O silêncio pesado depois da provocação inicial pareceu congelar o ar. Liam parou diante de Alex, os olhos verdes sombrios, carregados de uma frieza implacável, a presença ereta e imponente.
— Desde quando eu te conto o que faço com uma mulher entre quatro paredes? — retrucou, a voz baixa e cortante, como um golpe preciso.
Alex ergueu uma sobrancelha. Seu tom foi controlado, carregado da ironia fina que advogados usam em tribunais para desarmar adversários.
— Nossa, que mau humor… — disse, sem elevar a voz. — O que deu em você?
Liam não respondeu de imediato. Girou o rosto, como quem encerra a conversa, e subiu os degraus do jatinho com passos firmes. Alex veio logo atrás, observando-o com ar analítico, como se cada gesto fosse uma prova em um processo judicial invisível.
O piloto cumprimentou-os com profissionalismo.
— Senhores, bom dia. Acomodem-se, decolaremos em instantes.
Os dois sentaram em poltronas opostas. O som das turbinas preencheu a cabine, um rugido que fazia vibrar o ambiente. O jato acelerou pela pista, e logo estavam no ar, engolindo nuvens e distâncias.
Quando o aviso sonoro permitiu, Liam soltou o cinto com um gesto brusco. Alex fez o mesmo, mas de modo contido.
Liam puxou uma pasta de couro, abriu-a sobre a mesa.
— Vamos revisar os contratos — disse, seco, a mente já tentando se refugiar nos negócios.
Alex recostou-se na poltrona, entrelaçando os dedos sobre o joelho.
— Primeiro, nós vamos conversar — disse com tranquilidade. — O que houve no casamento para você sair daquele jeito?
O maxilar de Liam se contraiu. Respirou fundo, mas sua voz não tremeu.
— Peguei Olívia beijando Peter — respondeu, cada palavra lançada com dureza, sem emoção alguma, enquanto mantinha os olhos fixos nos papéis que segurava.
Houve um silêncio breve. Alex inclinou o corpo para a frente, pousando o olhar sobre Liam.
— Agora entendi tudo… — murmurou, a voz suave, mas carregada de convicção. — Você ficou com ciúmes. Por isso não foi nem para a viagem de lua de mel.
Liam tirou os olhos dos papéis que segurava e fitou Alex, o olhar firme e impenetrável.
— Você está viajando, Alex. — A voz dele saiu grave, firme, sem espaço para dúvidas. — Isso não é casamento, é um contrato. Olívia representa sucessão, estabilidade e garantia para a herança. O resto é irrelevante. Eu não me casei por amor. Eu não acredito no amor. Casei para proteger o império que meu avô construiu.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato