Cap.110
O Covil do Corvo
POv, atila
A cidade central de monselha ficou para trás depois de quarenta minutos de curvas e contracurvas, de ruas secundárias que se transformavam em estradas de terra, de estradas de terra que se perdiam em meio a árvores e névoa, não que o caminho fosse por ali, eram só caminhos aleatórios.
Como eu disse, só cometo erros apenas uma vez e não vou cometer erros novamente, sei que os Bertans ainda podem conseguir me derrubar, mas só se eu vacilar, afinal... tinha crimes ainda piores que eu mantenho escondido debaixo do tapete, ou melhor... da terra.
Essa era a vida que eu tinha que esconder, uma vida de assassinatos que as pessoas jamais conseguem desvendar ou encontrar pistas nesse momento, eu era apenas um desgraçado serial Killer indo ao seu covil, o lugar que se fosse descoberto, toda a máfia ruiria e seria aberto uma caçada interminável até tudo ser dizimado.
Então como todas as vezes que eu vou aquele lugar, sigo o mesmo protocolo.
Troquei de carro três vezes.
O primeiro, um sedã preto, deixei em um estacionamento público, onde qualquer rastreador perderia o sinal entre centenas de outros veículos. O segundo, uma caminhonete velha, registrada em nome de uma empresa fantasma, abandonei em uma garagem privada no distrito industrial, um labirinto de concreto e sombras onde câmeras não funcionavam há anos.
O terceiro, um jipe escuro, sem identificação, com placas trocadas manualmente, era o único que realmente me levaria ao destino.
Dirigi em silêncio. O rádio estava desligado. O ar condicionado soprava frio contra meu rosto, mas não era o suficiente para esfriar o sangue que ainda queimava nas minhas veias depois do encontro com Katleia.
“Ela sorriu. Dizendo que ia melhorar porque uma das pessoas que lhe fez mal ia preso.”
Apertei o volante com mais força do que precisava.
“E eu deixei. Deixei ela acreditar. Deixei ela planejar um futuro sem saber que o futuro que ela quer é construído sobre a minha ruína, um futuro que eu não vou ter coragem de encarar ela.
O jipe entrou em uma estrada particular, ladeada por árvores altas que se inclinavam como guardas silenciosos. O asfalto deu lugar a paralelepípedos antigos, cobertos de musgo e folhas secas.
No final da estrada, um prédio abandonado.
A fachada era cinzenta, pichada, com janelas quebradas e portas empenadas. Parecia mais um esqueleto de concreto do que um lugar onde alguém poderia entrar voluntariamente.
Mas eu sabia o que havia por baixo.
Entrei por uma porta lateral, descendo escadas estreitas que rangiam sob meus pés. A luz era fraca, apenas algumas lâmpadas amarelas penduradas no teto baixo, balançando levemente com a corrente de ar vinda de algum lugar profundo.
No final da escada, uma porta de ferro.
Bati. Três batidas rápidas, uma pausa, duas batidas lentas.
Um olho mágico se abriu. Alguém me observou do outro lado.
— O corvo voa à meia-noite? — a voz era grave, carregada de desconfiança.
— O corvo voa quando a presa está distraída — respondi, o código saindo automático.
A porta se abriu.
O espaço à minha frente era imenso.
Jaulas. Fileiras e fileiras de jaulas de aço, dispostas em corredores que se perdiam na penumbra. Algumas estavam vazias, com portas abertas como bocas mudas. Outras estavam ocupadas.
Dentro delas, homens.
Alguns estavam deitados, encolhidos em posições que tentavam proteger os órgãos vitais. Outros estavam pendurados por correntes, os pulsos marcados por algemas que haviam sido apertadas demais. Outros ainda estavam sentados no chão de concreto, os olhos vazios, as mentes já quebradas há muito tempo.
Os gemidos nunca paravam.
Eram sons baixos, arrastados, como se viessem de lugares muito fundos dentro da alma. Alguns pediam água. Outros pediam morte. A maioria não pedia mais nada, apenas existia, no limiar entre a consciência e o esquecimento e quer saber? Eu não tinha pena de nenhum deles!
Parei no centro do salão, os olhos percorrendo as jaulas.
Vinte soldados de elite circulavam entre os corredores. Seus passos eram silenciosos, seus rostos impassíveis. Eram treinados para matar, torturar, extrair informações, e para nunca falar sobre o que viam ali.
Abaixo deles, um exército de subordinados mantinha a vigilância, as comunicações, a logística. Homens que sabiam que, se um dia o covil fosse descoberto, suas vidas seriam as primeiras a serem sacrificadas para proteger o segredo.
Este era o território do Corvo.
Onde a máfia do segundo Felix realmente operava.
Onde a justiça dos homens não entrava.
Onde eu reinava indiscriminadamente sem a vista de Adon e Axel, não que eles não soubesse onde eram, mas ate para Axel que é um descontrolado com um bastão, esse lugar so cheirava ao inferno na terra. , e os Bertans nem imaginavam que eu escolhi um lugar tão obvio para fazer essa prisão.
Caminhei pelos corredores, observando as jaulas.
Este território é um dos três que restaram, Originalmente, eram quatro. O quarto pertencia a Alex. Foi tomado pelos Bertans há anos, dominado por Omar.
Os passos ecoavam no concreto.
Depois disso, eu, Adon e Axel nos certificamos de manter o controle. Treinamos vinte homens de elite. Recrutamos um exército de subordinados. Estabelecemos protocolos que nem os Bertans conseguem quebrar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!