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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 304

Cap.111

O Embate Final

Peguei o celular no bolso do moletom. O aparelho estava desligado desde a noite anterior.

A tela brilhou na penumbra da cela. Disquei o número do embaixador.

Ele atendeu na segunda chamada.

— Senhor Felix, ou ex Felix. — a voz era tensa, carregada de uma ansiedade mal disfarçada. — Que surpresa...

— ainda encontra humor? Escute com atenção — interrompi. — Você quer a vida de sua filha? Porque se você não se importa — continuei, a voz calma —, eu a mato. Agora. Aqui. E mando o corpo para você de presente.

— O que você quer? — A voz do embaixador estava trêmula agora.

— Quero que você escute.

Aproximei o celular de Rose. Ela hesitou, os olhos fixos em mim, depois no aparelho.

— Pai... — sussurrou, a voz quebrada.

Do outro lado da linha, silêncio.

— Pai, por favor... — Rose continuou, as lágrimas escorrendo novamente. — Me ajuda...

— Rose... — a voz do embaixador era um fio. — Eu... eu não posso... além disso você esta com seu futuro marido, o que ele fizer com você já não me diz respeito certo? Além disso você mal consegue alcançar os objetivos que eu lhe impus.

O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer grito.

Rose baixou a cabeça. As lágrimas pingavam no chão de concreto. Seus ombros tremiam com soluços silenciosos, claro... seu pai estava a abandonando e ela sabia.

— Desgraçado — sussurrou, não se sabia se para mim ou para o pai. — por favor, negocie com ele o que ele quer e me salve.

— O que ele quer, tem um preço alto rose, e você não conseguiu o valor dessa aposta.

— Você vai me abandonar? Nem mesmo vai repensar? O que eu sou para você?

Afastei o celular e o levei de volta ao meu ouvido.

— Já ouviu o suficiente, embaixador?

— O que você quer? — ele repetiu, a voz derrotada.

— Sabe o que eu quero. Adon tem que suceder o Don atual da máfia. E você vai elevar o nome de Alex na assembleia. É sua hora. Você vai fazer o que eu mandar.

— E se eu recusar?

— sua filha morre.

— Atila... — ele suspirou calmo. — ela morrendo ou não, não faz diferença, já que ela é como um peso morto.

Sorri. Não era um sorriso feliz.

— Se você recusar minha proposta eu já tenho outros planos, afinal... eu já sabia de seus sentimentos pela sua filha, ela não passa de um instrumento, em meia hora você vai estar bem aqui, do lado de sua filha. Enviei apenas dois soldados de elite do meu território para te buscar. Acho que você sabe o que isso significa, não é?

— Você não fez isso... — a voz do embaixador era um sussurro de horror. — Certo? Você não fez...

— Eu fiz. — Minha voz era gelada. — Você sabe o que eu quero. Você eleva o nome de Alex. É sua hora. Ok? Aposto que meus homens já estão na sua sala, certo? Eles estão instruídos a te matar a depender do que você falar agora, ainda amanhã, eu quero o anuncio para que Alex possa ingressar em seu grupo sem mais interferências.

O silêncio se alongou.

— Ok — ele respondeu, finalmente. — eu vou fazer como você pediu, so... mande seus homens embora.

Desliguei o celular. Guardei-o no bolso.

Rose ainda estava com a cabeça baixa, os ombros tremendo.

— viu so, nem seu pai te ama, que patético...

— Você não vai me matar? Deve ser menos doloroso morrer, não é? — perguntou, a voz pequena.

— Não vou te matar. Pelo menos não hoje, suas coisas são suas coisas, apenas quero que se lembre para quem estava se sacrificando e como ele te sacrificou.

— E o que vai fazer comigo?

Pensei por um momento. As imagens de Katleia sorrindo no jardim, os olhos brilhando de esperança, caralho... me sinto culpado por tocar nela com essas mãos.

— Vou te dar uma chance — respondi. — A mesma que você não deu a si mesma. Vai fugir. Vai sumir. Vai começar uma nova vida em algum lugar onde ninguém te conheça. E nunca, nunca mais vai chegar perto de mim ou da minha família, e muito menos de Katleia, o que acha?

Rose ergueu os olhos, incrédula.

— Por quê decidiu me deixar viver?

— Porque eu não quero mais sangue nas minhas mãos. Pelo menos não o seu.

Virei-me e caminhei em direção à porta.

— Átila...

Não que eu me importe com a justiça. Não que eu seja um bom samaritano, afinal tenho meus monstros, e uso eles para saciar a sede que eu tenho em ver sangue jorrar.

Aqui está toda a escória do mundo. Os mesmos tipos que um dia eu pensei em tratar, quando ainda acreditava na psicologia, na cura, na redenção.

Acabei ficando mais louco que eles.

A sala privada ficava no fundo do corredor, depois da última cela. Uma porta de madeira escura, com ferragens de ferro enferrujado. Entrei.

O mostruário.

No centro da sala, sobre um pedestal de granito negro, repousava uma espada.

Ela era diferente da Matadora de Monstros que Katleia conhecera.

Aquela era bonita, quase ornamentada, com cabo de verniz e detalhes em dourado. Uma arma para ser admirada. Uma arma para inspirar coragem e limpar meus pecados, mesmo que já tenha matado muitos que já cheguei a perder a conta.

Esta era diferente.

Esta era velha. O cabo era preto, gasto, marcado por décadas de uso.

A empunhadura de couro estava desgastada, as costuras rompidas em alguns lugares. A lâmina era escura, não o brilho polido do aço novo que reflete a luz, mas um escuro opaco, como se tivesse absorvido a escuridão de cada vida que ceifou.

Os homens a chamavam de Ceifadora.

Eu nunca a levei para casa. Não ousaria. Ela pertencia a este lugar, a este inferno particular que eu construí com minhas próprias mãos.

A Ceifadora era a extensão da minha fúria. A materialização do meu ódio. A resposta para todas as perguntas que eu nunca ousaria fazer em voz alta.

Toquei o cabo. A sensação era familiar, quase confortável. Como reencontrar um velho amigo depois de anos separados.

— Hoje — sussurrei, desprendendo a espada do pedestal — você vai cumprir sua ultima missão. E depois será enterrada.

O peso da lâmina era imenso. Não o peso físico, eu estava acostumado a ela, mas o peso simbólico de cada vida que eu havia tirado com este aço.

"Desde os meus quinze anos", pensei, enquanto caminhava de volta ao corredor. "Esta espada tem sangue nas mãos desde que eu era uma criança crescendo no mundo da máfia, sem nenhum remorso."

A primeira vez foi um homem que fui obrigada a executar pelo meu próprio pai.

Não dormi bem por semanas.

Agora, eu nem piscava.

Comecei pela primeira cela.

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