No outro dia, o celular tocou no criado-mudo, quebrando o silêncio pesado do quarto. O relógio marcava dez horas da manhã de sábado. Ainda sonolenta, Olívia esticou o braço, pegou o telefone e atendeu.
— Em uma hora o motorista vai buscá-la. — a voz grave de Liam soou do outro lado, fria, sem cumprimentos.
Antes que pudesse responder, a ligação foi encerrada. Ela ficou olhando para a tela apagada, atônita.
— Você é insuportável… — murmurou para si mesma, largando o aparelho no colchão.
Respirou fundo, levantou-se, tomou um banho e depois começou a se arrumar. Enquanto escovava o cabelo, o reflexo no espelho mostrava uma mulher que parecia mais velha do que uma semana atrás. O cansaço dos enjoos, a ansiedade, o segredo e agora aquele homem impondo horários. Passou um batom discreto, vestiu um conjunto leve e desceu.
Na sala de jantar, o cheiro de café recém-passado e bolo fresco se misturava ao aconchego do lar. Fabrício a cumprimentou com um sorriso caloroso.
— Bom dia, minha Pérola. — disse, abrindo os braços. — Dormiu bem?
Ela se inclinou, deu um beijo na bochecha dele.
— Dormi, pai. — respondeu, escondendo o enjoo que ameaçava subir.
Ana colocou um prato à frente dela, animada.
— A cozinheira fez o bolo que você mais gosta. — anunciou, servindo um pedaço generoso.
O cheiro doce embrulhou o estômago de Olívia, mas ela respirou fundo e forçou um sorriso. Precisava manter as aparências.
— Que delícia, mãe. — disse, cortando um pedaço pequeno com o garfo e levando à boca devagar.
Fabrício olhou para ela com ternura.
— Que horas o Liam vem? — perguntou, mexendo no café.
Olívia engoliu com esforço.
— Só à noite. Ele vai jantar conosco. — respondeu, tentando soar neutra.
Victor entrou suado da corrida, pegou um pedaço de bolo com as mãos.
— Filho, vai lavar as mãos. — repreendeu Ana, rindo.
Victor revirou os olhos, mas antes de sair, comentou:
— Liv, o motorista do Liam já está te esperando lá fora. Mana, que carrão ele veio buscar você. — sorriu com admiração.
Fabrício fitou-a com atenção, a preocupação evidente no olhar.
— Vai sair, meu amor? — perguntou, preocupado.
— Vou, papai. Liam e eu precisamos resolver umas coisas. — disse, levantando-se.
Ana segurou a mão dela, apertando com carinho.
— Filha, sinto que você será muito feliz com o Liam. Nunca vi futuro com o Peter, sempre te falei isso. — disse, sincera.
Olívia forçou um sorriso, mas por dentro murmurava: “Se a senhora soubesse o monstro que Liam é, mãe…”
Victor voltou para a mesa e sorriu.
— Oli, dessa vez você escolheu certo. Vi as fotos do casamento e, olha, o olhar do Liam para você é de homem apaixonado. Nem aquele insuportável do Peter te olhava assim.
— Depois iremos conversar, Victor. — disse Olívia, abraçando o irmão com força.
Ela despediu-se de todos, abraçou o pai com cuidado e saiu. O motorista abriu a porta do carro, ajudando-a a entrar. Durante o trajeto, o enjoo piorou. Foram obrigados a parar no acostamento para que ela pudesse vomitar.
Liam ligou para Olívia; como ela não atendeu, ligou para o motorista.
— Onde vocês estão? — perguntou, impaciente.
— Senhor, tivemos que parar. A senhora Olívia está passando muito mal, está vomitando neste momento. — explicou o motorista.
— Entendi. Dê todo o suporte que ela precisar. — respondeu Liam, agora com a voz mais calma, antes de desligar.
Quando enfim chegou à cobertura, Olívia tocou a campainha. Liam abriu a porta e a viu pálida, quase desmaiando. Sem dizer nada, passou um braço sob as pernas dela e a ergueu.
— Você é fraca demais. — disse, levando-a para o quarto e sentando-a na cama, apoiando travesseiros atrás das costas.
Ela respirou fundo, tentando se recompor, mas correu para o banheiro ao sentir o estômago revirar. Vomitou de novo. Liam entrou atrás dela, segurou-lhe os cabelos com uma das mãos, a outra na cintura para que não perdesse o equilíbrio. Quando terminou, apontou para a gaveta.
— Tem escova de dente ali. — disse, saindo do banheiro para lhe dar privacidade.
Quando ela saiu, ele estava sentado numa poltrona, tenso, com os cotovelos nos joelhos.
— Já marquei consulta para você. — anunciou.
Olívia estreitou os olhos.
— Não quero. Eu já tenho minha obstetra. — retrucou, ainda fraca.


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