Respiro fundo, afastando os pensamentos. Não posso me dar ao luxo de parecer vulnerável agora.
—Mais alguma coisa? —pergunto, voltando ao tom prático.
—Não, senhor.
—Então está dispensada. Vá para casa e aproveite a virada do ano com sua família. Ah, e feliz ano novo.
Ela sorri, surpresa com minha atitude.
—Obrigada. E o senhor? Vai para casa também?
— Não é de se admirar que o Réveillon neste hotel é uma das festas mais bem faladas....
Eu sorrio me sentindo muito bem com isso. Tem que ser mesmo, eu praticamente respiro trabalho.
—Sim, é verdade.
—Então Feliz ano novo para o senhor.
O escritório está silencioso agora, e o eco das palavras da minha secretária ainda ressoa na minha mente. "Feliz ano novo para o senhor." Ela saiu, mas sua despedida me deixa pensativo. Olho para a parede à minha frente, mas o que vejo é outra coisa. Memórias invadem, imagens que não consigo apagar.
Hoje cedo, andando pelo hotel, observei algo que me desestabilizou. De trás de um aparador no restaurante, escondido pela sombra do ambiente, meus olhos capturaram um momento íntimo entre um casal de namorados. Eles se olhavam de um jeito tão profundo que parecia que o tempo parava ao redor deles.
E então, o rapaz tirou uma pequena caixinha de veludo. Quando a abriu, os olhos da garota se encheram de lágrimas. Ela se levantou, chorando, e o abraçou como se o mundo tivesse parado para eles.
Passo a mão pelo rosto, tentando apagar essa cena. Por que isso me afeta tanto? Não era para significar nada. Mas significa.
Será que um dia amarei Sila? O pensamento me pesa, uma pergunta que não sai da minha cabeça. A ideia de passar a vida com ela me faz sentir como um prisioneiro. Não há nada de errado com Sila. Pelo contrário, ela tem todas as qualidades que um homem poderia desejar. Boa esposa. Virtuosa. Obediente.
Mas então, por que esses atributos, que deveriam me confortar, me trazem uma inquietação tão profunda?
Olho para dentro de mim mesmo, buscando respostas, mas tudo o que encontro é um vazio crescente. Será que meus antepassados também lutaram com esses sentimentos? Ou aceitaram o casamento arranjado como uma bênção, uma oportunidade?
Lembro daquela garota. Ela. A desconhecida que cruzou meu caminho e mudou tudo. Antes dela, palavras como "atração", "fascínio" e "instinto protetor" eram apenas conceitos. Vazios. Sem forma, sem peso. Agora, essas palavras têm rosto, têm cheiro, têm uma presença avassaladora.
Ômer se mostrou um rapaz muito divertido. Ele adora contar suas piadas turcas. Só que muitas delas fico a ver navios. Não entendo a cultura deles para saber o que elas querem dizer nas entrelinhas.
Almoçamos em família na enorme e luxuosa sala de jantar. Pratos de porcelana, talheres de prata, copos de cristal. Toda mesa forrada por uma toalha linho branco onde pende um lustre majestoso.
O pai de Kayra participou e por isso o silêncio reinou na mesa. Ela me orientou que o pai dela é muito apegado às tradições, e comer é sagrado, então: bico fechado, silêncio total!
Deus! Eu tive que segurar meu riso quando Ômer deu a faca para o senhorzinho e ele cuspiu nela. Abaixo minha cabeça para não rir, tento segurar o vulcão de gargalhadas dentro de mim.
Impossível!
Peço licença e vou ao lavabo, que graças a Deus é distante e solto minha risada.
Cuspir na faca? Deus! Fora os três beijos que Ômer deu no tio.
Hilário!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...