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Romance Proibido romance Capítulo 50

Kayra meneia a cabeça e ri com deboche.

—Outra cultura? Nunca! Meu pai não permitiria. Já teve mesclas e não deu certo. Acabou em separação. Por isso ele nos fez prometer que nos casaremos com pessoas que seguem nossos costumes.

Ela fala com tanto orgulho que chega a me enojar. A doce garota se transforma diante de mim, uma defensora feroz das tradições familiares.

—E você acha que ele está feliz com essa situação? — Pergunto, a voz mais baixa, como se tentasse arrancar a verdade.

Kayra dá de ombros, indiferente.

—Não! Realmente ele parece desconfortável com isso. Ele estava acostumado a vida regrada de mulheres. Saídas clandestinas, casos. É por isso que ele está infeliz. Acabou isso! Ele vai criar raízes e agora a comidinha será caseira. Mas isso passa. Já estava na hora de ele tomar jeito.

As palavras dela me atingem como uma facada. Sinto-me uma idiota, uma peça descartável na vida de Okan. Claro que sou mais uma. Claro que o que tivemos não significou nada para ele. Não me engano mais, e me forço a lembrar: Você sabia disso. Se entregou porque quis.

Assinto para Kayra, séria, sem mais nada a dizer. O que eu poderia falar?

Okan

Claro que Emily não sabia do meu noivado. Lembro-me claramente do que ela disse certa vez: Eu detesto traição.

Penso nisso enquanto abro o capô do carro dela.

E, mesmo assim, fui incapaz de enxergar o óbvio. Também, que surpresa? Kayra fala pelos cotovelos e, mesmo assim, não tocou no assunto. Nem mesmo Ômer comentou algo com ela. Provavelmente estava mais interessado em falar de si mesmo, com o interesse óbvio que tem por Emily.

Aperto os lábios, irritado. Estou sozinho aqui fora. Emily está no quarto, fazendo suas malas, e Kayra está com ela. O ar gelado corta meu rosto enquanto trabalho, mas isso não importa.

Estou usando um casaco pesado, que me protege do frio, mas minhas mãos estão expostas enquanto saboto o carro dela.

Pronto.

Fecho o capô e limpo a graxa das mãos com um pano, olhando ao redor. Tudo está tranquilo. O sol brilha acima, mas não deveria. Você não deveria ter aparecido hoje.

Não gosto de trapacear, mas este é o único jeito de mantê-la aqui.

Por que estou fazendo isso?

Porque algo em mim mudou em relação a ela. Tenho quase certeza de que não foi apenas luxúria que a fez se entregar para mim. Preciso entender o que estamos sentindo, e preciso dessa conversa para seguir minha vida sem olhar para trás.

Ela se veste de forma provocante, não mede palavras, e provavelmente tem amizades masculinas, algo que seria um problema para mim. Mesmo assim, pelas conversas que ouvi, ela não parece ter nenhum amigo agora.

Ainda assim, ela me intriga. E, pela primeira vez, não sei o que fazer.

Há muitas coisas entre nós. Apesar da paixão arrebatadora que Emily provoca em mim, há algo igualmente claro: temos pouquíssima convivência para que eu possa considerar terminar meu noivado. Além disso, ela é muito jovem, e essa diferença de maturidade me deixa inseguro.

Mesmo assim, aqui estou eu, no frio, sabotando o carro dela. Tudo isso porque preciso de uma conversa definitiva com essa mulher que sequestrou meus pensamentos.

Sinceramente, não compreendo o que Emily tem que faz meu coração disparar dessa maneira. O que há nela que me faz sentir algo que nunca senti antes? A intensidade dessa conexão é algo que não consigo explicar nem a mim mesmo.

Talvez eu esteja sendo egoísta. Talvez fosse mais sensato deixá-la ir, permitir que ela siga sua vida sem as complicações que trago. Seria o certo, eu sei. Mas não consigo. Não quero.

Preciso falar com Emily. Preciso entendê-la, entender o que está acontecendo entre nós, para que eu consiga seguir com minha vida sem olhar para trás.

E tenho uma proposta a fazer a ela.

Espero que ela me ouça. Espero que ela me entenda. E, acima de tudo, espero que ela aceite.

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