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Romance Proibido romance Capítulo 70

Emily

Ele solta um suspiro pesado. Seu semblante permanece calmo, mas a tensão é visível. O maxilar tenso e a intensidade de seu olhar denunciam a luta interna.

— Você se propôs a me ouvir. Eu ainda não terminei o que tenho a dizer.

Eu solto o ar com angústia, o medo me corroendo. O cheiro dele ainda está no ar, o calor da sua presença me apertando o peito. Sinto saudade, uma saudade insuportável que quase me rasga por dentro. Só quero sair daquele escritório o mais rápido possível, mas, mesmo assim, respondo:

— Tudo bem.

Ele solta mais um suspiro.

— Como deve saber, meu noivado com Sila acabou.

O nome dela, associada ao seu egoísmo, me provoca uma risada amarga, quase debochada.

— Quer que eu converse com ela? Talvez ajudá-lo a se reconciliar com sua noivinha?

Okan me olha, a raiva evidente no seu olhar.

— Emily, fica difícil assim. Quem disse que quero voltar com ela? Ela fez um escândalo aqui, no meu restaurante, fingindo que havia terminado comigo. Mas, no carro, quis voltar, e eu recusei.

Eu reviro os olhos, desconfiada.

— Não sei. Se você queria enganá-la comigo, como posso saber que está falando a verdade? Sei bem o quanto um filho pode mudar a visão de um homem turco.

As palavras que saem da minha boca são cortantes, e vejo o quanto elas o atingem. Há um certo prazer nisso, o gosto amargo da vingança me alimenta. Quero que ele sofra.

— Esqueça que sou turco! — Ele grita, a frustração estampada em cada palavra.

Okan

A saudade lateja dentro de mim, cada palavra dela me fere como uma lâmina afiada. Sei que agi errado, que fui cego e arrogante. Mas também sei que a amo. Meu coração dói com a frieza dela, mas ainda assim, continuo tentando.

— Emily, estou sendo sincero. Eu não queria Sila, você é a mulher que não sai dos meus pensamentos. Eu percebi que meus sentimentos por você não mudaram. Eu posso dizer com todas as palavras que te amo.

Vejo a expressão fria dela se desfazer por um momento. Ela se levanta, e, antes de me virar para continuar, vejo a dor refletida em seus olhos.

— Você sabe o que é amor, por acaso? Sabe mesmo?

Eu me levanto também, o medo de chorar me engole, e sinto a dor sufocar a minha garganta. Eu nunca chorei por mulher nenhuma. Tento manter a voz firme, quase embargada.

— Sente-se, por favor. Você vai me ouvir ou não?

Ela me encara, alterada, mas acaba se sentando novamente, a postura ainda defensiva.

— Se acalme, ok? Você está muito nervosa. Isso não é bom para o nosso filho.

Ela funga, mas não diz nada. Eu, com todo o tato do mundo, tento de novo:

— Sei que passei a impressão errada na mesa. Você achou que eu estava tentando consertar as coisas com Sila, mas não era isso. Quando te vi, todas as nossas lembranças afloraram de uma vez, e os sentimentos que eu tentei esconder se tornaram ainda mais intensos. Eu não consegui disfarçar. E foi aí que percebi que estava me enganando. Sila me questionou quem você era, justamente quando ela me cobrava mais da nossa relação. Foi naquele momento que eu entendi que eu não estava com ela porque queria, e sim porque achei que poderia esquecê-la. Foi quando eu decidi terminar com ela. Então falei sobre você, contei tudo. Por isso não fui falar com você antes. Eu precisava resolver as coisas com ela primeiro.

Eu meneio a cabeça, cética.

— Okan, não vejo como isso pode mudar as coisas.

Eu solto o ar pesadamente, o peso da frustração e da raiva se intensificando. Vejo que nem isso moveu seu coração. Minha angústia se reflete em meu olhar. Continuo:

— Tem mais. Eu saí daqui decidido a conversar com meu pai, a me eximir da promessa que fiz a ele: me casar com uma mulher turca. E fiz isso. E foi aí que, para minha surpresa, Sila apareceu na minha casa. Muito ardilosa, ela contou tudo o que aconteceu entre nós ao meu pai.

Emily

Meu coração dispara. O que ele diz me abala. As palavras que ele fala, que eu nunca imaginei ouvir, me deixam desconcertada. Em meus sonhos mais secretos, sempre me vi apaixonada por Okan, imaginando-o lutando por mim, enfrentando todos para ficarmos juntos. Mas agora, tudo parece estar acontecendo tarde demais.

— Que age como um garoto imaturo, um perfeito babaca. — Digo, com a língua afiada.

Okan solta o ar e sorri. Ele se recosta na cadeira, olhando para o chão, exausto. Desistiu? Será que ele realmente desistiu tão fácil? Meu coração agitado começa a desacelerar, e a raiva começa a se dissipar.

Ele ergue os olhos, e me encara com uma calma que me confunde.

— Quando o amor fala mais alto, um se adéqua ao outro. Tudo é questão de conversar.

— Bem, ouvi tudo o que você tinha a dizer. O que espera de mim? Que eu te aceite, mude meu guarda-roupa para te agradar? Que enfrente sua família por você, mesmo quando eles me olharem torto? Que eu me sacrifique por você?

Ele respira fundo, quase como se estivesse se preparando para a resposta mais difícil de sua vida.

— Quero que se case comigo.

Eu piscaria se minhas palavras não estivessem tão carregadas de incredulidade.

— Entendo que queira, afinal, carrego um filho seu. Conheço bem vocês turcos.

— Emily, eu te amo. Será que não entendeu isso?

Meu coração dispara, a dúvida me engolindo. Eu acuso, com dor em cada sílaba:

— Você me conhece muito pouco para dizer que me ama.

— Sei que amo. Desde que nos separamos, nunca deixei de pensar em você. Nem uma única vez.

— Que goste de mim, Okan. Que tenha feito tudo isso por causa do seu pai, por causa da saúde dele. Isso eu entendi. Mas a questão é que você esperou tudo explodir para perceber isso. Você entende?

Ele solta um suspiro, a frustração estampada em seu rosto.

— Eu sei. Fui arrogante demais, achei que conseguiria te esquecer. Lutar por você era algo complicado. Reconhecer que te aceitava do jeito que você é também. — Ele abaixa a cabeça, e por um momento parece derrotado. Mas quando ergue o rosto, a tristeza o domina. — Não vê que quero me redimir?

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