Cap.112
O homem estava acordado, os olhos fixos na porta. Ele sabia o que estava por vir. Todos sabiam.
— Por favor... — ele sussurrou, arrastando-se para trás, as costas batendo na parede de concreto. — Por favor, eu tenho família...
— Devia ter pensado nisso antes. — minha voz era calma, quase gentil.
— Eu... eu só quero morrer de vez... não aguento mais esse sofrimento. — ele suplicou e isso era o que eu ouvia constantemente, mais vezes do que eu consigo imaginar.
A lâmina cortou o ar.
O gemido foi abafado, rápido. O corpo caiu de lado, o sangue escorrendo pelo concreto, misturando-se à umidade do chão.
Passei para a próxima cela.
E outra.
E outra.
A cada morte, eu sentia a culpa diminuir um pouco — não porque o ato fosse justo, mas porque cada corpo caído era uma promessa de que aquele monstro nunca mais machucaria ninguém.
"Todas essas pessoas vêm de diversos lugares do mundo", pensei, enquanto limpava a lâmina no macacão de um dos prisioneiros. "Esses tipos de criminosos não conseguem sobreviver muito tempo em Monselha. Não em minha jurisdição."
A ironia não me escapava. Eu, o maior monstro de todos, agindo como justiceiro.
"Este é meu passatempo favorito."
A última cela era a de um homem que havia assassinado dezessete crianças um serial Killer bastante procurado. Ele não tinha remorso. Não tinha medo. Não tinha nada além de um sorriso vazio enquanto eu levantava a espada.
— Você vai queimar no inferno — ele disse, os olhos brilhando.
— Já estou queimando — respondi com remorso, me sinto culpado por não ter feito ele sofrer mais ainda, ate ele sentir que nem o inferno poderia ser pior do que estar ali, mas preciso fazer isso.
A lâmina desceu.
O corpo caiu.
Acabou.
Chamei meus homens. Eles vieram em silêncio, acostumados com o ritual.
— Livrem-se dos corpos. — Ordenei, a voz cansada. — E peguem a Rose.
— O que fazemos com ela?
Pensei em Katleia. Em seu sorriso. Em seu cheiro de baunilha. Em como ela me olhava como se eu fosse a única coisa boa em um mundo cheio de escuridão, e que merda!!! Ela fazia olhar tudo que fiz e sentir nojo.
— Joguem em qualquer vala. Não precisam matar. Alguém vai encontrá-la e mandar para o hospital.
— Entendido.
Eles se dispersaram, arrastando corpos, limpando sangue, apagando evidências.
Eu fiquei.
Fiquei ali, no meio do covil vazio, com a Ceifadora ainda na mão. O sangue escorria pela lâmina, pingava no chão, formava pequenas poças que refletiam a luz fraca das lâmpadas.
Meu corpo estava encharcado também.
Não só de sangue, embora houvesse muito sangue. Suor. Desespero. Culpa.
Olhei para minhas mãos. Estavam vermelhas.
"Como eu ouso tocar nela com essas mãos?" entreguei a espada a um dos meus homens, ordenei que abrisse o teto de metal do lugar e deixasse a luz finalmente entrar, cada vez que eu matava pessoas ali... elas desejavam ver a luz do dia, quanto as matava, ainda sentia que elas não viam a luz, só ficavam ali tentando me assombrar, no momento que esse teto for aberto, acredito que essas almas vão se dissipar.
Saí do esconderijo.
O prédio abandonado ficou para trás, com suas paredes pichadas e janelas quebradas. A noite estava escura, sem estrelas, sem lua.
Apenas nuvens negras pesando sobre Monselha como uma sentença.
Começou a chover.
Não foi uma garoa fina. Foi um dilúvio. Gotas grossas e pesadas que caíam como lanças do céu, encharcando minhas roupas, lavando o sangue das minhas mãos, escorrendo pelo meu rosto.
Eu ri.
Foi um riso baixo no início, depois mais alto, mais descontrolado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!