A porta do carro mal havia se fechado quando Liam acelerou com violência contida, os olhos fixos na pista diante deles, como se qualquer desvio fosse perigoso demais. A respiração dele ainda vinha rápida, pesada, resultado direto da briga.
Olívia permaneceu alguns segundos em silêncio, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Mas Liam foi o primeiro a romper o ar.
Ele viu um movimento de relance e explodiu.
— Satisfeita? — a voz dele surgiu como um estouro seco, rasgando o silêncio. — Era isso que você queria?
Olívia virou o rosto, indignada.
— O quê?!
Liam bateu a mão no volante. O som ecoou pelo interior do carro.
— Esse show! — rosnou. — Acha que foi bonito? Acha que foi divertido me fazer te procurar no meio daquela merda de multidão enquanto um desgraçado te agarrava?!
Olívia se virou completamente para ele, os olhos brilhando de incredulidade.
— Eu não fiz show nenhum, Liam! Eu te disse que ia chamar a Ísis e… me deu vontade de ir ao banheiro. Isso não é crime!
— Eu falei pra você NÃO DEMORAR! — ele devolveu, como se cada palavra fosse jogada contra ela. — Mas não… você resolveu me contrariar. Aqueles homens estavam te comendo com os olhos.
— Eu tenho culpa disso?! — ela gritou. — Tenho culpa se esses homens agem como bichos quando vêem uma mulher? Tenho culpa se eles não sabem se controlar?
Liam apertou o volante. Os nós dos dedos ficaram brancos.
— Você nem deveria ter ido pra aquela boate, Olívia. — disse mais baixo, mas tão envenenado quanto antes. — Aquilo lá não é lugar pra você. Não é lugar pra mulher nenhuma.
Ela soltou um riso incrédulo, cheio de indignação.
— Lugar pra mim?! — Ela repetiu, indignada. — Quem você pensa que é pra decidir onde eu posso ou não estar?
Pela primeira vez, ele virou de fato o rosto na direção dela.
Os olhos verdes estavam carregados de raiva… mas havia algo por trás. Algo denso. Algo perigoso. Algo que parecia… medo.
— Eu sou o homem que quase matou alguém porque encostou em você. — disse, a voz trêmula de esforço. — Acho que isso me dá algum direito de dizer que aquele lugar não era seguro pra você. — e então, gritou. — Eu sou o teu marido.
O coração dela vacilou por um segundo. Mas não o suficiente para desmontá-la.
— Não grita comigo, Liam. — pediu, a voz firme mesmo com o peito apertado. — Não tenta inverter as coisas. Você perdeu o controle. Você podia ter sido preso!
Ele soltou um riso curto, seco, sem humor.
— Preso? — repetiu. — Por proteger minha mulher? — lançou um olhar raso. — Inacreditável, Olívia. O que você queria? Que eu pedisse “por favor” pra ele te largar? Eu tentei ao máximo me controlar desde que cheguei naquela porcaria de boate. Eu não admito um merda encostar em você.
— Você acha que violência resolve?! — ela explodiu de volta, a voz quebrando. — Você acha que isso é proteção? Isso é obsessão, Liam!
O carro diminuiu repentinamente ao se aproximar de um farol. Ele freou com mais força do que deveria, mas cuidando para que a desaceleração não sacudisse o corpo dela, protegendo instintivamente a barriga.
Olívia sentiu o gesto. Pequeno. Cuidadoso. E isso doeu ainda mais.
Liam virou o rosto devagar. Cada músculo parecia lutar contra si mesmo.
— Eu… — ele começou, mas precisou respirar fundo outra vez. — Eu não sei o que acontece comigo quando se trata de você.
Olívia desviou o olhar.
Ele continuou, a voz falhando pela primeira vez naquela noite.
— Eu vejo alguém olhando pra você… eu perco a cabeça. Eu vejo alguém te tocando… eu mato. — ele engoliu seco. — Eu não sei como lidar com o que sinto por você, Olívia.
Ela fechou os olhos, tentando controlar as próprias emoções.
— Mas outras mulheres podem encostar em você. — sussurrou, ferida. — Você precisa de ajuda.

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