Em uma das fotos, Liam ainda adolescente abraçava Laura em frente a um píer. Os dois sorriam de forma aberta, leve.
Em outra, Liam aparecia ao lado do avô, segurando um troféu náutico. Havia orgulho nos semblantes, mas também cumplicidade, aquela que Liam nunca mostrava para ninguém.
Ela tocou o vidro de uma terceira foto sem perceber: Liam surfando uma onda absurda, o corpo recortado pela luz do fim da tarde. Ele parecia livre. Selvagem. Verdadeiro.
Mas foram as duas últimas imagens que a prenderam.
Liam sentado na proa de um barco, com o vento bagunçando o cabelo e o olhar perdido no horizonte, como se estivesse procurando algo que nunca encontrava.
E outra em que ele ria, sentado na areia, com a camisa aberta e os pés cobertos de areia.
Ali, Liam parecia… humano.
Livre.
Vivo.
Nada parecido com o homem que, minutos antes, quase matou alguém no chão de uma boate.
E a sensação foi estranha. Quente. Dolorida. Quase íntima demais.
Liam percebeu o silêncio dela e finalmente ergueu os olhos, porém não comentou. Apenas passou ao lado dela, pegou uma garrafa de água na cozinha.
Olívia ainda estava observando as fotos quando falou, a voz baixa e falha.
— Eu… preciso de um banho. — confessou. — Na confusão alguém derramou bebida em mim.
Liam assentiu uma única vez, controlado.
— Vamos. — disse, passando por ela e guiando-a pelo corredor.
A porta do quarto dele se abriu, revelando um ambiente amplo, elegante e surpreendentemente organizado.
Ele apontou para o closet.
— As toalhas ficam ali. — informou, neutro. — Vou ver alguma coisa pra você comer.
— Eu não quero nada. — respondeu ela de imediato.
Liam se virou lentamente, como se aquela frase o irritasse mais do que deveria.
— Então boa noite. Você vai dormir aqui. — declarou, seco.
Olívia o encarou, incrédula.
— Eu não vou dormir numa cama onde você transava com a Bárbara. — disse, cada palavra carregando um pedaço da dor que ela fingia não sentir.
As palavras dela bateram nele como estilhaços. Pequenos, cortantes, imprevisíveis.
A mandíbula dele travou.
— Então você dorme no chão quando viaja? — rebateu, a voz baixa e afiada. — Porque milhares de casais têm relações em camas de hotel todos os dias.
— Isso é diferente, Liam. — ela devolveu, ferida.
— Não. — ele disparou, aproximando-se um passo. — O que é diferente é a sua mania de dramatizar tudo.
Olívia respirou fundo tentando manter a compostura.
— Eu só não quero deitar onde outra mulher…
— Chega. — ele cortou, a paciência finalmente rompendo. — Estou de saco cheio das suas infantilidades. — ele declarou, o tom subindo um pouco, mas sem perder o controle.
Ela piscou, surpresa. Não esperava aquela explosão, não daquele jeito.
Ele respirou fundo, uma, duas vezes, como se lutasse contra ele mesmo.
— Talvez… — disse, a voz baixa, dura. — talvez a melhor solução seja acabar com esse casamento.
As palavras dele atravessaram o ar como uma sentença.
E, por um instante, Olívia achou que o chão tinha sumido.
Liam não desviou o olhar.
— Está satisfeita? — concluiu, implacável.
Os olhos dele estavam frios… mas havia algo quebrado por trás do gelo.
A cobertura ficou silenciosa.
A cidade lá fora parecia distante demais.
E aquele casamento de contrato — frágil, tenso, sempre à beira do desmoronamento — pareceu enfim rachar. Silenciosamente. Dolorosamente. Como algo que nunca deveria ter sido tocado.
Liam virou as costas sem dizer mais nada.
A porta bateu com tanta força que o som ecoou pela cobertura inteira, como um corte seco separando duas realidades.

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