Laura respirou fundo novamente, as mãos se enroscando no pescoço dele, a pergunta seguinte vindo carregada de realidade.
— Porque o mais difícil começa agora, Nego. — disse. — Existem duas pessoas quebradas que vão recomeçar. — Fez uma pausa curta. — Existe uma ex-esposa. Uma filha. — A voz falhou. — E existe o fato de que sempre quis ser mãe… e que agora você sabe que isso não será mais possível.
Laura encostou a testa na dele.
— Eu sei que finais felizes só existem em contos de fadas. E isso aqui é vida real. — sussurrou. — Mas eu preciso ter certeza de que estaremos dispostos a caminhar juntos… mesmo sabendo que pode ser doloroso. — Respirou fundo. — Porque, dessa vez, Edgar, teremos que ser maduros. Conscientes. Às vezes mais racionais. E não permitir que nada volte a nos separar. — Continuou, firme. — Porque, se acontecer de novo… não vai ter volta.
Ela se afastou apenas o suficiente para encará-lo de frente. O tom mudou. Não mais dor, mas clareza.
— E pra finalizar… — disse, com calma, mas sem hesitar — tem uma coisa que eu preciso dizer agora.
Edgar assentiu, atento.
— Você vem me pedindo pra aceitar a Luna, dizendo que ela não tem culpa de nada. — continuou. — E você está certo. Ela não tem. — Fez uma pausa curta. — Eu aceito a sua filha. — O silêncio entre eles ficou denso. — Mas eu preciso ser honesta com você. — completou. — E você não precisa aceitar se não concordar.
Ela respirou fundo, escolhendo bem as palavras.
— Eu não aceito que você durma na casa da sua ex. — disse, direta. — Nem quando sua filha estiver doente. Isso não é sobre falta de empatia ou insegurança. É sobre limites. — O olhar dela não vacilou. — Vai ser difícil pra Luna, eu sei. Ela é muito apegada a você. — reconheceu. — Mas existe uma ex que, tenho certeza, ainda não aceita o término da relação e pode usar a criança como forma de te fazer voltar. — Respirou fundo antes de concluir. — Filho não manda na relação dos pais. Estou dizendo isso porque, no início, Luna pode sentir ciúmes de você.
Laura manteve a voz firme.
— E ela vai ter que me respeitar. E isso é imprescindível. — Respirou fundo. — Se em algum momento eu precisar chamar a atenção dela… — disse com serenidade — ter que colocar no cantinho do pensamento, tirar algo por conta de birra ou falta de respeito… você vai ficar calado na frente dela.
Ergueu a mão levemente, antecipando qualquer reação.
— Mesmo que depois, longe dela, você me diga que não gostou. — completou. — A gente conversa. Ajusta. Mas não me desautoriza.
Ela olhou ao redor, como se delimitasse um espaço invisível.
— Aqui, na minha casa, quem manda sou eu e você. — afirmou. — Quando a Luna estiver conosco, serão as nossas regras. — Fez uma pausa curta. — E ela vai dormir no quarto dela. Sempre.
Laura voltou o olhar para Edgar, sem desafio, sem ameaça. Apenas verdade.
— É isso que eu quero. — disse, num tom calmo, porém definitivo. — Um lar com amor, limites, respeito e clareza. — Inclinou levemente a cabeça. — O que você me diz?
Edgar respirou fundo. O olhar estava úmido, mas sereno.
— Eu não tenho nada a acrescentar. — disse, com sinceridade. — Só agradecer. Eu estou voltando com uma bagagem… e sei o quanto isso deve estar sendo difícil pra você. Mas a sua atitude só me mostra o quanto eu sou um cara de sorte. — Sorriu, emocionado. — E o quanto você amadureceu. Obrigado, amor. Muito obrigado.
Ele segurou as mãos dela.
— Você vai gostar da minha filha. — completou. — Ela é uma boa menina. Muito inteligente pra idade. — Fez uma pausa curta, confiante. — Nós seremos felizes. É uma promessa!
Laura assentiu, com um sorriso contido.
— Assim espero. — disse. — Agora… quero que você me mostre cada cantinho do nosso lar.
Edgar sorriu e começou a conduzi-la pela cobertura. Mostrou a sala ampla, a vista que parecia abraçar a cidade, a cozinha iluminada cada detalhe escolhido com cuidado. Laura ia pontuando em cada cômodo o que achava que podia melhorar, sempre respeitando a opinião dele, e dizendo o que não gostava com um sorriso radiante, sem impor nada.
— Você não sabia que temos que entrar no nosso ninho de amor com o pé direito? — respondeu, divertido. — Abre a porta, amor
Laura abriu, rindo. Edgar entrou com cuidado, o pé direito à frente.
— Bem-vinda ao lugar onde vamos nos amar intensamente. — disse, com ternura.
Ele a colocou no chão. A primeira coisa que Laura viu foi a cama king-size… e, acima da cabeceira, uma foto enorme. Ela reconheceu na mesma hora.
Os dois no Central Park. Um dia simples, feliz. O dia em que tinham saído da ginecologista e caminharam sem rumo, rindo. A foto tinha ficado tão bonita que, na época, ela havia dito, sonhando acordada.
“Quero essa foto no nosso quarto quando casarmos.”
Laura levou a mão à boca. Os olhos marejaram.
— Eu não acredito… — sussurrou. — Você não esqueceu.
Edgar aproximou-se por trás e a envolveu num abraço.
— Eu nunca esqueço as promessas que faço. — disse, encostando o rosto no cabelo dela.
Laura se virou para ele e começou a beijar-lhe o rosto, as bochechas, o maxilar e a testa. Vários beijinhos apressados, cheios de gratidão.
— Obrigada… — disse, entre um beijo e outro. — Obrigada… obrigada… obrigada. Eu amei, amor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quero mais, tava na hora de Olivia ter um pouquinho de felicidade...
Escritora não demore pra postar,...
QUEROOOO MAIS CAPITULOOOOOS, POR FAVOR HAHAHAH...
Mds, queroooo mais!!!...
nossa quanto tempo mais? ai quando solta é so 10 capitulos...
Faz 10 dias sem novidades...
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....