Edgar caiu de joelhos diante dela, como se o corpo não aguentasse mais o peso da culpa. Abraçou a cintura de Laura com força, enterrando o rosto no ventre dela, o choro rompendo sem controle, alto, convulsivo.
— Eu sei que não mereço… — soluçou. — Mas eu imploro o seu perdão. — A voz dele vinha abafada, quebrada, desesperada. — Eu deixei você sozinha. — continuou, entre lágrimas. — Eu não protegi vocês. Eu fui um canalha, eu sei…
Edgar apertou-a com mais força, como se quisesse voltar no tempo.
— Mas era a sua letra, amor… — ergueu o rosto por um instante, os olhos inchados. — Era a freira que nos ajudava. Eram situações que realmente tinham acontecido… tudo parecia real demais. — Baixou a cabeça outra vez, derrotado. — Eu acreditei… — chorou. — E por acreditar, eu te perdi. Eu perdi o nosso filho.
Laura permaneceu imóvel por alguns segundos, sentindo o peso daquele choro contra o próprio corpo. As mãos pairavam no ar, sem saber se tocavam nele ou se afastavam.
Quando finalmente pousou uma delas nos cabelos de Edgar, o gesto não foi de perdão.
Foi de luto compartilhado. Ela respirou fundo antes de falar, como se cada palavra precisasse vencer um nó antigo.
— Você estava tão distante naquele último fim de semana em que nos vimos, Nego… — disse baixo. — Tantas coisas passaram pela minha cabeça. — Fechou os olhos por um instante. — E tudo se confirmou quando cheguei em casa e vi aquela carta na sua cama.
A mão dela tremeu levemente nos cabelos dele.
— Quando voltei pro internato, eu achei que já estava destruída… — a voz falhou. — Mas o pior ainda estava por vir. — Engoliu em seco. — Eu fui obrigada a tomar aqueles remédios. Eu quase morri, Edgar. — As lágrimas escorreram sem controle. — Naquele dia, eu pedi a Deus pra me matar… porque eu não estava mais suportando tanta dor.
O choro de Edgar se intensificou. Ele respirou fundo, reuniu forças e ergueu o rosto lentamente para encará-la, ainda ajoelhado.
— Eu não estava distante, amor. — disse, com a voz rouca, carregada de culpa. — Eu estava apavorado. — Abaixou o olhar novamente. — Eu desrespeitei a casa dos seus avós. — confessou. — Eu te engravidei. Você era menor de idade… — A voz dele falhou. — O medo de me acusarem de algo que eu jamais faria era enorme. Eu não era ninguém, Laura. Não tinha nome, não tinha poder, não tinha proteção.
Ele respirou fundo, tentando se explicar sem se defender.
— Mas em nenhum momento eu pensei em fugir. — disse com firmeza. — Nunca. — Levantou o olhar para ela. — Eu estava pensando em como seria dali pra frente. Em como eu ia te dar uma boa vida. Em como a gente ia ter o nosso cantinho… a nossa vida.
As lágrimas escorriam livremente.
— Minha mente era um turbilhão. — concluiu, exausto. — Medo, culpa, amor… tudo ao mesmo tempo. — Baixou a cabeça novamente. — Eu só queria uma vida com você… e acabei falhando do pior jeito. — a voz saiu num fio. — Me perdoa, amor?
Laura o olhou em silêncio por alguns segundos, sentindo o peso daquela verdade atravessar o peito. Então, lentamente, começou a se ajoelhar diante dele, como se quisesse dividir aquele lugar de dor.
Edgar reagiu de imediato. Ainda ajoelhado, segurou as mãos dela com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo, impedindo o movimento.
— Não… — disse, com a voz embargada. — Não faz isso.
Com cuidado, puxou-a para cima, fazendo com que ela se levantasse. Em seguida, ele se ergueu, ficando de pé diante dela, frente a frente.
— Eu não quero você ajoelhada diante de mim. — completou, os olhos marejados. — A única pessoa que deveria ter se humilhado aos seus pés… era eu.
Com cuidado, Laura levou as mãos ao rosto de Edgar, segurando-o firme, obrigando-o a encará-la. Os olhos dela estavam inchados, vermelhos, mas havia ali algo importante: lucidez.

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