Cap.109
Katleia estava parada no jardim, perto do canteiro de rosas brancas. Usava um vestido leve, azul claro, que balançava com o vento. Seus cabelos loiros e castanhos estavam soltos, caindo sobre os ombros em ondas suaves.
Ela não estava olhando para mim. Estava olhando para as flores, os dedos tocando as pétalas com uma delicadeza que me fez o coração perder o controle.
Meu coração acelerou.
Uma noite. Apenas uma noite sem vê-la. E parecia que eu tinha passado um ano no inferno.
Ela ergueu os olhos e me viu.
O mundo parou.
Não houve palavras. Não houve gestos. Apenas os olhos dela, castanhos, brilhantes, confusos, encontrando os meus.
E eu, ali, paralisado como um animal diante dos faróis de um carro.
— Átila? — a voz de Selene cortou o silêncio, trazendo-me de volta à realidade. Ela estava atrás de Katleia, os braços cruzados, a expressão preocupada.
— O que você está fazendo aqui? Soube das notícias... o que aconteceu?
— Reunião de negócios — respondi, a voz saindo mais rouca do que eu pretendia. — Nada importante.
Katleia deu um passo à frente. Seus olhos percorreram meu rosto, meu moletom, minhas olheiras surgindo..
— Você parece tão abatido — disse, a voz baixa. — Eu vi nas notícias. O que aconteceu? Por que você deixou de ser um Felix?
— Assuntos internos. Nada que deva preocupar você.
— Foi por minha causa?
A pergunta foi direta, cirúrgica. Eu sabia que ela não acreditaria em uma negativa, mas menti mesmo assim.
— Não.
Ela baixou a cabeça, os ombros se curvando como se não acreditasse em nada.
— Me desculpa. Você deveria ter se casado com a Rose. Mantido sua posição. Seu poder. Tudo o que você construiu, mas desistiu de tudo por minha causa?
— Você não tem nada a ver com isso — respondi, a voz mais firme agora. — Não tem tanta influência assim, Katleia. Mantenha a calma, as coisas que aconteceram foi porque eu me meti em outros problemas mais sérios
Ela ergueu os olhos. Estavam marejados.
— Você está mentindo. Eu sei que está. Mas não vou pressionar, mas... não me esquece, ok?
Enxugou as lágrimas com as costas da mão, um gesto rápido, quase irritado.
— O que você veio fazer aqui? — perguntei, tentando mudar de assunto.
Ela sorriu.
Não foi um sorriso pequeno, tímido, daqueles que eu estava acostumado a ver. Foi um sorriso aberto, de orelha a orelha, iluminando seu rosto como o sol depois de uma tempestade.
— Parece que o tempo está melhorando — disse, a voz carregada de uma esperança que eu não tinha direito de testemunhar. — Finalmente vou começar a ver a justiça acontecer. Vou poder dormir em paz.
Meu sangue gelou.
Ela estava falando do hater. Do stalker, De mim. Era claro que isso a deixava feliz, so de pensar que eu brinquei com o trauma dela sem saber, como ela perdoaria alguém que fez algo tao perverso?



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!