No dia seguinte, o rosto abatido de Okan diz tudo: ele não teve uma boa noite de sono. E eu também não. Passei horas revirando na cama, revivendo os últimos acontecimentos desde o momento em que o conheci.
— Seu carro está pronto. — Ele declara com o semblante frio, uma máscara perfeita que não deixa transparecer nada além de neutralidade.
Kayra sorri, um sorriso caloroso que tenta, em vão, aliviar o ambiente.
— Eu não disse que ele entendia de carros?
Aceno de leve, incapaz de confiar na minha própria voz. Kayra se vira para mim, me abraça com força, e eu sinto sua preocupação em cada movimento.
— Quando chegar em casa, me liga.
Esforço-me para abrir um sorriso que parece mais falso do que gostaria.
— Claro.
Okan se aproxima, o olhar duro e desgostoso cravado em mim. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele pega minha mala e segue em direção ao carro. Meu coração pesa, mas meus pés se recusam a seguir de imediato. Corro as mãos no casaco, num gesto nervoso, e me viro para o senhor Ibraim, ainda parado na sala.
— Adeus, senhor Ibraim. Obrigada por tudo.
Ele apenas ergue a mão, mostrando a palma em um gesto seco, como se dissesse: Já vai tarde... Não espero nada diferente. Ele só permitiu minha estadia por causa da insistência de Kayra.
Na varanda, dou a ela um beijo e um abraço apertado. Quando me viro, reparo na fumaça branca saindo do escapamento. Okan já ligou o carro para mim. Ele me espera ao lado dele, uma figura alta, imponente, quase inalcançável. Respiro fundo, tentando ignorar a sensação sufocante de perda que cresce no meu peito.
Minhas mãos tremem quando puxo o casaco para me proteger do frio, ou talvez de mim mesma. Cada passo em direção ao carro parece pesar uma tonelada. Meus pensamentos são um turbilhão. Será que é apenas fascínio? O tempo apagaria isso?
Evito encarar seus olhos, sabendo que me perderia na intensidade deles. Olhar para Okan é como mergulhar em águas profundas e proibidas. Cada vez que o faço, sinto uma onda de desejo que rouba meu ar, minha razão. Mas, perto dele, a tentação é mais forte. Procuro seus olhos, e o que encontro é diferente: firmeza, determinação.
— Pense no que eu te disse.
— Ainda com isso? — Minha voz sai como um murmúrio carregado de cansaço.
— Por que é tão difícil entender? Meu noivado não é o que você pensa. Minha proposta não é absurda. Eu nem me encontraria com ela enquanto estivéssemos nos conhecendo melhor.
— Você a estaria enganando. Continuaria noivo.
Ele suspira, pesado, como se lutasse contra si mesmo.
— Para sua noiva, que te venera, ele existe.
Ele inspira fundo, a tensão marcando cada músculo de seu corpo.
— Deixei meu cartão no carro, caso mude de ideia.
Sorrio, um sorriso gélido que tenta disfarçar a dor no meu peito.
— Adeus, não vou mudar de ideia.
Entro no carro, fazendo exatamente o que o bom senso exige. Dou ré e, ao passar pela varanda, aceno uma última vez para Kayra.
Mudar de ideia? Conversar? Sei bem onde isso vai terminar. Na cama. E, mais cedo ou mais tarde, ele perceberá que somos incompatíveis, que sou diferente demais para ele levar a sério. Então me descartará sem dó, e meu coração se partirá em mil pedaços.
Por um momento, a raiva me invade. Raiva de mim mesma, por recuar diante do que ele provoca em mim. Algo dentro de mim grita para jogar tudo para o alto, descobrir até onde essa paixão pode me levar.
Mas sigo em frente, lutando contra essa loucura que ameaça me consumir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...