Laura estava com os olhos marejados, a voz falhando.
— Não sei… — murmurou. — E por conta disso é melhor eu ir embora agora, antes que tudo piore.
Ela tentou levantar-se no mesmo instante, mas Edgar a segurou pela cintura e a puxou de volta, firme, sem agressividade, só um desespero silencioso.
Ela caiu sentada no colo dele, e antes que pudesse protestar, a outra mão dele segurou o rosto dela.
— Eu senti tanta saudade sua, loirinha… — a voz dele saiu baixa, rouca, cheia de um sofrimento. — Nos primeiros anos, eu tive muito ódio de você. E esse ódio me movia. Me fazia estudar. Me fazia conquistar as coisas. — Ele respirou fundo. — Até que a vida me deu coisas boas… mas mesmo assim, você não saía da minha cabeça.
Laura engoliu seco.
— Mas eu não saía da sua cabeça? — provocou, fraca.
Os olhos dela tremeram. Edgar sorriu sem humor.
— Nem por um dia. — confessou.
Ele respirou fundo. — Às vezes, entre um plantão e outro… eu sonhava com nós dois. No meu quarto. Você me provocando até eu perder a cabeça. Eu me segurando pra não fazer besteira. Você… corajosa. Imprudente. Intensa demais. — Ele encostou a testa na dela. — Eu poderia ter me ferrado de verdade se alguém descobrisse, afinal era menor de idade. Mas você nunca teve medo de nada.
Laura fechou os olhos, não queria, mas o passado voltou como um golpe.
Edgar tocou os lábios dela de leve, com o polegar.
— Não esqueci dessa boca. — sussurrou, num tom tão íntimo que ela perdeu o ar. — Nem do que ela fazia comigo. Nunca encontrei alguém que fizesse melhor do que você. — Ele selou os lábios dela num selinho lento, cheio de memória e dor. — Você era terrível, Laura… — roçou o nariz no dela. — Insaciável, curiosa, aparecia na madrugada com aquelas ideias malucas, querendo testar o que tinha visto na internet… — Ele sorriu, triste. — E eu tinha que te beijar pra não deixar você fazer barulho demais e acordar a casa inteira.
O peito dela doeu.
— Até das tuas crises de ciúmes eu sentia falta… das brigas… das inseguranças que você tinha por causa das minhas amigas da faculdade, por ser tão nova enquanto eu já era experiente. — Ele deslizou a mão pela nuca dela. — Você… achava que eu nunca ia casar com você.
— E eu estava certa. — Laura respondeu, com a voz quebrada.
Edgar fechou os olhos, como se tivesse levado um golpe.
— Eu te amei tanto, Laura… — finalmente confessou. — Tentei voltar várias vezes. Tentei não pensar em você, tentei não sentir sua falta… tentei ficar longe. — A voz falhou. — Mas falhei. Sempre falhei. Como pode isso?
Laura engoliu seco.
— Edgar… onde você está querendo chegar com tudo isso?
Ele abriu os olhos.
E ali, havia verdade demais.
— Eu não sei. — Ele deslizou a mão pelo rosto dela. — A única coisa que sei é que ainda sinto a sua falta. E ainda amo você.
O ar saiu dos pulmões dela num soluço.
E Laura o beijou sem raciocínio, sem orgulho, sem defesa.
Enquanto o beijo se aprofundava, Laura terminou de abrir a blusa dele, os dedos trêmulos. Edgar a ajudou, e a camisa caiu no chão sem que nenhum dos dois notasse.
Ela sorriu, chorando e sorrindo ao mesmo tempo.
— Eu amo você, Edgar… — confessou, com o coração aberto pela primeira vez em anos. — E, de um jeito torto, eu te esperei. Mesmo depois de tudo. — Ela respirou fundo. — Eu nunca aceitei nenhum pedido de namoro… dormi com outros homens por causa da promessa que te fiz e pra provar pra mim mesma que eu não estava presa a você. — Olhou nos olhos dele. — Mas eu só me machuquei… porque a verdade é que eu sempre quis você. Só você. Sempre você. — A última frase saiu como um sussurro. — Você é o grande amor da minha vida.
Edgar encostou a testa na dela, os olhos marejados, a respiração pesada, como se aquilo tivesse finalmente quebrado uma muralha inteira.
Ele a puxou mais para perto, abraçando-a com força, com saudade, com amor, com dor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato