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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 104

Liam ergueu os olhos devagar, como alguém que escolhe cada reação. E por trás da postura fria, um traço quase imperceptível de vulnerabilidade que ele apagou rápido demais.

Alex continuou sem rodeios.

— Pra mim, sempre esteve muito claro o que você sente pela Olívia. Mas você precisa decidir se vai assumir isso ou continuar fugindo. — disse, a voz firme. — Você está apaixonado pela sua esposa. E é óbvio. Até cego perceberia.

Liam respirou fundo, o maxilar contraindo, mas manteve o tom de voz controlado, polido, implacável como sempre.

— Eu amo a Olivia. — admitiu, sem um tremor sequer, como se estivesse declarando uma sentença, não um sentimento. — Mas do jeito que as coisas estão… — desviou o olhar, apertando o copo entre os dedos — …não vejo como a gente pode dar certo.

Alex soltou uma risada curta, descrente.

— Espera aí. — levantou a mão. — Você está me dizendo que ama a mulher… mas acha que não vai dar certo porque sua mãe, completamente sem lucidez, disse merda no momento errado? — Ele o encarou com a cara de “você só pode tá brincando”. — Liam, você tá deixando uma frase solta do passado ferrar o que você tem AGORA. Isso não faz sentido nenhum.

Liam largou o copo na mesa, irritado consigo mesmo, o maxilar marcado pela tensão.

— Será que é tão difícil entender o óbvio? — disse, a voz baixa e dura. — Se eu falar o que sinto agora, ela vai achar que é mentira. Vai pensar que é mais um teatro pra convencer minha família de que nosso casamento é real. — Ele respirou fundo, mas continuou frio. — E eu não culpo ela por isso. Desde o começo deixei claro que sentimentos não faziam parte do acordo. Que ela não deveria se apegar. Eu mesmo exigi isso.

Alex esfregou o rosto, impaciente.

— Teu casamento é real, Liam. Sempre foi.

Eu te falei que essa mulher ia bagunçar sua vida pra melhor. — Ele apontou diretamente para o peito do amigo. — Para de afastar ela. Para de falar merda. Para de agir como se fosse dono dela. Ninguém aguenta isso.

Você já perdeu tempo demais. Vai aproveitar sua família. Tem uma criança crescendo ali dentro, sentindo tudo. — O olhar dele ficou sério, sem ironia nenhuma. — Ou você quer que seu filho cresça te rejeitando do mesmo jeito que você rejeita teu pai?

Liam se levantou irritado, passando a mão na nuca enquanto andava pela sala como um animal preso.

— A paternidade está me assustando. — admitiu, sem rodeios. — Eu não sei se vou ser um bom pai. Eu nunca quis filho. — Parou diante da enorme janela de vidro, olhando a cidade lá embaixo como se buscasse alguma resposta ali. A luz refletia na expressão tensa, no maxilar rígido. — Mas tudo mudou quando eu ouvi o coração do meu filho. — continuou, mais baixo. — Quando eu o vi na tela… ali a ficha caiu. Ali eu entendi: eu sou pai. — Ele virou o rosto ligeiramente, encarando Alex por cima do ombro. — Eu quero essa família, Alex. — disse, sem desvio, sem drama. — Mas quanto mais eu quero… mais parece que a gente se afasta. Mais eu faço merda. Mais tenho atitudes erradas.

Alex se aproximou.

— Liam, a Olívia só está esperando você assumir ela de verdade. — disse, olhando direto pra ele. — Ela só quer ouvir da sua boca que isso não é um acordo. Que nunca foi. — Ele deu um meio sorriso. — E você precisa provar isso com atitude. Não com controle. Não com ciúmes.

Liam ficou quieto. Um silêncio que dizia que ele estava pensando, mesmo que não admitisse.

— E olha… você já começou a mudar. Não tem mais acompanhantes. Isso pra você é tipo… milagre. É uma evolução real. — Alex completou.

Liam soltou um riso curto, sem humor, mais um sopro de irritação do que qualquer coisa. Depois bufou, passando a mão pela nuca, como quem tenta arrancar a própria inquietação.

— Eu tinha minha vida inteira sob controle. — disse, seco. — Tudo no lugar. Tudo funcionando. — O olhar endureceu. — E, de repente… tudo saiu do eixo. — ele concluiu, a voz baixa, cortante, um desabafo que ele odiava estar fazendo. — Estou ferrado, Alex. Ferrado de um jeito que nem eu sei como desfazer.

Alex riu.

— Se isso é estar ferrado, queria eu estar ferrado com aquele mulherão. — provocou. — As paredes desta cobertura iam ter história pra contar. Eu ia virar o melhor marido do mundo e ainda ia achar pouco.

— Tem uma roupa sua no quarto de hóspedes que você deixou aqui naquele dia que chegou bêbado… e praticamente desmontou na porta da minha cobertura. — Ele ergueu um dedo, ditando regra. — Se arruma que em trinta minutos saímos.

A música já escapava pelas paredes antes mesmo do carro estacionar. Grave, pulsante, vibrando como um coração descompassado. Luzes coloridas atravessavam as janelas do espaço modernizado onde a balada funcionava.

Isis saiu primeiro, empolgada, ajustando o vestido que abraçava cada curva como se tivesse sido feito sob medida. Ela olhou para o letreiro luminoso, deu um sorriso de pura malícia e bateu a porta do carro com energia.

— Olívia… — anunciou, sacudindo os ombros num ritmo sensual — …hoje você esquece que homem existe.

Laura saiu em seguida, passando a mão pelo cabelo e analisando a fila com um sorrisinho debochado.

— Eu só quero esquecer UM homem. — comentou. — Os outros… dependendo da qualidade, talvez eu considere.

Isis gargalhou alto.

— Vai devagar, gata. Ainda nem entramos e você já quer fazer seleção.

Olívia desceu por último. Ajeitou o vestido com um movimento rápido, respirou fundo como quem se encaixa de volta na própria pele e observou o lugar com cuidado.

Laura se aproximou, passando o braço pelos ombros dela.

— Cunhadinha… — disse num tom doce e provocante ao mesmo tempo — …a noite só está começando. E você vai dançar até esquecer o nome do meu irmão, entendeu?

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