A sala estava carregada, o ar denso como se não houvesse espaço para mais nada além de gritos. O relógio na parede marcava as horas sem pressa, indiferente ao caos. Meredith estava de pé perto do sofá, os cabelos caídos sobre os ombros, o rosto manchado de lágrimas. Felipe, ao lado da mesa de centro, respirava pesado, o maxilar travado, as veias do pescoço salientes.
— Você tem outra, não tem? — a voz de Meredith saiu trêmula, mas afiada. — Confessa! Vai continuar mentindo? A sua secretária é sua amante, não é?
Felipe passou a mão pelo cabelo, os olhos faiscando de irritação, a respiração mais curta.
— Estou de saco cheio disso, Meredith. — disse, a voz baixa e cortante. — Você perdeu a noção, está maluca!
— Não me chame de maluca! — gritou ela, o som quebrando como vidro estourando. — Eu não estou doida. Você está me trocando, eu sei! Eu sinto. Você mudou comigo. Deixou o Liam de lado!
Felipe fechou os olhos por um instante, os ombros tensos. Quando falou de novo, a voz veio carregada de raiva.
— Todo dia, quando volto do trabalho, é este inferno. Não há um instante de paz nesta casa. Você transformou o que poderia ter sido um casamento em uma prisão… e agora está me obrigando a tomar uma atitude para sair dela. Você é culpada disso tudo!
Meredith respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido. Um tremor passou por suas mãos. Ela levantou o queixo e a voz saiu embargada, mas firme:
— Eu larguei tudo por você. Eu tinha uma carreira brilhante, uma vida… mas abri mão de tudo quando casamos e me dediquei à família, fiz o que você queria e é assim que me trata? Eu não mereço isso, Felipe. Você é igual a todos!
— Chega, merda! — explodiu Felipe, a voz ecoando pelas paredes. A mão dele se ergueu no ar num gesto que não se concretizou, mas bastou para assustar.
Liam, na brinquedoteca, não entendia todas as palavras, mas sentia o peso do tom. O mundo dele parecia desabar. Correu pelo corredor até o centro, os olhos arregalados. Viu um vaso quebrado no chão, viu o pai com a mão levantada, viu a mãe com os olhos marejados. Agarrou-se às pernas dela, tremendo.
— Mamãe… — choramingou, a voz como quem pede abrigo.
Meredith se abaixou, o coração em pedaços, e o abraçou com força. O perfume doce dela envolveu Liam, gravando-se para sempre na memória dele.
— Liam, está tudo bem, meu príncipe. Vai pro seu quarto agora — pediu, a voz falhando, doce mesmo dentro da dor. — Vai, meu amor. Vai com a babá. Eu e seu pai não estamos brigando. Obedece a mamãe!
— Não quero! — ele choramingou, encostando a testa no queixo dela, os bracinhos agarrados ao pescoço.
— Vai… mamãe vai dar uma atenção para seu pai que chegou cansado e já subo pra ler sua história.— repetiu ela, os olhos fundos, as lágrimas ameaçando cair. — Vânia, leva ele.
A babá, assustada, o pegou no colo.
— Desculpa senhora, estava preparando o banho dele.
Liam esticou os braços na direção da mãe e gritou, o rosto molhado de lágrimas:
— Mamãe!
Liam abriu os olhos de repente. O coração batia acelerado, a roupa molhada de suor. O celular tocava no criado-mudo. O visor mostrava seis horas em ponto.
Respirou fundo, passando a mão pelo rosto. Pegou o celular, desligou o alarme. Ficou sentado na beira da cama por um tempo, olhando pro nada e foi direto para o banheiro.
Tirou a roupa mecanicamente. Entrou no box, a água quente escorrendo pelo corpo. A mente não parava; era um redemoinho de imagens antigas e recentes. Ele encostou a mão na parede fria, baixando um pouco a cabeça. O vapor cobria o enorme espelho do banheiro, como se quisesse esconder dele próprio. Respirou fundo, repetidas vezes, até que sentiu os músculos relaxar, a respiração desacelerar, os pensamentos ganhando outro ritmo.
Ao terminar de se arrumar, Liam seguiu para a sala de jantar, onde o mordomo e a empregada já o aguardavam.
— Bom dia, senhor — disse o mordomo.
Liam assentiu. Sentou-se à mesa. A empregada aproximou-se.
— Café, senhor?
— Só café. Sem açúcar — respondeu, a voz baixa, firme.
Liam se levantou, ajeitando o paletó. O gesto era calmo, mas havia decisão. Sem olhar para trás, deu o assunto por encerrado.
— Sim, senhor — respondeu o mordomo, indo com ele até a porta.
Do lado de fora, o motorista já esperava com a porta aberta.
— Bom dia, senhor — disse o motorista.
Liam assentiu e entrou no carro. O motorista fechou a porta, contornou o veículo e assumiu o volante. O carro seguiu pelo caminho até o hangar privativo.
No interior do veículo, o silêncio era espesso. Liam mexia no celular enquanto, de relance, via as ruas de Nova York se afastarem pela janela. O motorista quebrou o silêncio.
— Alguma instrução especial, senhor?
Liam respondeu sem tirar os olhos do celular.
— Leve minha esposa para todos os lugares que ela for. E me informe cada passo que ela der.
O motorista assentiu.
— Entendido, senhor.
O carro parou diante do hangar privativo. Liam desceu, ajustando o paletó.
Alex já o aguardava próximo à escada do avião, mãos nos bolsos e um sorriso de canto. Assim que viu o amigo, ergueu uma sobrancelha com malícia.
— E aí, Liam… a noite de núpcias foi tão intensa quanto você planejava ou ficou só na promessa? — perguntou Alex, em tom de brincadeira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...