Okan
Ela era virgem. Não a garota ousada que, teimosamente, eu quis acreditar que fosse.
Agora, a culpa me devora, corrói meu estômago, e a sensação de crápula que me persegue não me dá trégua.
Passo a mão pelos olhos, como se pudesse apagar o que aconteceu.
Allah, perdoe-me!
Nunca permiti que emoções complicassem minha vida. Não podia. Meus costumes, minhas tradições, a promessa que fiz ao meu pai — casar-me com uma mulher do nosso povo — sempre foram minhas âncoras. Evitar envolvimentos emocionais foi uma decisão consciente. Simples. Racional.
Até agora.
Emily... ela abalou tudo. Minhas certezas, minhas defesas, o muro que construí em torno de mim. Agora sou um idiota confuso, perdido entre o desejo que me consome e a culpa que me dilacera.
Levo as mãos ao rosto mais uma vez, frustrado.
Ter Emily nos braços foi como encontrar algo que nem sabia estar procurando. O encaixe perfeito de duas almas. Não foi só sexo. Não foi apenas desejo. Foi uma conexão. Algo tão profundo que quase me assusta.
Quantas pessoas passam a vida inteira buscando o que senti com Emily?
E eu... tive. Por uma noite. Uma única noite.
Foi intenso. Allah, tão maravilhosamente bom que pareceu quase sobrenatural.
Mas ao mesmo tempo, brutal. Fecho os olhos e vejo o rosto dela. Seu olhar perdido, confuso, marcado pela inocência que eu tomei sem delicadeza, sem o cuidado que ela merecia. Um animal. Foi assim que agi. Queria ter ido devagar, ter sido mais gentil, ter dado a ela um momento digno, perfeito.
Agora a culpa está me matando.
Como ela vai lidar com isso? Não consigo esquecer o conflito que vi nos olhos dela.
Sinto o cheiro dela na minha pele. Ainda estou aqui, deitado, sem conseguir me mover, sem nem cogitar tomar banho. Eu quero sentir Emily em mim, como se pudesse prolongar o que tivemos.
Será que foi apenas luxúria? Seria tão mais fácil acreditar nisso. Simples. Prático. Apenas um desejo intenso que se consumou. Mas não. Não foi apenas isso. Há algo mais. Algo que me liga a ela de um jeito que não sei explicar.
Emily é como uma droga. Quanto mais você a tem, mais quer.
E não é só o corpo dela. Não são só seus olhos, lindos e angelicais, ou o sorriso doce que me desarma. Há algo dentro dela, algo que me atrai, me prende, me destrói lentamente.
Emily.
Uma menina-mulher que bagunçou meu mundo desde o primeiro olhar. No instante em que a vi, eu a desejei. Sua beleza inocente me confundiu, mas, em vez de ouvir meu coração, testei-a, como se buscasse uma desculpa para o que sentia. Quando ela aceitou sair comigo tão prontamente, me convenci de que estava certo. Que de inocente ela não tinha nada.
Allah, como fui cego.
Naquela noite, no caminho até o hotel, meu coração me alertava, me avisava para deixá-la ir. Eu deveria tê-la levado para casa, mas, em vez disso, permiti que a luxúria me guiasse. Tirei sua virgindade com a brutalidade de um homem cego pelo desejo. Quando a verdade me atingiu, foi como um soco. O que eu fiz?
Agora, a culpa me define. Um cafajeste que se aproveitou da sua juventude e inocência.
Esgotado.
Impaciente.
Impotente.
Perdido.
Essas palavras me descrevem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...