Alex caminhava ao lado de Ísis, acompanhando seu passo instável enquanto deixavam o tumulto da boate para trás. A luz fria do estacionamento iluminava o rosto dela, meio cansado, meio teimoso. Ele respirou fundo — era óbvio que ela estava mais bêbada do que queria admitir.
— Eu vou te levar pra casa. — disse, firme, porém calmo.
Ísis riu, aquela risada torta de quem já perdeu a linha faz tempo.
— Não precisa. — balançou a mão no ar, quase tropeçando no próprio pé. — Eu vou de Uber. E… eu nem te conheço, moço.
Alex ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça de lado.
— Tem alguém pra ir com você? — perguntou.
Ela deu uma piscada lenta, tentando organizar os pensamentos.
— Meus amigos… já foram embora. — admitiu, fazendo uma careta. — Aqueles ingratos.
Alex soltou um suspiro, claramente achando aquilo óbvio demais.
— Sou o melhor amigo do seu chefe. — disse, com ironia leve. — E não vou deixar você, bêbada, entrar no carro de um desconhecido no meio da madrugada. A Olívia iria me matar por isso.
Ela abriu a boca para retrucar, mas o corpo oscilou, e ele segurou seu cotovelo antes que ela fosse parar no chão.
— Viu? — ele comentou. — Zero condições de Uber.
Conformada — ou cansada demais para brigar — Ísis deixou que ele a guiasse até o carro.
Alex abriu a porta do passageiro com um gesto educado, apoiando a mão no teto para evitar que ela batesse a cabeça. Ela entrou com cuidado exagerado, como se o carro fosse de cristal. Ele deu a volta e entrou também.
Estendeu a mão para ela.
— Prazer. — disse, num tom divertido. — Alex.
Ela apertou a mão dele, um aperto firme, quente, contrariando o estado em que estava.
— O playboy da cantada ridícula. — corrigiu. — Meu nome você já conhece.
Ele riu, um riso sincero que deixava covinhas discretas à mostra.
— Então… senhorita Ísis… pode me passar o endereço?
Ela virou o rosto, semicerrando os olhos.
— Já vou avisando que eu não moro em bairro de granfino igual você. — avisou, com orgulho debochado.
Alex ergueu o canto dos lábios.
— Eu adoro conhecer novos lugares. — respondeu. — Desde que a companhia seja agradável.
Ela soltou um bufar indignado.
— Então pode parar o carro agora, que eu vou descer aqui mesmo. — retrucou. — Porque eu não sou nem um pouco agradável.
Ele girou a chave na ignição e sorriu de lado.
— Adoro um desafio. — murmurou. — E eu não desisto fácil das coisas que me interessam.
Ela virou o rosto lentamente, apontando um dedo torto pra ele.
— Ainda bem… que daqui a algumas horas… — bocejou no meio da frase — eu não vou lembrar de nenhuma das suas investidas.
— O endereço, por favor. — ele repetiu, com paciência infinita.
Ela passou. Ele deu partida.
Três minutos depois, Ísis apagou.
Dormiu com a cabeça encostada no vidro, a boca ligeiramente aberta, respirando devagar como uma criança cansada.
Alex olhou de relance… e depois mais um pouco. A expressão dela era tão diferente da mulher afiada e debochada de minutos atrás, que algo nele simplesmente cedeu.
Quando finalmente chegou à quitinete dela, estacionou na frente, desligou o carro e soltou o cinto devagar.
Depois ficou ali, olhando para ela.
Por alguns segundos longos demais.
Os cílios dela eram longos, a pele iluminada pela luz amarelada do poste. O rosto sereno. A boca carnuda. A respiração suave.
Ele sussurrou, quase sem perceber:
— Que negra linda… — tocou de leve no volante, pensativo. — Eu vou casar com você, Ísis.
Como se aquilo fosse uma profecia que ele mesmo não conseguia controlar.
Ele então tocou o ombro dela, delicado.
— Ísis… — chamou. — Chegamos.
Nada.
Ele balançou o braço dela com cuidado.
— Ísis. — repetiu. — Acorda. Estamos na sua casa.
Ela abriu os olhos devagar, piscando como quem tenta lembrar onde está.
— Nunca mais… — murmurou, esfregando a testa. — Nunca mais eu bebo desse jeito.
— Só pra constar… — avisou, levantando o queixo. — Eu faço MMA.
Alex deu um meio sorriso, mordendo a própria bochecha.
— Do jeito que você está… — disse, passando um braço por trás dela para guiá-la — não consegue nem matar uma mosca.
Ele fez um gesto com a cabeça.
— Vamos, Ísis.
E ela… foi.
Alex caminhou ao lado dela de volta para o carro. Quando abriu a porta para ela entrar novamente, Ísis soltou um suspiro profundo, como se estivesse prestes a vender a própria alma.
Alex deu a volta, entrou no carro e ligou o motor, virou o rosto para ela, com um sorriso divertido e, ao mesmo tempo, enigmático.
— Ah… antes que eu esqueça — disse, se ajeitando. — Não estranha se o meu filho tiver crise de ansiedade quando a gente chegar lá.
Ísis piscou devagar, encarando ele como se estivesse tentando decifrar outra língua.
— Como é que é? — perguntou, franzindo a testa. — Isso são horas de uma criança estar acordada?
Alex riu baixo, apoiando o braço na janela como se achasse a pergunta adorável.
— Meu filho não é criança. — corrigiu, com a maior naturalidade do mundo. — Ele é um labrador negro, grande e gordo… e o que ele tem de gordura, tem de manha e ansiedade.
Ísis virou o rosto devagar.
— Você está falando… de um cachorro?
— Do meu filho. — Alex confirmou, sério por um segundo, antes de o sorriso voltar. — Não se assusta se ele pular em você quando a gente entrar. Ele é emocionado… e tem uma queda por mulheres bonitas.
Ela bufou, cruzando os braços.
— Ótimo. — murmurou. — Além de estar indo pra casa de um desconhecido… ainda vou lidar com um cachorro carente e tarado.
Alex começou a dirigir, sem esconder o riso.
— Relaxa. Ele é fofo. E educado. — fez uma pausa dramática. — Mais educado do que você, inclusive.
Ela virou de lado e encarou ele com indignação lenta.
— Eu sou uma LADY. — declarou, apontando o dedo enquanto bocejava. — Uma lady bêbada… mas ainda assim uma lady.
Alex segurou o volante com uma mão, o sorriso sempre presente.
— Veremos. — respondeu, divertido. — Só… tenta não acordar o vizinho gritando quando o Duck pular em você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...