Entrar Via

Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 326

Cap.133

O cheiro de mofo, cigarro velho e suor azedo invadiu suas narinas antes mesmo de ela conseguir focar a visão. Seus joelhos tremiam contra o chão frio de concreto rachado. Não estava amarrada. Ainda não. Os dois homens à sua frente pareciam saber que não era necessário.

Eles riam baixo.

— Olha só pra ela... — disse o mais alto, aquele com a cicatriz irregular no canto da boca. — Ficou completamente louca. Depois de todas as vezes que a gente deu prazer pra ela quando era novinha...

Katleia piscou. O mundo girava. As palavras entravam devagar, como facas enferrujadas sendo enfiadas devagar na carne.

— Lembra quando seu padrasto trancava a gente com você no porão? — continuou o segundo homem, mais magro, dentes amarelados à mostra. — Você chorava tanto no começo... depois ficava quietinha. Tão quietinha.

Ela sentiu o estômago revirar violentamente. Um gosto amargo subiu pela garganta.

Não. Não. Isso não...

Nas memórias dela, sempre tinha sido só o padrasto. Só ele. As mãos grandes. O escuro. O cheiro de bebida.

Mas agora... agora as imagens vinham fragmentadas, distorcidas, como se alguém tivesse rasgado um véu que ela mesma costurara com muito esforço.

Eles se aproximaram. Devagar. Como quem sabe que a presa não vai correr.

— Você era tão magrinha... — murmurou o da cicatriz, agachando-se na frente dela. — Tinha onze anos. Lembra?

Katleia sentiu o corpo inteiro convulsionar. Uma náusea forte subiu. Ela apertou os braços contra a barriga, curvando-se para frente.

Não era só ele...

As memórias vieram como um tsunami sujo.

O quarto úmido. A luz fraca de uma lâmpada vermelha. Seu padrasto rindo enquanto empurrava três rapazes para dentro.

Eles não eram velhos. Deviam ter uns dezesseis, dezessete e vinte anos na época. Agora estavam com vinte e poucos. Rostos que ela tinha apagado. Rostos que ela precisava apagar para continuar viva.

— Para... — a voz saiu rouca, quase inaudível. — Por favor... para...

Eles riram.

— Agora ela não quer corda, não quer brinquedo... — zombou o magro, estendendo a mão e tocando uma mecha do cabelo dela. — Mas antigamente você aguentava tudo, não aguentava? Chorava, mas aguentava. A gente te ensinava a ser boazinha pra não apanhar.

Katleia começou a tremer. Um tremor violento, incontrolável. Seus dentes batiam. O ar entrava e saía dos pulmões em soluços curtos. As paredes pareciam se fechar. O quarto de agora se fundia com o quarto de antes. O cheiro era o mesmo. O riso era o mesmo.

— Eu... eu não... — ela gaguejava, os olhos arregalados, perdidos. — Só o padrasto... era só ele...

— Mentira — o da cicatriz segurou o queixo dela com força, obrigando-a a olhar para ele. — A gente fodia você junto. Você gritava tanto que seu padrasto colocava pano na sua boca. Lembra agora?

A imagem explodiu na mente dela.

Mãos. Muitas mãos. Risadas. Dor. Vergonha. A sensação de desejar a morte. O corpo pequeno de onze anos tentando se encolher contra a parede fria enquanto eles se revezavam.

O padrasto assistindo, filmando com um celular velho. Dizia que era pra ela aprender a ser mulher.

Katleia soltou um gemido gutural, animal. Seus olhos se encheram d’água até transbordar. Ela tentou se afastar, mas o homem segurou seu braço com força.

— Não encosta! — ela gritou, a voz falhando. — Não me toca! Eu prefiro morrer! Eu prefiro morrer do que passar por isso de novo!

Eles riram mais alto. Doentio. Excitados com o desespero dela.

— Olha como ela treme... igualzinha àquela época. Tão bonitinha quando chora.

O magro se aproximou por trás, passando os dedos pelo ombro dela. Katleia sentiu o toque como ácido na pele. Seu corpo inteiro entrou em colapso.

Ela começou a hiperventilar, o peito subindo e descendo rápido demais. Visão embaçada. O mundo girando.

— Átila... — sussurrou primeiro, depois gritou com toda a força que ainda tinha na garganta, — ÁTILA! ONDE VOCÊ ESTÁ?! VOCÊ PROMETEU! VOCÊ PROMETEU QUE IA ME PROTEGER!

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!