Restaram-me duas alternativas: ou ele era um homem decente, que não quis se aproveitar de mim naquele estado, ou simplesmente não me achou atraente.
Deus! Que loucura.
Sinto uma mistura de culpa e vazio. Culpa por desejar tanto alguém que mal conheço, e vazio porque o cara era... perfeito. Lindo de um jeito quase perigoso. Era exatamente o tipo de homem pelo qual eu me entregaria sem hesitar.
Minha mãe sempre dizia: “Filha, controle-se! Nada de passar dos beijinhos e amassos.” Mas sejamos sinceros: com ele? Isso seria um desafio colossal. Claro, como a boa garota certinha que sou, eu o conheceria antes, talvez por dez encontros inteiros, mantendo tudo no limite.
Dez encontros. Pimba!
O pensamento faz meu corpo esquentar. É como se pegasse fogo só de lembrar daquele estranho.
A memória vem viva na minha mente: que bumbum! Que pernas firmes, ombros largos e aquele sorriso... Ah, aquele sorriso! Ele poderia derreter a pessoa mais racional do mundo.
Dez encontros mesmo? Rio, sabendo que seria um esforço quase sobre-humano.
A casa está toda decorada agora. Flores por toda parte, enfeitando cada canto com um toque sofisticado e cheio de vida. Dois enormes vasos adornam cada aparador, enquanto na sala de jantar um buquê deslumbrante ocupa o centro da imensa mesa.
Lindos!
Após um café rápido, deixamos a mesa, e as empregadas já começam o trabalho de preparação para a festa de Ano Novo. A movimentação é impecável, cada detalhe sendo ajustado com precisão.
Na grande sala, Ômer aparece com partituras que ele imprimiu. Sentamos juntos enquanto reviso cada uma delas. Paro quando vejo uma específica.
—Essa música! — digo, quase suspirando. É uma das minhas favoritas, e no piano... fica simplesmente encantadora.
—Então será essa! — ele decide com um sorriso, mas logo adiciona: — Escolhe mais uma, caso os convidados peçam bis.
Sinto o coração acelerar. Tocar para todos? Deus, já me sinto deslocada sendo apenas uma convidada, imagina exibindo meu talento.
—Sinceramente, não sei se terei confiança para tocar. — Mudo de posição, nervosa, mas a paixão por música logo fala mais alto.
—Vamos até a sala agora — sugere ele, animado. — Toca só para mim e a Kayra, e aí decidimos.
Assinto, não resistindo à ideia de tocar. Afinal, estamos falando de um Steinway Grand Piano! Um piano desses vale em torno de 100 mil dólares, o sonho absoluto de qualquer pianista.
Só de imaginar o som dele, meus dedos já coçam. O toque deve ser sublime, perfeito, incomparável.
Horas mais tarde...
Não sei por que estou tão nervosa. Respiro fundo, tentando me acalmar. Kayra tem sido um doce, Ômer é gentil, e até o pai dela, com toda a sua seriedade, me tratou bem. Meu nervosismo parece sem fundamento.
Passo as mãos trêmulas pelo tecido macio do meu vestido, buscando alguma firmeza. Sorrio para minha imagem refletida no espelho.
— Nada mal. Nada mal mesmo!
Mas a escolha do vestido ainda me inquieta. Não sei por que optei por esse modelo e essa cor. O branco mignon, que parece feito para destacar cada curva, agora me faz sentir exposta.
Besteira minha, claro. O vestido é longo, com um corte elegante e nada revelador. O problema não é o vestido, e sim a minha insegurança. Talvez seja porque sei que Kayra vai aparecer em algo mais discreto — provavelmente opaco, escuro, sem o brilho evidente que o meu tem.
Respiro fundo de novo, tentando relaxar. Meus olhos passeiam pela maquiagem impecável que apliquei com tanto cuidado, pelos fios de cabelo presos no alto da cabeça, com alguns soltos emoldurando meu rosto. Está tudo no lugar, perfeito até.
Uma batida na porta me tira do meu devaneio. Saio do banheiro e vou para o centro do quarto. Quando a porta se abre, Kayra entra, usando um longo vestido negro. Seus olhos me percorrem, surpresos.
— Uau! Que linda!
Eu sorrio, mas a insegurança continua ali, grudada em mim.
— Esse vestido... não está muito chamativo? — pergunto, a voz hesitante.
Vejo que o sorriso de Kayra está um pouco forçado, embora ela tente disfarçar.
— Se ela for como você, vou gostar muito mesmo.
Quando Kayra sai, sento-me na cama e pego meu celular. Há várias mensagens. Uma de mamãe, dizendo que chegou bem na casa de minha tia. Tiro uma selfie em uma posição estratégica, de modo que o ambiente do quarto apareça no fundo. Com um sorriso, envio a foto para ela e escrevo:
Feliz Ano Novo.
Abro a mensagem de Carol e rio ao ver as duas malucas juntas, me mostrando a língua. Eu, ao contrário delas, envio a mesma foto, escrevendo:
Feliz Ano Novo, boa viagem.
Com um suspiro, coloco o celular para carregar. Levanto da cama e caminho até a porta. Abro-a e saio do quarto. No corredor, vejo um homem de paletó negro e camisa branca. Porte elegante. Bem alto. Seus cabelos...
Não! Não! Não pode ser!
Deus, não é possível! Meu corpo congela no mesmo segundo. Um choque elétrico percorre minha espinha, como se o mundo ao redor tivesse parado de girar. Quero sumir. Quero que o chão se abra e me engula. Quero que ele desapareça diante de mim assim que eu piscar os olhos, como a bruxa Samantha.
Ele... é ele.
Meu estômago se revira com o peso da memória que agora se instala como uma sombra, pesada, esmagadora. O mesmo homem. O mesmo que me levou para aquele quarto, me fez perder o controle, e depois, com uma calma que não consegui entender, me respeitou, sim pois eu não me senti violada. Sou virgem e eu teria percebido.
O mesmo que eu, com a cabeça turva pela bebida, quis esquecer logo após aquele momento. E agora ele está aqui, diante de mim.
Antes que eu consiga reagir, ele gira a cabeça e me avista. A princípio, ele fica estático, os lábios se abrem, e a surpresa toma conta dele, como se ele também tivesse sido pego de surpresa. Ele parece nem respirar, totalmente fora do ar, como se a realidade fosse mais difícil de digerir para ele do que para mim.
Mas então, a transformação. Sua expressão se endurece, seus lábios se fecham com força, os dentes se travam, e seus olhos passam a me lançar um olhar de pura frieza. Ele me observa com tal intensidade que meu corpo parece congelar. Uma onda de gelo me atravessa, me paralisando, me tornando pequena sob aquele olhar.
Eu queria gritar, queria correr, mas não consigo. O olhar dele me prende, me arrasta para um lugar sombrio e gelado onde sou nada mais do que uma observadora, sem controle.
Eu mal consigo respirar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...