Olívia inclinou-se um pouco mais em direção à amiga, a voz baixa, firme.
— Amiga… a atriz aqui é você.
Ísis soltou um riso nervoso que não tinha nada de humor. Os dedos apertaram a borda da mesa.
— Pela primeira vez na vida… — confessou — …eu não faço ideia do que fazer.
Olívia a observou por um segundo antes de responder. Não havia julgamento em seu olhar, apenas clareza.
— Conta toda a verdade. — disse, com calma. — Mesmo que ele fique com raiva no início. Mesmo que surjam mil caraminholas na cabeça dele. — fez um gesto pequeno com a mão. — Quando tudo esfriar… ele vai te procurar.
Ísis balançou a cabeça, visivelmente angustiada.
— Você não entende… — murmurou. — O Alex é contra esse tipo de trabalho. — respirou fundo. — Já entramos nesse assunto várias vezes. Eu até tentei contar a verdade.
Ela fez uma pausa. O olhar se perdeu por um instante enquanto Olívia escutava em silêncio.
— Mas o posicionamento dele sempre me fez recuar. — continuou. — Ele não é do tipo que grita. — a voz baixou ainda mais. — É o tipo de pessoa que consegue destruir alguém só com palavras.
Olívia segurou a mão da amiga sobre a mesa. Ísis engoliu em seco.
— Ele foi completamente contra o contrato que o Liam fez com você. Ele odeia mentiras. — a voz falhou. — E eu estou mentindo pra ele. Todos os dias. — levantou os olhos, aflita. — O Alex é oito ou oitenta.
Ela respirou fundo antes de concluir, quase num pedido.
— Entende agora por que ainda não consegui contar a verdade?
Antes que Olívia respondesse, uma voz familiar surgiu atrás delas, segura, carregada de presença.
— A preta mais deliciosa dessa festa quer dançar comigo?
Ísis ergueu o olhar devagar. Encontrou Alex sorrindo, estendendo a mão. O coração dela bateu forte demais. Ela olhou para Olívia, em busca de apoio silencioso.
Olívia apenas assentiu, discreta. Ísis respirou fundo, segurou a mão dele e se levantou.
— Por que eu não aceitaria? — respondeu, forçando leveza. — Vamos, amor.
Alex a puxou com leveza, conduzindo-a até a pista de dança. Assim que se aproximaram, ele passou a mão pela cintura dela, atento demais.
— Está tudo bem? — perguntou, baixo.
Ísis forçou um sorriso que não chegou aos olhos.
— Está sim, amor.
Na mesa, Olívia permaneceu sentada. Pegou a taça de água e bebeu devagar, como quem precisava de alguns segundos para organizar os próprios pensamentos. O burburinho do salão seguia ao redor.
Foi então que uma sombra se projetou ao seu lado.
— Boa noite, senhora Holt. — disse a voz masculina, próxima demais, carregada de uma confiança.
Olívia ergueu o olhar com calma, sem pressa, avaliando antes de responder. O gesto era sereno, mas atento.
— Boa noite. — respondeu, educada, porém reservada.
O homem sorriu, daquele tipo de sorriso treinado para causar impacto. Ajustou levemente o paletó antes de falar.
— Finalmente estou conhecendo a mulher que encantou o homem de ferro. — estendeu a mão. — Charles Holt.
Olívia aceitou a mão por pura educação. O toque foi breve. Mas, em vez de um aperto, Charles levou a mão dela aos lábios, depositando um beijo lento demais, deliberado demais.
— É um prazer, prima. — completou, sustentando o gesto um segundo além do necessário.
O corpo de Olívia reagiu de imediato. Ela puxou a mão de volta com firmeza contida, os dedos se fechando instintivamente, o constrangimento visível apenas para quem soubesse ler silêncios.
— O prazer é todo seu. — respondeu, seca, sem devolver o sorriso.
Charles pareceu não se importar. Puxou a cadeira ao lado e sentou-se sem pedir permissão, apoiando um braço no encosto, confortável demais.

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