Isis apenas assentiu com a cabeça, sem condições de responder.
Alex foi para a cozinha e quando voltou, com a caneca em mãos, parou com a cena que via.
Isis dormia profundamente.
A boca entreaberta, a respiração calma, o corpo enrolado no próprio braço. Duck estava sentado no chão, rígido, como se fosse um guarda-costas peludo, com a cabeça apoiada no colo dela imóvel e protetor.
A imagem era tão inesperadamente terna que Alex sentiu o peito aquecer.
— Vocês dois vão me matar… — murmurou, sorrindo.
Pegou o celular no bolso e tirou uma foto. Precisava guardar aquilo. E, se possível, usar contra ela no futuro, só um pouquinho.
Aproximou-se, colocou a caneca na mesa de centro e, com delicadeza, passou um braço por baixo das pernas dela e outro pelas costas.
Ela nem se mexeu quando ele a levantou.
— Vem, dorminhoca. — murmurou, ajeitando-a no colo.
Levantou devagar, tomando cuidado para não sacudir demais. Duck seguiu atrás dele, como uma sombra protetora.
No quarto de hóspedes, Alex deitou Ísis com cuidado sobre a cama. Soltou um suspiro silencioso ao olhar para ela.
Havia algo naquela mulher. Algo que misturava força e ruína, braveza e fragilidad, que o desmontava por dentro.
Ele afastou uma mecha do rosto dela.
— Você é linda demais… — murmurou, quase sem perceber que tinha falado em voz alta. — Como é que eu vou te trocar assim?
Suspirou, porque tinha consciência de que ela não poderia dormir com aquela roupa suja.
Foi até o próprio quarto, entrou no closet e pegou uma camisa grande, macia, uma das que ele mais gostava. Quando voltou ao quarto de hóspedes, pegou também um edredom do armário.
Cobriu-a primeiro, para preservar sua privacidade, e com as mãos por baixo do cobertor, tirou com cuidado a roupa dela. Depois vestiu a camisa, ligou o ar-condicionado e ajustou a temperatura para algo suave.
Alex deu um passo para trás, avaliando o resultado como se tivesse acabado de concluir uma missão de guerra.
— Sinceramente… — murmurou, passando a mão pelo rosto, rindo baixo. — Isso aí foi a prova mais difícil que eu já fiz. A da OAB perto disso foi recreio.
Ele balançou a cabeça, incrédulo com a própria situação.
— Se isso não é teste de resistência, eu não sei o que é.
Sentou-se na poltrona no final da cama.
Duck entrou silenciosamente, cheirou Ísis, e então cheirou Alex. Depois sentou bem na frente dele e levantou uma pata, tocando sua perna.
Alex estreitou os olhos e soltou um sorriso divertido.
— É, amigão… eu também me encantei por ela. — disse, afagando a cabeça do cachorro. — Você acha que eu devia me casar com a Ísis?
Duck latiu uma vez.
— Shhh! — Alex cochichou. — Não pode latir, ela está dormindo!
Mas não conseguiu evitar o sorriso.
Alex se levantou, saiu do quarto e foi para o dele, seguindo direto para o banheiro. A água quente bateu nas costas rígidas dele.
E com uma mão na parede, ele finalmente deixou escapar o pensamento que estava preso desde o momento em que a pegou no colo.
— Eu quero essa mulher pra mim… — murmurou, a voz rouca, quase um gemido abafado pela água. — Ela é linda demais. Que corpo perfeito… que desastre perfeito…
Prendeu a respiração por um instante, sentindo algo entre o desejo e a proteção crescer dentro dele.

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