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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 332

Cap.139

Pincéis, Pecados e o Peso do Mundo

O sol de meio-dia não perdoava, o tempo de chuva tinha cessado um pouco apesar de algumas nuvens nubladas.

Eu estava lá, parado, ignorando o suor que escorria pela minha têmpora e o desconforto da camisa de presidiário que o Estado, com sua infinita burocracia, ainda não tinha me deixado trocar, parece que a cada serviço que eu fosse fazer, eu teria que usar essa porcaria.

O muro era uma afronta. Era grande demais, alto demais, cinza demais. E eu estava ali para tingi-lo de branco, um exercício de futilidade que os gêmeos Bertans, com seu senso de humor distorcido e aristocrático, haviam orquestrado com perfeição.

O som de pneus de alto padrão rasgando o asfalto quente anunciou a chegada.

O carro deles deslizou pela rua como um predador silencioso. Eles desceram, impecáveis, ternos alinhados, enquanto eu parecia um objeto esquecido em um ferro-velho.

Um dos gêmeos abriu o porta-malas e tirou duas latas de tinta e, em seguida, dois pincéis minúsculos. Pequenos. Ridículos. Do tamanho de um estojo de maquiagem infantil.

Ele os estendeu para mim. Eu os encarei. Olhei para o muro. Olhei de volta para eles.

— Tá de se fuder mesmo, né? — disparei, a incredulidade vencendo a minha paciência.

— Não quer? — um dos gêmeos perguntou, a voz sem qualquer inflexão, como se estivesse perguntando se eu queria açúcar no café.

— Acha que sou palhaço? — apontei para o pincel minúsculo. — Onde está a porra do rodo? Onde está o compressor? Com isso aqui, eu vou levar três anos para pintar dois metros!

O outro irmão deu um passo à frente, guardando as mãos nos bolsos do paletó.

— Você não quer? É uma pena. Foi a própria Katleia que mandou como punição.

Eu congelei. A raiva, que fervilhava como lava, solidificou-se instantaneamente.

— O quê?

— Aquele e-mail... — o primeiro completou, como se lessem um roteiro. — Você escreveu dizendo que ela poderia exigir qualquer coisa que a fizesse se sentir bem. Pois bem, ela pensou bastante. E concluiu que a melhor forma de purificar a sua alma criminosa seria pintando este muro inteiro, centímetro por centímetro, com este pincel.

Eu olhei para o objeto de madeira barata em minha mão. O pincel, antes um instrumento de tortura, pareceu brilhar sob o sol.

Um sorriso discreto, quase imperceptível, começou a se formar no canto da minha boca. Ela estava aprendendo. Estava aprendendo a punir, a controlar, a exercer o poder que eu lhe entreguei de bandeja.

— Foi ela mesma? — perguntei, a voz um pouco mais suave, quase uma reverência.

Eles assentiram em uníssono.

Eu peguei o pincel. Olhei para a imensidão do muro. Se era o que a minha dama queria, que assim fosse. Se eu tivesse que pintar esse muro com um cotonete, eu pintaria, e o faria com a precisão de um cirurgião.

— Bom... — limpei a garganta, mergulhando o pincel na tinta. — Se ela quer assim, assim será.

Comecei a pintar. Um traço. Dois traços. O ruído das cerdas contra o concreto era o único som.

Atrás de mim, ouvi os gêmeos cochicharem.

— Cacete... ele vai fazer mesmo? — disse um, com uma ponta de desdém.

— Dizem que um homem pode destruir o mundo — respondeu o outro, observando-me com uma curiosidade fria —, e, ao mesmo tempo, se curvar à mulher que ama.

— Pois nós preferimos fazer o mundo se curvar — disseram em uníssono.

Entraram no carro e partiram, deixando-me sozinho com a minha penitência.

As horas se arrastavam. Eu estava concentrado, cada traço de tinta branca cobrindo o cinza opressor do concreto.

Estava no segundo metro quando o som de um motor potente me avisou que eu tinha visitas. O jipe blindado de Adon.

Ele desceu do veículo, vestindo um traje social que custava mais do que a minha vida inteira e fodida agora.

Ele se aproximou, parando a uma distância segura da tinta fresca, e me analisou como quem observa uma espécie exótica em um zoológico.

— Que diabos de pincel é esse? — Adon perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Faz parte da punição? Porque, francamente, você está parecendo um mendigo.

— Foi minha dama que me deu — respondi sem parar a mão. — É óbvio que não me importo de pintar um muro com isso.

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