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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 9

No outro dia, o celular tocou no criado-mudo, quebrando o silêncio pesado do quarto. O relógio marcava dez horas da manhã de sábado. Ainda sonolenta, Olívia esticou o braço, pegou o telefone e atendeu.

— Em uma hora o motorista vai buscá-la. — a voz grave de Liam soou do outro lado, fria, sem cumprimentos.

Antes que pudesse responder, a ligação foi encerrada. Ela ficou olhando para a tela apagada, atônita.

— Você é insuportável… — murmurou para si mesma, largando o aparelho no colchão.

Respirou fundo, levantou-se, tomou um banho e depois começou a se arrumar. Enquanto escovava o cabelo, o reflexo no espelho mostrava uma mulher que parecia mais velha do que uma semana atrás. O cansaço dos enjoos, a ansiedade, o segredo e agora aquele homem impondo horários. Passou um batom discreto, vestiu um conjunto leve e desceu.

Na sala de jantar, o cheiro de café recém-passado e bolo fresco se misturava ao aconchego do lar. Fabrício a cumprimentou com um sorriso caloroso.

— Bom dia, minha Pérola. — disse, abrindo os braços. — Dormiu bem?

Ela se inclinou, deu um beijo na bochecha dele.

— Dormi, pai. — respondeu, escondendo o enjoo que ameaçava subir.

Ana colocou um prato à frente dela, animada.

— A cozinheira fez o bolo que você mais gosta. — anunciou, servindo um pedaço generoso.

O cheiro doce embrulhou o estômago de Olívia, mas ela respirou fundo e forçou um sorriso. Precisava manter as aparências.

— Que delícia, mãe. — disse, cortando um pedaço pequeno com o garfo e levando à boca devagar.

Fabrício olhou para ela com ternura.

— Que horas o Liam vem? — perguntou, mexendo no café.

Olívia engoliu com esforço.

— Só à noite. Ele vai jantar conosco. — respondeu, tentando soar neutra.

Victor entrou suado da corrida, pegou um pedaço de bolo com as mãos.

— Filho, vai lavar as mãos. — repreendeu Ana, rindo.

Victor revirou os olhos, mas antes de sair, comentou:

— Liv, o motorista do Liam já está te esperando lá fora. Mana, que carrão ele veio buscar você. — sorriu com admiração.

Fabrício fitou-a com atenção, a preocupação evidente no olhar.

— Vai sair, meu amor? — perguntou, preocupado.

— Vou, papai. Liam e eu precisamos resolver umas coisas. — disse, levantando-se.

Ana segurou a mão dela, apertando com carinho.

— Filha, sinto que você será muito feliz com o Liam. Nunca vi futuro com o Peter, sempre te falei isso. — disse, sincera.

Olívia forçou um sorriso, mas por dentro murmurava: “Se a senhora soubesse o monstro que Liam é, mãe…”

Victor voltou para a mesa e sorriu.

— Oli, dessa vez você escolheu certo. Vi as fotos do casamento e, olha, o olhar do Liam para você é de homem apaixonado. Nem aquele insuportável do Peter te olhava assim.

— Depois iremos conversar, Victor. — disse Olívia, abraçando o irmão com força.

Ela despediu-se de todos, abraçou o pai com cuidado e saiu. O motorista abriu a porta do carro, ajudando-a a entrar. Durante o trajeto, o enjoo piorou. Foram obrigados a parar no acostamento para que ela pudesse vomitar.

Liam ligou para Olívia; como ela não atendeu, ligou para o motorista.

— Onde vocês estão? — perguntou, impaciente.

— Senhor, tivemos que parar. A senhora Olívia está passando muito mal, está vomitando neste momento. — explicou o motorista.

— Entendi. Dê todo o suporte que ela precisar. — respondeu Liam, agora com a voz mais calma, antes de desligar.

Quando enfim chegou à cobertura, Olívia tocou a campainha. Liam abriu a porta e a viu pálida, quase desmaiando. Sem dizer nada, passou um braço sob as pernas dela e a ergueu.

— Você é fraca demais. — disse, levando-a para o quarto e sentando-a na cama, apoiando travesseiros atrás das costas.

Ela respirou fundo, tentando se recompor, mas correu para o banheiro ao sentir o estômago revirar. Vomitou de novo. Liam entrou atrás dela, segurou-lhe os cabelos com uma das mãos, a outra na cintura para que não perdesse o equilíbrio. Quando terminou, apontou para a gaveta.

— Tem escova de dente ali. — disse, saindo do banheiro para lhe dar privacidade.

Quando ela saiu, ele estava sentado numa poltrona, tenso, com os cotovelos nos joelhos.

— Já marquei consulta para você. — anunciou.

Olívia estreitou os olhos.

— Não quero. Eu já tenho minha obstetra. — retrucou, ainda fraca.

Liam não desviou o olhar.

— Enquanto estiver carregando meu filho e o contrato estiver em vigor, sim — respondeu Liam, a voz baixa e cortante. — Você será a senhora Holt. Não se esqueça disso.

Alex estendeu a caneta para ela.

— Se a senhorita leu tudo e estiver de acordo, assine as três vias, por favor. — disse, formal.

Olívia olhou de um para o outro, o coração pesado.

— Lendo ou não, eu não tenho outra escolha — murmurou, com amargura. — O seu cliente está me comprando.

Assinou. A caneta tremia em sua mão.

— Vou embora. — disse, levantando-se.

— Eu não te liberei, Olívia. — respondeu Liam, frio. — Temos outro assunto para resolver.

— Claro. — ela bufou. — Esqueci que agora sou um objeto nas tuas mãos e não tenho vontade própria.

Alex soltou uma risada curta. Liam lançou-lhe um olhar de aviso.

— A mesa do café já está posta. Coma algo para sairmos. — disse.

— Não estou com fome. — respondeu Olívia.

— Não é um pedido, Olívia. É uma ordem. — disse ele.

— Até na minha alimentação você vai mandar? — perguntou, afiada.

— Enquanto estiver carregando meu filho e o contrato vigente, sim. — respondeu, frio.

— Ah claro… tudo agora é o contrato e meu filho. — murmurou, bufando e saindo do cômodo.

Alex olhou para Liam.

— Por essa mulher você vai ficar de quatro. Quer apostar? Essa vai te fazer querer um casamento real. — disse.

Liam soltou um meio sorriso, sem humor, e assinou o contrato. O olhar era frio, cortante.

— Apostar? — murmurou. — Assim que a criança nascer, a guarda será minha e eu me divorciarei. Esse casamento é só um acordo, nada mais.

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