felix. Mas é um monstro honesto. Isso é mais do que podemos dizer da maioria dos homens.
— Obrigado. Acho.
— Não me agradeça. A guerra não acabou. Apenas... adiamos. Até que você nos dê um motivo para recomeçá-la, porque eu tenho certeza que você vai ser o pivô e nós, os Bertans não vamos hesitar em tirar os corvos da face da terra, ainda mais... por sabemos os crimes que você ainda cometendo, as coisas com que você anda envolvido, só estamos esperando você vacilar e seu lugar secreto ser revelado, e naquele momento, ninguém vai salvar você e nem sua família
Levantei-me.
— eu não vacilo duas vezes, Então estamos entendidos?
— Estamos.
Saí da sala sem olhar para trás. Os seguranças me escoltaram até a porta, seus olhos nunca deixando de me vigiar.
Atravessei o jardim em direção ao portão.
O sol estava alto, a manhã já avançada. Eu estava exausto, mental e fisicamente. O sono da noite anterior, ou a falta dele, pesava em meus ombros.
Foi quando eu a vi entrando pelos portões, meu coração deu um salto, como eu queria a ver, mas foi inesperado, extremamente inesperado, não era desse jeito que eu queria a ver.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!