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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 184

No andar superior da mansão, longe do som da música e das conversas, Laura entrou no quarto e fechou a porta atrás de si com cuidado. Caminhou direto até o espelho da penteadeira, respirando fundo, os olhos marejados.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou, sem se virar, ao ouvir a porta se abrir novamente.

Victor entrou e encostou na porta.

— Eu te vi saindo de fininho da festa. — disse, aproximando-se. — Por que estava chorando, ruivinha?

Ela pegou um lenço sobre a penteadeira e limpou os olhos.

— Não estava chorando. — respondeu, seca.

Victor deu mais alguns passos, o sorriso travesso surgindo.

— Me dá dez minutos e eu te devolvo esse sorriso que você anda escondendo. — disse, piscando.

Laura ergueu o olhar pelo espelho.

— Sem chances, Victor. — disse, forçando um sorriso. — Já deixei claro que você não faz o meu tipo. — fez uma pausa breve, o olhar afiado pelo espelho. — E não me chame de ruivinha.

Victor parou atrás dela, encarando o reflexo dos dois.

— Não é esse o motivo. — disse, com calma.

Laura respirou fundo, largou o lenço e virou-se completamente para ele.

— Eu tenho um amor proibido. — afirmou. — Só isso que posso dizer.

E, sem esperar resposta, caminhou em direção ao closet. Victor foi atrás, encostando-se ao batente da porta.

— Não estou te pedindo amor. — disse, com um meio sorriso torto. — Eu só estava pensando em algo leve… sem drama, sem promessas e zero expectativas. Só dois adultos se divertindo… e esquecendo o resto do mundo por algumas horas.

Laura parou diante do espelho. Tentou manter a expressão neutra, mas não conseguiu evitar o sorriso que escapou no canto da boca. Aquele que surgia quando ela já tinha perdido a paciência, mas ainda se divertia com a audácia dele.

— Se você se tingir de marrom… — disse, puxando levemente o zíper do vestido apenas o suficiente para alcançar o sutiã que havia se soltado, visivelmente irritada com o fecho — …e seu amigão for realmente grande, talvez eu pense no seu caso. — Ela fez uma pausa curta, encontrou o olhar dele pelo espelho e completou, com ironia afiada. — Agora, se for mesmo tudo isso que você vende… me ajuda aqui, antes que eu tenha que resolver isso sozinha.

Victor não respondeu de imediato. Apenas se aproximou por trás, devagar demais para ser inocente. A mão firme fechou-se na cintura dela, puxando-a contra o corpo sem pedir permissão, como quem sabe exatamente o efeito que causa.

— Cuidado… — murmurou, a voz baixa, carregada de promessa. — Eu costumo surpreender mulheres que gostam de provocar.

Ele se inclinou, os lábios roçando lentamente o pescoço dela, num beijo que não era urgente, mas calculado. Um aviso. Não um pedido.

Laura prendeu a respiração por um segundo.

Victor levantou o rosto e encontrou o olhar dela pelo espelho. Os olhos azuis estavam escuros, perigosamente atentos, com aquele sorriso de canto que misturava desafio e confiança.

— E, acredite… — completou, ainda segurando a cintura dela com firmeza — …eu não costumo vender nada que não consiga entregar.

— Nós estávamos nos separando. — explicou, sem rodeios. — Mas algumas coisas mudaram. — Olhou rapidamente para Marcela, depois voltou-se para Felipe. — Pela Luna… decidimos tentar de novo. Estamos morando juntos novamente.

Érica, que até então permanecia em silêncio, deu um passo à frente. O tom saiu firme, carregado de intenção.

— Faça isso. — disse, sem hesitar. — Lute pela família que você construiu. — Cruzou as mãos à frente do corpo. — Numa separação, a única pessoa que sempre sofre de verdade é a criança. Mudanças, instabilidades, idas e vindas… tudo isso deixa marcas que ninguém vê de imediato. — continuou, sustentando o olhar de Edgar por tempo suficiente para a mensagem ficar clara. — Valorize quem esteve ao seu lado quando você ainda estava construindo sua vida. — disse, com precisão. — Quem caminhou com você nos momentos difíceis. Isso… — fez um gesto discreto com a mão — …não tem preço.

Olga e Frederico se aproximaram.

— Edgar! — disse Frederico, avaliando-o de cima a baixo, como quem faz um cálculo rápido. — Ou você cresceu… ou sou eu que estou ficando menor. Ainda não cheguei a uma conclusão.

Edgar abriu um sorriso sincero, deu um passo à frente e o envolveu num abraço firme, daqueles cheios de respeito e gratidão.

— Acho que fui eu que resolvi crescer mais um pouco. — respondeu, ainda sorrindo. — Parabéns pelos sessenta anos de casamento.

Frederico bateu de leve na lateral do braço dele, satisfeito, mantendo a mão ali por um segundo a mais do que o necessário, um gesto silencioso de aprovação.

— Soube que você se tornou um cardiologista renomado. — disse Frederico, com a voz firme e o olhar atento. — Seu pai teria muito orgulho.

O sorriso de Edgar suavizou. Havia respeito e emoção contida em seus olhos.

— Ele sempre foi meu herói. — respondeu, com sinceridade. Em seguida, voltou-se para Olga, abrindo os braços. — E a senhora, vovó Olga… como está? — abraçou-a com carinho, apertando-a contra o peito. — Que saudade desse abraço. — afastou-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. — Parabéns pelas bodas de diamante.

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