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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 308

Cap.115

Atila Felix.

Ainda estava escuro. A mansão parecia um navio à deriva na tempestade, rangendo a cada rajada de vento que batia nas janelas.

Katleia tremia ao meu lado enquanto descíamos o corredor principal, os pés descalços gelados contra o piso de madeira antiga.

Eu também sentia o frio nos ossos, mas o que mais me consumia era o calor dela, o calor que ela emanava mesmo tremendo, o calor que eu queria devorar.

Se ela soubesse o quanto minha mente estava ferrada agora, nem estaria perto de mim agora.

Peguei um pacote de velas na despensa. O cheiro de parafina misturado ao aroma fez algo dentro de mim se contrair. Subimos em silêncio. Lá fora, a chuva caía com fúria, martelando o telhado como se quisesse entrar. Não havia a menor chance de consertar a caixa de energia esta noite, mas pelo horário, não era necessário a maioria já estava dormindo.

— Vá tomar banho — eu disse ao entrar no quarto, acendendo as primeiras velas. A luz âmbar começou a dançar nas paredes, transformando o espaço frio em algo quase vivo, quase sagrado. — A água ainda deve estar quente pelo aquecedor a gás. Você precisa aquecer o corpo.

Ela parou no meio do quarto, os braços cruzados sobre o peito, os dentes batendo de leve.

— Não vou.

Parei com a vela na mão, virando-me para ela. A luz tremeluzente iluminava seu rosto pálido, os olhos grandes e vulneráveis.

— Por quê? É o melhor jeito de tirar esse frio de dentro de você, eu vou terminar de iluminar o quarto.

— Estou com medo — confessou ela, a voz quase sumindo no som do trovão. — Está tudo escuro demais, Átila. Parece que as sombras vão me engolir se eu fechar os olhos debaixo do chuveiro, não quero! Que horror!

Suspirei, sentindo uma pontada quente no peito.

Peguei mais quatro velas e entrei no banheiro. Comecei a distribuí-las: duas na bancada de mármore, uma na borda da banheira, outra no nicho do box. A luz dourada e vacilante transformou o ambiente frio em algo íntimo, quase ritualístico.

O vapor que começava a subir da torneira que liguei dançava como fantasmas suaves sob a luz de cera.

Percebi que ela me observava da porta. Seus olhos seguiam cada movimento meu com uma intensidade que fazia minha pele formigar.

— O que foi? — perguntei, encarando-a enquanto acendia a última vela.

Ela deu um passo para dentro, o rosto banhado pela luz âmbar.

— Parece até que ficou romântico, não acha? — murmurou, com um sorriso tímido, quase sonhador.

Sorri de forma contida, sentindo um nó se formar na garganta. Céus, ela é uma escritora sem cura. Mesmo no meio do caos, do medo e de um quase-assassinato, a mente dela encontrava um arco narrativo para a beleza e de fato... o ambiente estava bem interessante para algumas coisas.

Aproximei-me dela lentamente. O espaço entre nós era carregado de uma eletricidade que não vinha dos postes da rua.

— Você acha que está romântico por causa das velas? — perguntei, minha voz descendo para um tom perigosamente baixo, vibrando no peito. — Ou é porque eu estou aqui?

Katleia desviou o olhar, as pontas dos dedos brincando com a barra do pijama curto.

— Não sei se você corou agora — continuei, dando mais um passo, encurralando-a suavemente contra a parede do banheiro —, porque não consigo ver bem nesse escuro. Mas tenho quase certeza que corou.

Meus olhos, agora acostumados com a penumbra, começaram a mapear o que eu tinha ignorado na correria da "invasão".

Ela estava usando um pijaminha curto, de um algodão tão fino que parecia uma segunda pele. O tecido, que eu havia molhado com meu abraço encharcado minutos antes, estava secando, mas a umidade remanescente o tornava semitransparente.

Eu conseguia ver a curva suave de seus seios e o vislumbre nítido dos bicos rígidos, reagindo ao frio e, talvez, à minha proximidade. Ela nem tinha percebido o quanto estava exposta.

— Para de brincar — ela sussurrou, tentando recuperar a compostura. — Selene daqui a pouco vai fazer a vistoria dela.

— Que vistoria? — Sorri, sentindo o gosto da vitória antecipada. — Eu acabei de trancar a porta e desativar a senha. Ninguém entra aqui, a menos que derrube a parede.

Katleia arregalou os olhos, a respiração ficando mais curta.

— Por que você fez isso?

— Porque, Katleia, eu sou um homem adulto. Eu não preciso ser supervisionado pela minha irmã caçula, mesmo que eu faça muita merda na vida. Mas aqui, agora... tudo o que eu quero é fazer amor com você. Não tenho culpa se me ligaram para vir até aqui e eles não vão me mandar embora de moto em um temporal depois de ser o herói deles.

Antes que ela pudesse protestar, eu a envolvi pela cintura e a ergui do chão.

O movimento foi súbito. Katleia soltou um arquejo de surpresa e, instintivamente, suas pernas envolveram meu quadril, prendendo-me com uma força que me fez contrair o rosto.

Senti cada músculo interno dela se comprimindo contra mim através do tecido fino. A pressão do centro dela contra o meu corpo era um convite silencioso que quase me fez perder a razão ali mesmo.

— Eu senti saudades — ela confessou, a voz trêmula contra meu pescoço.

Ela não esperou por uma resposta. Foi ela quem arrebatou meus lábios, deslizando os dela com uma urgência faminta, saboreando o gosto de chuva e desejo que ainda emanava de mim.

Quando nossas línguas se tocaram, foi como se um curto-circuito finalmente explodisse o resto do sistema.

Eu nem precisei provocar. Ela estava ali, inteira, entregue, me abraçando com uma força que parecia querer fundir nossos ossos.

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