Cap.149
Pov katleias.
Faz uma semana desde a "bagunça". Parecia que agora estava tudo calmo, mas não sei ate onde seria essa calma.
Meu celular, repousado sobre o criado-mudo, era um altar de ansiedade.
Mandei dezenas de mensagens para Selene. Como Guilhermina está? Posso ir vê-la? A resposta era sempre a mesma, um mantra repetitivo,
Ela está bem, Katleia. Descanse. Em breve você a verá.
Mentiras. O cheiro das mentiras de Selene era forte, era obvio que nada estava bem, ninguém estava bem e se era assim, não quero depender do que os outros dizem, da atualização rasa deles que agora pareciam estar me evitando.
Meu corpo protestava.
Eu estava indisposta, uma fraqueza que começava nos ossos e subia como uma maré de chumbo.
Eu não estava conseguindo comer, o alimento sempre queria voltar e me sentia cada vez mais fraca e pálida sem ter ideia do que estava acontecendo comigo.
Átila... eu não tinha notícias dele.
Não sabia onde ele estava cumprindo seja lá o que o destino reservava para ele. Eu estava isolada, uma prisioneira do meu próprio medo e do que eu tinha descobrido e ainda me perguntando se... se tivesse sido realmente ele, porque ele não enfrentou isso de forma justa?
Mas a curiosidade e o desespero de saber de Mima — minha Mima — eram maiores que a minha fragilidade.
Troquei de roupa com movimentos lentos, como se estivesse nadando em um lago de melaço. Saí da casa sem olhar para trás.
A rua estava estranhamente calma, o ar da tarde parecia denso. O caminho até o hospital foi um borrão de luzes e sons distantes.
Eu não estava presente, eu era um espírito caminhando por um cenário de pesadelo, não de medo de sair, não agora, era que meu corpo estava me matando, já faz dias que so sinto incomodo e dor.
Quando cheguei à recepção do hospital, a atendente me olhou como se eu fosse um fantasma.
Claro, naquele momento parecia que era eu que estava precisando de um medico.
— Guilhermina? — repeti, a voz falhando, após varias tentativas de descobrir onde ela estava internada ou se já teve alta.
Ela digitou no computador. O silêncio da espera foi a eternidade mais longa da minha vida.
— Ela está em isolamento, srta. Não recebe visitas.
— O quê? Como assim? — Minhas mãos tremeram sobre o balcão. — Eu preciso vê-la! Eu sou... eu sou da família.
O médico veio logo em seguida. Ele não tinha um sorriso, apenas o olhar clínico e pesado de quem carrega más notícias como um uniforme.
— você também é parente dela?
Confirmei com a cabeça;
Ele me guiou para uma sala pequena. Suas palavras vieram como golpes de martelo, cada uma destruindo um pedaço da minha sanidade.
— parece que você não sabe a real situação dela?
— não, eu gostaria realmente de saber o que esta acontecendo com ela, como ela esta realmente.
— A facada que ela tinha levado apesar de não ter sido em pontos vitais. — ele começou, evitando meu olhar — atingiu perto do rin, Mas o problema real, não foi o corte. Foi a lâmina. Ela estava contaminada. E ela desde que chegou aqui esta com uma infecção agressiva, resistente. Tentamos conter durante semanas, mas o quadro piorou drasticamente. A infecção se espalhou. Os dois rins dela... eles estão comprometidos. Falhando.
O ar sumiu da sala.
— Falhando? — sussurrei. — O que isso significa?
— Significa que ela precisa de um transplante urgente. Sem isso, a infecção chegará à corrente sanguínea de forma irreversível. Ela não vai resistir, ela não tem muito tempo.
Meu chão não apenas desabou, ele se abriu em um abismo insondável. Mima estava morrendo. E ninguém me contou?
Corri para o corredor, o ar me faltando, a visão turva de lágrimas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!