Na estrada, Liam conduzia o carro em silêncio. O ar dentro do veículo parecia pesado; de tempos em tempos, um olhava para o outro sem perceber. Olívia mantinha a testa encostada no vidro frio, tentando controlar o enjôo. Quando o carro parou diante de uma loja de noivas luxuosa, ela ergueu os olhos, surpresa.
— O que viemos fazer aqui? — perguntou, a voz baixa.
— Você precisa de um vestido para se casar. — respondeu Liam, sem olhar.
— E tinha que me trazer justamente aqui? — retrucou.
Entraram. A mãe de Camila os recebeu com entusiasmo.
— Senhor Liam, é uma honra recebê-lo. Já separamos os vestidos dos melhores estilistas. Olívia querida, seu sonho vai se realizar. Você vai se casar, assim como minha preciosa filha. Hoje ela viaja para a lua de mel. Peter organizou tudo como ela merece: uma semana no Rio de Janeiro. — disse, radiante.
Olívia sentiu um aperto no peito. Liam percebeu e, frio, passou o braço pela cintura dela.
— No Rio de Janeiro qualquer classe média vai. — disse. — Mas uma mulher como Olívia merece o mundo.
A mãe de Camila corou.
— Para onde vai levá-la? — perguntou, tentando se recompor.
Liam olhou para Olívia.
— Suíça. — respondeu sem hesitar. — Um lugar romântico, discreto, luxuoso. Onde poucos podem entrar.
— Vamos começar? — a mulher mudou de assunto.
Olívia experimentou vários vestidos. Nenhum agradava a Liam. Por fim, a mulher disse:
— Já sei de um que é digno de uma noiva de bilionário. — Saiu e voltou com um modelo exclusivo.
Olívia tocou no tecido, em choque. Era exatamente o vestido que estava vendo na internet quando achava que ia se casar com Peter. Entrou no provador. Ao ver-se no espelho, lágrimas rolaram silenciosas.
“Estou vivendo o que sonhei a vida inteira… mas tudo não passa de uma farsa. Um contrato.”
Saiu. Liam falava ao telefone. Ao vê-la, calou-se, desligou. Ficou imóvel, os olhos verdes fixos nela. Caminhou até Olívia, arrumou-lhe os cabelos, segurou-lhe o rosto.
— Você é a noiva mais deslumbrante que este país já viu — disse, para todos ouvirem.
Ela engoliu em seco. O olhar dele parecia o de um homem apaixonado. Lembrou-se do que Victor havia dito; um frio percorreu-lhe. Liam se inclinou e a beijou nos lábios. Não foi uma encenação barata, mas um beijo firme e seguro. Quando se afastou, sussurrou ao ouvido dela, a voz baixa e cortante:
— A mídia precisa parar de repetir que você ainda alimenta sentimentos pelo seu ex. Isso não é bom para os meus negócios. Tem fotógrafos lá fora. Sorria.
Olívia olhou pelo vidro. De fato, havia lentes apontadas, flashes discretos piscando no fundo. Ela respirou fundo e endireitou os ombros.
— Claro, seus negócios. — disse.
— Vamos levar este. — concluiu Liam.
À noite, Olívia terminava de se arrumar. Ana entrou no quarto.
— Liam já chegou, filha. Ele é tão gentil. Seu pai está amando conversar com ele. Trouxe um presente para todos nós. — contou, animada.
Olívia forçou um sorriso.
— Ele é muito gentil, mãe. — disse.
— Nossa filha, você está lindíssima. — completou Ana.
Quando Olívia entrou na sala de estar, Liam se levantou e deu um selinho nela.
— Não canso de dizer que você está linda, amor. — disse.
Fabrício sorriu.


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