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Romance Proibido romance Capítulo 10

Quando volto, respiro fundo e tento me recompor. Ainda assim, basta um pensamento sobre a cena para o riso quase escapar novamente.

Depois do almoço, nos reunimos na sala, e eu, incapaz de me conter, comento sobre o episódio da faca. Kayra, com o humor que só ela tem, explica que é uma superstição turca. “Nunca se deve entregar uma faca diretamente para outra pessoa. O certo é colocá-la na mesa, e a outra pessoa a pega. Se for entregue diretamente, a pessoa deve cuspir nela para evitar brigas futuras.”

Rimos juntas, mas logo nossa atenção é desviada pelo movimento na casa. Homens uniformizados entram carregando enormes buquês de flores do campo.

— Deus! Essas flores custam uma fortuna nessa época do ano! — digo, com os olhos arregalados.— Tudo isso é para os preparativos do Ano Novo? — pergunto, sentindo uma ansiedade crescente. Quantas pessoas estarão nesta festa?

— Sim, mas não se preocupe. Está tudo sob controle. Elma, nossa governanta, organiza tudo todos os anos. Que tal descansar um pouco agora? — sugere Kayra.

— Descansar? — Ômer protesta, lançando-me um olhar que pede solidariedade.

Ficar sozinha com ele? Nem pensar.

Sei que não fico com alguém só por ser simpático. Meu coração precisa disparar, e Ômer simplesmente não provoca isso. Ele é magro demais e brincalhão além do que gosto. Perfeito para um amigo, mas nada além disso. Desvio o olhar e sorrio para Kayra.

— Vou seguir seu conselho. Uma cochilada não faria mal.

— Ótimo. A noite será longa — diz Kayra.

— Muitos convidados? — pergunto.

— Não, só nós, meu irmão, meus tios paternos e uma prima, Ayla. No total, oito pessoas.

Respiro aliviada.

— Certo, então.

— Depois passo no seu quarto para te chamar para o café. Podemos assistir a um filme juntos. O que acham? — Kayra nos olha, esperando resposta.

— Acho ótimo! — respondo.

— Por mim, tudo bem — Ômer concorda.

— E você? Vai ficar bem sozinho? — Kayra pergunta a ele.

— Vou. Acho que vou brincar de tocar piano na sala.

Meus olhos brilham.

— Você toca piano?

No quarto luxuoso, deito-me na cama. Todo esse luxo não me afeta. Sei que não é a minha realidade e nem sonho tão alto assim.

Penso em Carol. Ah, como ela adoraria estar aqui! Sem dúvidas, estaria dando em cima de Ômer.

Rico, solteiro e desimpedido.

Pela conversa na piscina, descobri que ele é publicitário e trabalha na agência da família, responsável por várias propagandas na televisão.

Mas eu? Jamais ficaria com alguém só para evitar a solidão ou por interesse no que ele pode oferecer.

Minha mãe estava certa quando disse que eu não amava Henrique. Na verdade, eu estava com raiva por ter perdido dois anos ao lado dele, mais com raiva de mim por estar ao lado de um homem que nem era tudo isso e ainda me traiu. Uma pena que essa consciência tenha chegado tarde para mim. Mas como dizem, antes tarde do que nunca.

Penso na minha amiga Kayra. Embora ela tenha sempre vivido no meio do conforto e da opulência, ela sempre foi humilde. Suas roupas nunca revelaram sua conta bancária. Ela se passa por uma pessoa de classe média-alta. Sempre vestida com suas saias comportadas e blusas sem decotes. Só de vez em quando ela abusava das cores mais chamativas, mas geralmente suas roupas são discretas, como uma repórter de televisão usaria.

Fechos os olhos tentando tirar um cochilo.

Sem sono, ligo a gigantesca televisão e com o controle remoto passo os canais. Paro em um filme de romance. Muito bem acompanhada. Já assisti umas quatro vezes, mas não me canso de assistir. De repente a imagem daquele homem toma meus pensamentos. Um arrepio me corre inteirinha.

Sinto-me culpada por ter sido tão desmiolada. Sou bonita, de boa família, com uma boa criação, e quase me entreguei para o desconhecido. A bebida literalmente me derrubou.

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