Laura respirou fundo antes de começar. As mãos ainda tremiam quando ela baixou o olhar para a folha.
“Edgar,
Eu pensei muito antes de escrever isso, mas é melhor ser sincera agora do que continuar mentindo para nós dois.”
Leu a primeira linha, depois a segunda. Os olhos se estreitaram levemente, como se algo não encaixasse. Ela avançou mais um parágrafo.
“Eu não quero um filho agora. Não estou preparada para esta responsabilidade e principalmente nessas condições.”
O ar lhe faltou de repente. Laura ergueu o rosto devagar e olhou para Edgar, o coração disparado.
— Essa… — murmurou, a voz quase inaudível. — Essa… é a minha letra.
O silêncio entre eles ficou sufocante.
— Como isso é possível? — continuou, balançando a cabeça em negação. — Eu nunca escrevi isso. Nunca.
Os dedos dela apertaram o papel com força, amassando levemente.
— Realmente não estava preparada, mas eu o queria. — a voz começou a falhar. — Eu jamais diria essas coisas pra você… Jamais. Mais é minha letra.
Edgar não disse nada. Apenas a observava, atento, tenso, como se qualquer palavra pudesse quebrá-la de vez.
Laura voltou os olhos para a carta. Tentou continuar sentada… mas não conseguiu.
Levantou-se abruptamente, como se o corpo precisasse reagir ao choque. Começou a andar pela sala enquanto lia, os passos desordenados, a respiração curta.
“Eu entendi que a gente vive em mundos diferentes. E não quero passar o resto da minha vida presa a alguém que depende do meu pai pra pagar faculdade e, se bobear, pra virar alguém.”
As frases seguintes a atingiram como t***s.
“Eu sou nova demais pra estragar a minha vida cuidando de uma criança. Eu quero viver, estudar, viajar. Quero ter a vida que sempre tive, rodeada de luxos. Minha mãe sempre falou que eu mereço o melhor. Um casamento à minha altura. Alguém bem-sucedido e que combine comigo. Não um pobretão. E ela está certa.”
Laura parou no meio da sala. O papel tremia entre os dedos.
— Não… — sussurrou, engolindo em seco. — Eu me recuso a acreditar que estou lendo uma barbaridade dessas. — ergueu o olhar para Edgar, os olhos marejados, feridos. — Como você acreditou nisso?
Edgar respirou fundo. Passou a mão pelo rosto devagar. Depois ergueu os olhos para ela, sem agressividade.
— Da mesma forma que você acreditou na carta que te entregaram. — disse baixo, abrindo levemente as mãos num gesto contido. — Quando a gente ama… acredita até no que destroi. — Fez uma pausa curta. — A gente não errou por amar. Errou por achar que amar bastava naquele momento.
As lágrimas começaram a cair, pingando sobre o papel, borrando levemente a tinta em alguns pontos.
Ela não limpou. Continuou lendo.
“Eu mal comecei o High School e já fiz essa besteira. Eu quero estudar fora do país. Se eu tiver esse bebê, nada disso vai acontecer. Filho prende somente a mãe. E eu não quero isso pra mim.
Quanto mais avançava, mais o corpo dela reagia. O peito apertado, os ombros tensos, as mãos frias.
Eu abortei a criança, Edgar. E não me arrependo por ter feito isso. Seja feliz. Assim como agora eu vou ser.”
Ela parou. O choro veio mais forte, mais doloroso. Não havia escândalo. Apenas a devastação pura de quem entendeu, que a maldade do ser humano, pode acabar com a vida de pessoas.
— Eles nos separaram… — disse, entre lágrimas. — Eles nos destruíram.
Edgar a virou para ele.
— Laura…
Ela o olhou destruída.
— Eu passei anos te amando e te odiando ao mesmo tempo… — disse, a voz vazia. — Achando que você tinha sido cruel. Que tinha me usado. Que quis a morte do nosso filho.
Ela fechou os olhos, o corpo inteiro tremendo.
— Eles sujaram a nossa história, Nego… — a voz saiu em um fio. — Usaram a nossa letra para nos transformar em alguém que nunca fomos.
A voz de Laura falhou. Ela levou a mão ao peito, como se tentasse conter algo que rasgava ali dentro. Quando abriu os olhos novamente, havia neles algo quebrado para sempre.
— Eu te amei do jeito mais puro que eu sabia amar. — disse, entre soluços. — E fizeram você acreditar que eu te traí… que eu te desprezei… que eu matei o nosso filho. — Respirou com dificuldade, a dor vindo em ondas. — Você não sabe a dor que eu senti quando perdi o nosso filho, Edgar. Eu estava sozinha. — a voz saiu num fio. — Não tive ninguém pra me ajudar. Ninguém.
As pernas dele fraquejaram.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...