Logo depois, Ana se aproximou. O abraço dela foi diferente. Foi mais suave, mais longo, envolvente. Quando falou, o tom saiu baixo, quase carinhoso demais para aquele momento.
— Eu desejo que você seja feliz… — sussurrou. — Feliz de verdade. Com o seu verdadeiro amor.
Ao se afastar, Ana segurou o rosto de Laura entre as mãos por um instante, sorrindo com ternura sincera.
— Você já é como uma filha para nós, Laura.
O sorriso de Laura surgiu ali, discreto, agradecido… mas os olhos ainda carregavam a tempestade.
Laura voltou-se para Marcela, o tom profissional retomando o controle da situação.
— Marcela, a veterinária que está cuidando da Meg é extremamente competente. — disse, com um sorriso contido. — Mantenha o tratamento direitinho. — fez uma pausa mínima, quase imperceptível. Então desviou o olhar por um segundo até Edgar… e voltou para Marcela com precisão cirúrgica. — Assim, a filha de vocês não vai precisar lidar com traumas por perdas desnecessárias.
Sem esperar resposta, virou-se para Victor.
— Vamos dançar, branquinho?
E saiu com ele, a postura ereta, o sorriso no rosto…
Na pista de dança, o corpo de Laura se movia no ritmo da música. Victor a conduzia com facilidade, uma mão firme em sua cintura, a outra entrelaçada à dela. Para quem observava de fora, parecia apenas um casal bonito aproveitando a noite. Mas ali, entre eles, havia tensão demais para ser apenas dança.
Victor aproximou o rosto do ouvido dela, falando baixo, para que só ela ouvisse.
— Quero saber o que eu vou ganhar com essa situação em que você me enfiou. — disse, num tom meio brincalhão, meio sério demais para ser só piada.
Victor a fez girar levemente, trazendo-a de volta para perto de si. Ela o encarou com um sorriso divertido, quase insolente.
— Eu não te enfiei em nada. — respondeu. — Você aceitou porque quis. — inclinou a cabeça, provocadora. — Podia muito bem ter desmentido se quisesse.
Victor soltou um riso curto, balançando a cabeça.
— Laura… — disse, chamando-a pelo nome, agora sem brincadeira. — Eu sou mulherengo, não nego. Nunca escondi isso de ninguém. — fez uma pausa breve, os olhos fixos nela. — Mas eu não ia ser cafajeste com você. Não desse jeito.
Ela sustentou o olhar, curiosa.
— Não sei exatamente o que aconteceu entre você e o Edgar. — continuou ele, a voz mais baixa, mais séria. — Mas o jeito que ele te olhou… — respirou fundo — …não era indiferença. Era coisa mal resolvida.
Laura desviou o olhar por um segundo, mas Victor não parou.
— Aquele olhar dizia que ele ia te ferir. — completou. — Ou, sendo bem honesto… que vocês dois iam se ferir.
Ela apertou a mão dele por reflexo.
— Vocês dois — continuou Victor, agora com um meio sorriso irônico — deveriam criar vergonha na cara. — inclinou-se um pouco mais. — Estar agora numa cama, resolvendo isso como adultos. Com conversa. — deu de ombros. — E, claro… com muito sexo também.
Laura soltou uma risada baixa, sacudindo a cabeça.
— Você é terrível.
Victor sorriu de canto, girando-a novamente na dança.
— Não. — corrigiu. — Eu só não gosto de fingir que não estou vendo o óbvio.
Ele soltou um suspiro entre divertido e tenso, passando a mão pelos cabelos enquanto ainda a conduzia no ritmo da música.
— Meu pai vai me matar por sua causa. — disse, sorrindo. — Justo agora que eu estava mostrando pra ele que estava mudando… virando um homem sério.

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