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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 114

Alex caminhava ao lado de Ísis, acompanhando seu passo instável enquanto deixavam o tumulto da boate para trás. A luz fria do estacionamento iluminava o rosto dela, meio cansado, meio teimoso. Ele respirou fundo — era óbvio que ela estava mais bêbada do que queria admitir.

— Eu vou te levar pra casa. — disse, firme, porém calmo.

Ísis riu, aquela risada torta de quem já perdeu a linha faz tempo.

— Não precisa. — balançou a mão no ar, quase tropeçando no próprio pé. — Eu vou de Uber. E… eu nem te conheço, moço.

Alex ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça de lado.

— Tem alguém pra ir com você? — perguntou.

Ela deu uma piscada lenta, tentando organizar os pensamentos.

— Meus amigos… já foram embora. — admitiu, fazendo uma careta. — Aqueles ingratos.

Alex soltou um suspiro, claramente achando aquilo óbvio demais.

— Sou o melhor amigo do seu chefe. — disse, com ironia leve. — E não vou deixar você, bêbada, entrar no carro de um desconhecido no meio da madrugada. A Olívia iria me matar por isso.

Ela abriu a boca para retrucar, mas o corpo oscilou, e ele segurou seu cotovelo antes que ela fosse parar no chão.

— Viu? — ele comentou. — Zero condições de Uber.

Conformada — ou cansada demais para brigar — Ísis deixou que ele a guiasse até o carro.

Alex abriu a porta do passageiro com um gesto educado, apoiando a mão no teto para evitar que ela batesse a cabeça. Ela entrou com cuidado exagerado, como se o carro fosse de cristal. Ele deu a volta e entrou também.

Estendeu a mão para ela.

— Prazer. — disse, num tom divertido. — Alex.

Ela apertou a mão dele, um aperto firme, quente, contrariando o estado em que estava.

— O playboy da cantada ridícula. — corrigiu. — Meu nome você já conhece.

Ele riu, um riso sincero que deixava covinhas discretas à mostra.

— Então… senhorita Ísis… pode me passar o endereço?

Ela virou o rosto, semicerrando os olhos.

— Já vou avisando que eu não moro em bairro de granfino igual você. — avisou, com orgulho debochado.

Alex ergueu o canto dos lábios.

— Eu adoro conhecer novos lugares. — respondeu. — Desde que a companhia seja agradável.

Ela soltou um bufar indignado.

— Então pode parar o carro agora, que eu vou descer aqui mesmo. — retrucou. — Porque eu não sou nem um pouco agradável.

Ele girou a chave na ignição e sorriu de lado.

— Adoro um desafio. — murmurou. — E eu não desisto fácil das coisas que me interessam.

Ela virou o rosto lentamente, apontando um dedo torto pra ele.

— Ainda bem… que daqui a algumas horas… — bocejou no meio da frase — eu não vou lembrar de nenhuma das suas investidas.

— O endereço, por favor. — ele repetiu, com paciência infinita.

Ela passou. Ele deu partida.

Três minutos depois, Ísis apagou.

Dormiu com a cabeça encostada no vidro, a boca ligeiramente aberta, respirando devagar como uma criança cansada.

Alex olhou de relance… e depois mais um pouco. A expressão dela era tão diferente da mulher afiada e debochada de minutos atrás, que algo nele simplesmente cedeu.

Quando finalmente chegou à quitinete dela, estacionou na frente, desligou o carro e soltou o cinto devagar.

Depois ficou ali, olhando para ela.

Por alguns segundos longos demais.

Os cílios dela eram longos, a pele iluminada pela luz amarelada do poste. O rosto sereno. A boca carnuda. A respiração suave.

Ele sussurrou, quase sem perceber:

— Que negra linda… — tocou de leve no volante, pensativo. — Eu vou casar com você, Ísis.

Como se aquilo fosse uma profecia que ele mesmo não conseguia controlar.

Ele então tocou o ombro dela, delicado.

— Ísis… — chamou. — Chegamos.

Nada.

Ele balançou o braço dela com cuidado.

— Ísis. — repetiu. — Acorda. Estamos na sua casa.

Ela abriu os olhos devagar, piscando como quem tenta lembrar onde está.

— Nunca mais… — murmurou, esfregando a testa. — Nunca mais eu bebo desse jeito.

— Só pra constar… — avisou, levantando o queixo. — Eu faço MMA.

Alex deu um meio sorriso, mordendo a própria bochecha.

— Do jeito que você está… — disse, passando um braço por trás dela para guiá-la — não consegue nem matar uma mosca.

Ele fez um gesto com a cabeça.

— Vamos, Ísis.

E ela… foi.

Alex caminhou ao lado dela de volta para o carro. Quando abriu a porta para ela entrar novamente, Ísis soltou um suspiro profundo, como se estivesse prestes a vender a própria alma.

Alex deu a volta, entrou no carro e ligou o motor, virou o rosto para ela, com um sorriso divertido e, ao mesmo tempo, enigmático.

— Ah… antes que eu esqueça — disse, se ajeitando. — Não estranha se o meu filho tiver crise de ansiedade quando a gente chegar lá.

Ísis piscou devagar, encarando ele como se estivesse tentando decifrar outra língua.

— Como é que é? — perguntou, franzindo a testa. — Isso são horas de uma criança estar acordada?

Alex riu baixo, apoiando o braço na janela como se achasse a pergunta adorável.

— Meu filho não é criança. — corrigiu, com a maior naturalidade do mundo. — Ele é um labrador negro, grande e gordo… e o que ele tem de gordura, tem de manha e ansiedade.

Ísis virou o rosto devagar.

— Você está falando… de um cachorro?

— Do meu filho. — Alex confirmou, sério por um segundo, antes de o sorriso voltar. — Não se assusta se ele pular em você quando a gente entrar. Ele é emocionado… e tem uma queda por mulheres bonitas.

Ela bufou, cruzando os braços.

— Ótimo. — murmurou. — Além de estar indo pra casa de um desconhecido… ainda vou lidar com um cachorro carente e tarado.

Alex começou a dirigir, sem esconder o riso.

— Relaxa. Ele é fofo. E educado. — fez uma pausa dramática. — Mais educado do que você, inclusive.

Ela virou de lado e encarou ele com indignação lenta.

— Eu sou uma LADY. — declarou, apontando o dedo enquanto bocejava. — Uma lady bêbada… mas ainda assim uma lady.

Alex segurou o volante com uma mão, o sorriso sempre presente.

— Veremos. — respondeu, divertido. — Só… tenta não acordar o vizinho gritando quando o Duck pular em você.

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