Cap.143
O sequestrador chutou a porta da frente, o corpo tenso pela adrenalina.
Ele deu o primeiro passo para fora, parando no batente da casa. O ar da tarde parecia parado, quase opressor. Ele esperava a calma da rua, o vazio da calçada e van branca que já o esperava por ele, o triunfo de ter conseguido o que queria.
Mas, ao focar seus olhos, o mundo desabou.
A rua não estava vazia.
Três vans pretas grandes paradas, com os faróis apagados, bloqueavam o horizonte como monólitos silenciosos.
Ninguém falava. Nenhum motor rugia, planejado que nem ele esperava, ninguém podia ver o que estava acontecendo ali agora, onde a única coisa que se ouvia era a respiração acelerada do próprio homem.
Pelos vidros escuros das vans, era possível notar os contornos de homens armados, estátuas de vigilância prontas para o bote, ele não tinha para onde ir.
Parado a poucos metros do batente, estava Átila braços cruzados o encarando com diversão e fúria misturados, vestindo as mesmas roupas velhas que pareciam seu novo fardamento. Ao seu lado também, Adon mantinha a guarda cerrada. Sebastião, estava um passo atrás, os olhos injetados de ódio, as mãos cerradas em punhos que tremiam de tanto desejo de vingança.
Helena estava ali também, com uma expressão de uma mãe que viu o diabo tentar levar seu filho.
O sequestrador travou.
Suas pernas vacilaram no batente. O peso de Katleia, inconsciente e inerte em seu ombro, parecia ter dobrado de tamanho.
Ele tentou dar um passo para trás, buscando a segurança da casa, mas o cerco era absoluto.
— Faz dias, hein? — A voz de Átila cortou o silêncio, baixa, calma, serena. Não havia gritos, não havia ameaças vazias. Apenas a certeza de um homem que estava conduzindo uma execução. — Dias que estamos esperando você sair da toca.
O homem tentou retroceder, mas o suor frio escorria por sua têmpora.
Ele apertou os braços em volta do corpo de Katleia, usando-a como uma barreira física.
— Se derem um passo... — a voz do sequestrador saiu como um guincho, trêmula e desesperada — eu quebro o pescoço dela agora mesmo!
Átila não vacilou. Ele não olhou para a ameaça, ele olhou para o sequestrador com um desprezo glacial. Com um sorriso de quem já tinha escrito o obituário do outro.
— Não vai — Átila respondeu, dando um passo à frente.
Foi o sinal.
Num movimento que desafiou a percepção humana, Átila avançou.
O sequestrador mal viu o vulto. A mão fechada atingiu a boca do estômago do homem com uma precisão cirúrgica, uma marreta de carne e osso.
O ar abandonou os pulmões do criminoso num soluço seco, audível e doloroso.
As pernas do sequestrador cederam instantaneamente. O corpo de Katleia, sem o suporte, começou a cair.
O mundo pareceu entrar em câmera lenta.
No momento exato em que o sequestrador despencava de joelhos no asfalto, Átila ignorou completamente o inimigo caído.
Seus olhos estavam fixos apenas nela. Ele se moveu como um predador protegendo seu filhote, interceptando Katleia antes que ela tocasse o chão frio. Ele a aparou com uma delicadeza que contrastava brutalmente com a violência que ele acabara de desferir.
Ela encaixou perfeitamente em seus braços, a cabeça tombada contra o peito dele.
— Tirem esse lixo daqui — a voz de Átila soou como uma ordem de comando, fria e sem emoção, enquanto seus braços envolveram Katleia, protegendo-a do cenário de guerra ao seu redor.
— Tanta gente para pegar um inútil desse, eu deveria saber que ele só sabe lidar com garotinhas!
Homens saíram das vans, movendo-se como sombras coordenadas.
Sem barulho, sem alarde, agarraram o sequestrador pelos braços. Ele tentou balbuciar algo, mas um pano foi prensado contra sua boca, abafando qualquer som.
Ele foi arrastado para o interior da van, sua presença sendo apagada daquela rua como se ele nunca tivesse existido.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!