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Romance Proibido romance Capítulo 74

Ele entorta o nariz, a expressão carregada de curiosidade e provocação.

— Isso explica aquela bebedeira que presenciei na festa? Tem certeza que não gostava dele? Você não ficou magoada nem um pouquinho?

— Sim, de certa forma fiquei. Mas, como disse, me embebedei com raiva de mim e pelas coisas que ouvi dele. Dei-me conta de que teria poupado tudo isso se não tivesse me acomodado na relação. Precisei ser traída e ouvir que eu era fria, um iceberg, para finalmente terminarmos.

Okan, que me observa sério e carrancudo, suaviza a expressão ao assimilar minhas palavras. Como se o peso que eu carrego se transformasse em um alívio para ele. Ele gostou de ouvir isso, adorou saber que eu não gostava tanto assim do meu ex como ele temia.

E então, ele exibe aquele sorriso arrogante.

— Allah! Fria? Iceberg? Você?

Assinto lentamente, vendo o brilho de satisfação no olhar dele, quase como se ele estivesse comemorando internamente. O homem turco à minha frente não consegue esconder a felicidade que minhas palavras lhe proporcionam.

— Sim. Comecei até a acreditar que fosse verdade... mas isso foi antes de conhecer você.

Ele avança um pouco mais, segurando meu queixo entre o polegar e o indicador, seus olhos prendendo os meus em uma corrente invisível.

— Sabe o que acontece quando duas placas tectônicas se aproximam? — pergunta com a voz grave e sedutora. — Elas provocam altas chamas, vulcões, terremotos, maremotos, tsunamis. É isso que provocamos juntos, minha doce Emily.

Um arrepio percorre minha espinha. Sua voz é um convite perigoso, uma promessa envolta em doçura e caos.

— E você, Okan? Quantos corações já quebrou por aí? — pergunto, forçando um tom leve, tentando recuperar algum controle na conversa que escapa das minhas mãos.

Ele ri, uma risada baixa e rouca que reverbera no ambiente, carregada de mistério e algo que não consigo definir.

—Mais do que gostaria de admitir. Mas nenhum deles era o certo. Nenhum deles era você.

Meu rosto se aquece com suas palavras, meus olhos brilham nos dele. Ele ri e seus lábios mordiscam os meus. Uma de minhas mãos, como se tivesse vontade própria, alisa o peito dele. Okan a captura e a leva aos lábios, depois de depositar um beijo nela, diz rouco:

—Não me provoque Emily. Eu fico fora de mim e você sabe disso.

Eu dou-lhe um meio sorriso não muito preocupada com seu alerta. Estamos na rede, na minha casa, o que pode acontecer?

Meus olhos focam os lábios entreabertos dele com sua respiração agitada, seus olhos também focam os meus. Seu rosto então desce e ele me dá um beijo lento, exploratório, aos poucos vai aumentando seu vigor, se transformando em selvagem, apaixonado.

Eu posso sentir o tamanho do seu desejo quando sua mão se move para a minha nuca, agarrando um puxando dos meus cabelos forçando uma resposta maior dos meus lábios e qualquer outro pensamento fica difícil, e eu começo a corresponder com todo meu amor. Os meus lábios se movem sobre os dele apaixonadamente. Mais do que nunca adorando provar a maciez deles, o calor e a umidade maravilhosa de sua boca.

Sua mão quente passa pelas minhas costas, me fazendo me deitar me inclinar mais em sua direção, ajustando o meu corpo contra o dele.

Os lábios dele se afastam dos meus e, quando penso que ele parou, ele toma a minha mandíbula e desce até encontrar o meu pescoço. Ele o mordisca, lambe, me provoca. Fecho os olhos com força com o desejo intenso que ele me provoca.

Deus! Esse homem é fogo puro!

Com o semblante triste ele relata então a morte prematura de sua mãe. Ela morreu com quarenta e quatro anos de ataque cardíaco. Okan tinha vinte quatro anos e Kayra dez anos de idade.

Ele dá um suspiro quando por fim começa a me contar da preocupação de seu pai em manter os costumes de seu país de origem vivos. E de como o pouco tempo que ele tinha de folga, ficava ouvindo os ensinamentos de seu pai sobre a cultura turca, encucando nele o amor por Allah e seu povo.

Então ele deu um suspiro amargo quando me diz que ele não respeitou isso, que saiu com algumas mulheres. Então me relata a promessa feita ao seu pai, quando ele tinha apenas dezessete anos de idade: em se casar com uma mulher Turca. Conta então, com o semblante sério como encarou isso na época: Dever, praticidade = seu pai feliz, seus costumes preservados.

Fico a olhar para ele, com uma grande compreensão do homem que Okan tinha se tornado e como foi difícil para ele assimilar que estivesse gostando de uma mulher que era ao contrário de tudo que ele teve como princípio.

Pude ver seu pai batalhando pela família e querendo a fidelidade dos filhos em preservar os costumes em troca de seu tamanho empenho e dedicação.

Eu pude ver também os anos se passando, seu pai comprometido em passar esse legado fazendo de Okan um homem frio e prático, com uma visão totalmente distorcida das mulheres que não fosse de sua cultura. Mulheres como eu, eram para serem usadas apenas para o seu bel prazer e depois descartadas. Seu coração deveria ter uma armadura, protegido e guardado apenas para ser entregue à sua esposa turca.

Percebi que Okan quebrou toda a minha resistência no momento que eu passei entendê-lo melhor. E muito mais que isso, vejo que para ele é tudo sim, sim. Não, não. Não há meio termo.

E que o fato de ele me assumir, se tornou algo para valer. Fora isso, ele me passou uma veracidade nos seus gestos e suas palavras incontestáveis.

Como lutar com algo assim?

Bem, mas mesmo diante de tudo isso, eu não quero apressar o casamento e me casar como os turcos fazem. De olhos fechados. Eu preciso desse tempo com ele. Quero que nosso amor seja testado.

—O que foi? Você ficou séria de repente?

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